Parashat Vayakhel-Pekudei
19 de Adar de 5786 (8 de março de 2026)
Rabino Shmuel Rabinowitz, Rabino do Muro das Lamentações e Lugares Sagrados
A Torá dedica grande extensão à descrição da construção do Mishkan (Tabernáculo) e seus utensílios. Essas leis abrangem cinco parashiot, de Terumá a Pekudei, que conclui o Livro de Êxodo. Em todas as porções que tratam da construção do Mishkan e seus utensílios, e particularmente na Parashá Vayakhel, um par de palavras se repete: “sábio de coração”, “sabedoria do coração”. Pareceria que, para uma obra tão sagrada, um tipo especial de sabedoria é necessário – uma concedida apenas a indivíduos escolhidos. No entanto, diferentemente da expressão que poderíamos esperar ler – “sabedoria da mente” – a Torá enfatiza que a sabedoria necessária é a “sabedoria do coração”. O que é essa sabedoria que reside no coração e como alguém a adquire?
A origem dessa ideia está no versículo:
“E no coração de todo aquele que tem coração sábio, eu lhe darei sabedoria; e ele fará tudo o que eu lhe ordenei”
(Shemot 31:6).
Sobre isso, os Sábios ensinaram:
“Daqui aprendemos que o Santo, bendito seja Ele, concede sabedoria apenas àquele que já a possui”
(Berachot 55a).
É comum pensar que dinheiro atrai dinheiro, beleza atrai beleza e cargos são concedidos a quem tem as conexões certas. No entanto, acredita-se que a sabedoria – uma qualidade interior – seja adquirida por meio de trabalho árduo e esforço. Mas eis algo notável: nossos sábios revelam que a sabedoria também pertence a esse mesmo sistema. Para receber sabedoria, é preciso já ser sábio. Como isso é possível? Como já foi observado com ironia, um tolo não saberia o que fazer com a sabedoria que lhe fosse concedida.
Para compreender essa ideia inovadora, recorremos a um Midrash citado no comentário da Riva sobre a Torá:
“Uma nobre perguntou ao Rabino Yosi: O que significa ‘E no coração de toda pessoa sábia’? Ele dá sabedoria aos sábios? Deveria ter dito aos tolos! Ele respondeu: Se duas pessoas viessem até você, uma rica e uma pobre, a quem você emprestaria dinheiro? Ela respondeu: Ao rico. Ele disse: Assim também faz o Santo, bendito seja Ele, como está escrito (Provérbios 9:9): ‘Dê ao sábio e ele se tornará ainda mais sábio’. Mas se a sabedoria for dada aos tolos, eles irão se sentar em becos imundos.”
Essa concepção singular de como a sabedoria é distribuída nos leva a perguntar: qual é a sabedoria inicial que torna alguém digno de receber sabedoria adicional? E como a primeira sabedoria foi concedida, se o destinatário ainda não era sábio?
Uma janela para a compreensão disso pode ser encontrada nas palavras do Rabino Samson Raphael Hirsch. A ênfase do versículo está nos “sábios de coração”. Este termo é desconhecido no mundo moderno, onde a sabedoria é medida pelo conhecimento e pela educação, enquanto a sabedoria do coração é insuficientemente valorizada. Como disse um pensador: “Quanto mais o mundo avança, mais o coração retrocede”. No pensamento judaico, o fundamento é a sabedoria do coração. É o receptáculo que contém a sabedoria.
O que distingue os sábios de coração é o seu intenso anseio interior por sabedoria. Se o desejo estiver presente, a sabedoria certamente virá. Nossa aspiração não deve ser meramente intelectual, mas algo que pulsa em nosso coração. Quem tem o coração indiferente não age; quem se contenta com o que já sabe não progride. O impulso interior e a aspiração de crescer são o que impulsionam uma pessoa e expandem tanto sua sabedoria quanto seu caráter.
Não é a sede de conhecimento que permanece externa à personalidade de alguém, deixando sua essência inalterada. Tal pessoa, nas palavras do Rabino Hirsch, permanece simplória. O mundo superficial, de fato, se curva aos pés do sábio e se maravilha com sua erudição, sem perceber que seu coração pode ser vazio e desprovido de substância. O verdadeiro sábio é aquele que, no fundo do coração, anseia pela grandeza e caminha continuamente em direção ao objetivo correto.
Muitas vezes acontece que, em certa fase da vida, uma pessoa se contenta com o que aprendeu com seus mestres e se concentra apenas em expandir seu conhecimento. Mas o verdadeiro sábio, cuja sabedoria reside em seu coração, jamais deixa de desejar uma compreensão maior, pois a soma da sabedoria gera ainda mais sabedoria. Como explica o grande pensador Rabino Yitzchak Hutner em sua linguagem de ouro:
“Se buscarmos no mundo físico um paralelo para a relação entre um grande sábio e um menos sábio do que ele, devemos deixar de lado a comparação entre rico e pobre e, em vez disso, comparar o corpo de um adulto ao de uma criança. A diferença não é que o corpo adulto possa digerir mais, mas que sua necessidade é maior; o corpo adulto não pode sobreviver com a quantidade de alimento suficiente para uma criança. Da mesma forma, cada gota de sabedoria que entra na alma de um sábio renova nele a diferença entre a infância e a maturidade, de modo que, à medida que a sabedoria aumenta, também aumenta a medida de sua necessidade de sabedoria.”
(Pachad Yitzchak, Shavuot, Maamar 4)
A sabedoria do coração é um recipiente maravilhoso, a força motriz que continuamente desenvolve a grandeza interior de cada um. Numa geração em que as portas do conhecimento se abriram e muitos são educados e informados, é vital cultivar também a sabedoria do coração e nunca cessar de crescer e aprofundar-se nas questões que verdadeiramente moldam as nossas raízes e a nossa ligação com o Criador do mundo.
“Dê aos sábios, e eles se tornarão ainda mais sábios.”
never again
Shabat shalom/Chaverim, é da maior importância que leiamos e assinemos a proposta legislativa acima, que ainda conta com apoio restrito, mas que facilitará enormemente a vida dos Judeus no Brasil! ASSINEM! APÓIEM!!!! DIVULGUEM!!!!
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