*Amit Segal:* A lição de Israel a partir de 7 de outubro é que intenções não importam — apenas capacidades. Durante anos, as Forças de Defesa de Israel ignoraram o monstro terrorista que crescia em suas fronteiras e, em vez disso, concentraram-se em saber se o inimigo pretendia atacar ou se isso estava em seu interesse. Da mesma forma, embora seja tentador focar nos sentimentos em Teerã, isso é irrelevante. A única questão é se o Irã atualmente tem capacidade de representar uma ameaça real a Israel. A resposta, após 40 dias de guerra, é: menos do que tinha há quarenta dias.

Na prática, o Irã prometeu que não assinaria um cessar-fogo temporário — e assinou. Disse que o Estreito de Hormuz não seria reaberto — e foi reaberto. Jurou incluir o fim da guerra no Líbano — e o Hezbollah sofreu centenas de baixas ontem. Isso é o que resta do eixo iraniano que antes espalhava medo pelo Oriente Médio.

A “imagem de vitória” iraniana, incentivada por amplos setores da mídia internacional, argumenta que o Irã sobreviveu a dez rounds contra o campeão mundial dos pesos pesados e vive para contar a história.

A questão é quanto vale essa sobrevivência.

O secretário-geral do Hezbollah, Hassan Nasrallah, usou o empate com Israel na Segunda Guerra do Líbano em 2006 para receber um “cheque em branco” de seus patrocinadores iranianos e construir um poderoso eixo de resistência. O que o Irã fará agora com essa sensação — real ou fabricada — de sobrevivência?

Após a Operação “Leão Ascendente”, cada rial iraniano disponível foi investido na reconstrução do arsenal de mísseis balísticos, visto como a única resposta a Israel. O resultado foi uma recuperação relativamente rápida, mas também enorme revolta pública, suprimida apenas ao custo de massacres. Agora há muito a reconstruir e muito menos recursos: o Irã deve comprar uma nova marinha? uma força aérea? investir em mísseis? reconstruir o Hezbollah, que sofre com um grande déficit? ou investir internamente para acalmar uma população cuja situação só piorou? A condição do antigo império iraniano é grave, e não há sinais de melhora no horizonte.

Os países do Golfo que foram atacados pelo Irã não esqueceram a lição. Eles não são Israel, acostumado a rodadas de combate a cada um ou dois anos. Gerações de emiradenses, catarianos e sauditas carregarão o trauma de correr para áreas desprotegidas enquanto turismo, estabilidade e energia eram destruídos. Israel pode se beneficiar muito dessa coalizão anti-Irã, que foi efetivamente forçada a tomar posição e dificilmente voltará atrás tão cedo. Pode-se esperar que Trump e Netanyahu estejam consolidando uma aliança mais estável e pública com os países do Golfo, em benefício das futuras gerações.

O fim (temporário?) da guerra também marca o início da campanha eleitoral do Knesset. Netanyahu, que esperava surfar a queda do regime iraniano até garantir sua permanência no poder em Israel, agora enfrenta uma tarefa mais complexa do que imaginava ao lançar a operação.

Há um sentimento de frustração entre o público devido à diferença entre a expectativa de derrubar o regime e o resultado alcançado até agora. O desafio maior está na fronteira norte, onde o sentimento público é duro — e com razão — após promessas de que o Hezbollah havia sido derrotado. Líderes da oposição perceberam isso bem e competem entre si ao descrever o que chamam de um fracasso histórico vergonhoso, esperando que os eleitores se conectem mais com isso do que com as promessas de vitória total de Netanyahu. Para o primeiro-ministro, derrubar o Irã nos próximos meses é uma tarefa de importância suprema não apenas estratégica, mas também para sua sobrevivência política. Todos esperam que o regime iraniano caia em breve; Netanyahu ficaria satisfeito se isso acontecer, se possível, antes de 27 de outubro.

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