Por Rabi Raphael Shore
24 de março de 2026

O Irã não é apenas uma ameaça militar. É um sistema de opressão que mantém 90 milhões de pessoas em cativeiro, ecoando a história da Páscoa judaica.
Em uma reunião em Washington no ano passado, que marcou o aniversário do Dia D, o presidente dos EUA, Donald Trump, comentou com o chanceler alemão Friedrich Merz que 6 de junho de 1944 “não foi um dia agradável” para a Alemanha.
Merz respondeu simplesmente: “Verdade, mas foi a libertação do meu país da ditadura nazista.”
É um momento marcante. Um líder alemão expressando gratidão por uma guerra que devastou seu país, porque essa guerra tornou seu futuro possível. Os Aliados estavam dispostos a se sacrificar não apenas por sua própria sobrevivência, mas também para libertar a Alemanha de um regime que a havia consumido.
Na época, a Segunda Guerra Mundial era entendida como uma luta pela sobrevivência. Em retrospectiva, seu significado mais profundo se revela. Tratava-se de desmantelar um sistema de opressão e possibilitar um futuro diferente, tanto para aqueles que foram atacados quanto para aqueles que estavam presos dentro desse sistema.
Como disse Winston Churchill, o objetivo era nada menos que garantir que “as luzes da liberdade” não se extinguissem.
Liberdade para o Irã
Hoje, grande parte da discussão em torno da guerra com o Irã é restrita e tática. A ameaça será neutralizada? Os objetivos serão alcançados? Haverá um resultado decisivo? Essas são perguntas importantes, mas não captam toda a realidade do que está acontecendo.
O Irã não representa apenas uma séria ameaça militar para Israel, os EUA e muitos outros países. Há dezenas de milhões de pessoas vivendo sob regimes que suprimem a liberdade. Só no Irã, 90 milhões de pessoas vivem sob um sistema que pune a dissidência, controla o pensamento e exporta instabilidade muito além de suas fronteiras. Esse mesmo sistema se estende ao Líbano, Iêmen, Iraque e outros países, aprisionando sociedades inteiras em ciclos de violência e fracasso.
A guerra atual, que na verdade começou em 7 de outubro de 2023, quando um grupo apoiado pelo Irã realizou um massacre brutal, com base em anos de financiamento, treinamento e apoio iranianos, não é apenas um confronto com uma ameaça. É um confronto com uma estrutura de opressão que oferece esperança tanto de salvação quanto de liberdade. Quando tais estruturas são enfraquecidas, mesmo que não sejam completamente desmanteladas, algo profundo começa a acontecer. As condições para a liberdade começam a surgir.
Isso ecoa a história da Páscoa judaica, o modelo de esperança humana contra a opressão ao longo da história. Não é por acaso que os afro-americanos escravizados recorreram a essa narrativa, dando voz à sua luta por meio da espiritualidade:
“Desce, Moisés, bem lá no Egito,
e diz ao velho Faraó: deixa meu povo ir.”
A linguagem do Êxodo tornou-se a própria linguagem da liberdade.
Mas antes de ser uma canção, foi um confronto.
Desmantelando o Egito
Moisés compareceu perante o Faraó e desafiou o regime mais poderoso de sua época e um dos sistemas de opressão mais absolutos da história: um regime que escravizou o povo judeu por gerações, exercendo um controle tão total que, como ensina o Midrash, nenhum escravo jamais conseguiu escapar.
Quando Moisés entrou na luta, as coisas pioraram. O sofrimento aumentou e a pressão se intensificou. Na verdade, D’us havia dito a Moisés que isso aconteceria.
Todo um sistema teve que ser desmantelado e deslegitimado para que um povo pudesse ser livre.
A Páscoa judaica é a história de como a libertação se torna possível.
Os Sábios ensinam: “Abra para Mim uma abertura como o buraco de uma agulha, e Eu abrirei para você como a abertura de um grande salão”. A redenção pode vir do alto, mas começa com a iniciativa humana. Alguém precisa dar o primeiro passo para que o resultado se torne claro.
Hoje, testemunhamos não apenas uma luta pela segurança, mas também um confronto com forças que moldam a vida de milhões de pessoas muito além do nosso horizonte imediato. O resultado é incerto e os custos são reais, mas as consequências vão muito além do campo de batalha imediato.
A Hagadá nos lembra: “Em cada geração, eles se levantam contra nós para nos destruir”. É um lembrete de que a luta entre a opressão e a liberdade, entre a luz e as trevas, é contínua através das gerações. Hoje, é a República Islâmica do Irã que lidera a luta contra D’us e Seu povo.
O enfraquecimento de sistemas opressivos, ainda que incompleto, pode abrir caminho para um futuro diferente. Atos de coragem, empreendidos sem certezas, podem remodelar a realidade de maneiras que só se tornam visíveis mais tarde.
O resultado não é garantido. O próprio Moisés foi avisado por D’us de que o processo envolveria contratempos e que as condições piorariam antes de melhorarem.
Mas sem esse primeiro passo, nada teria mudado.
Essa é a mensagem perene da Páscoa judaica. Precisamos combater as forças opressoras para tornar a liberdade possível.
Começa com a clareza para nomear o mal, exige a coragem de confrontá-lo e se desenrola por meio de ações tomadas muito antes que o resultado seja certo.
Quando isso acontece, a história pode mudar, não apenas para um povo, mas para milhões de pessoas e para o mundo inteiro.
Em momentos como este, agradecemos a D’us, aos Estados Unidos e a Israel por enfrentarem as forças da opressão. Tal coragem não garante o sucesso, mas irá remodelar a história, enfraquecer regimes destrutivos e, com a ajuda de D’us, abrir o caminho para uma maior liberdade para as gerações futuras.
Fonte: Aish Hatorah
never again
Shabat shalom/Chaverim, é da maior importância que leiamos e assinemos a proposta legislativa acima, que ainda conta com apoio restrito, mas que facilitará enormemente a vida dos Judeus no Brasil! ASSINEM! APÓIEM!!!! DIVULGUEM!!!!
worldjornalistaandrehmendan.online
#נדרהמנדהה #Israel #andrehmendanhanettodasilva #jornalismo #judaísmomessiâniconãoexiste
Deixe um comentário