_Daniel Benjamin Barenbein_
*Jornalista | Analista político*
_Hoje, em reverência aos nossos heróis e anjos — aqueles que deram suas vidas pela continuidade eterna do povo judeu_
—
Não é coincidência.
Não é acaso.
O calendário judeu não organiza datas. Ele fala com a alma.
Há poucos dias vivemos o Yom HaShoá.
Agora entramos no Yom Hazikaron.
E entre os dois… existe um abismo.
Mas também existe uma transformação.
—
Na Shoá, o povo judeu foi levado à morte sem escolha.
Sem exército.
Sem Estado.
Sem defesa.
Um povo empurrado para o abismo do Holocausto.
Uma dor que não teve resposta.
Um grito que não teve eco.
E a sirene termina em silêncio.
—
Mas Yom Hazikaron não termina em silêncio.
Ele começa com silêncio — mas ele continua em vida.
Ele fala de um povo que voltou a ter escolha.
E isso muda tudo.
—
Porque existe uma verdade que o judaísmo nunca escondeu:
Todos vão morrer.
Mas nem todos morrem da mesma forma.
E aqui entra o *Kiddush Hashem.*
—
E no centro dessa transformação está ele:
*Ran Gvili.*
Ele não deveria estar lá.
Estava ferido. Ombro quebrado. Licença médica.
Mas quando o 7 de outubro começou, ele não perguntou nada.
Ele foi.
—
E foi até o fim.
—
Lutou.
Salvou vidas.
Resistiu.
E virou símbolo.
O último refém.
O último corpo que voltou de Gaza.
Mas também… o primeiro grito de dignidade devolvida a uma família que não desistiu de esperar.
—
E ele não está sozinho.
No mesmo dia, vimos o que não deveria existir… mas existiu.
Aner Shapira dentro de um abrigo, jogando granadas de volta — até virar escudo humano de dezenas.
Civis entrando no inferno para salvar desconhecidos.
Motoristas resgatando mais de cem pessoas.
Pais atravessando fogo por filhos.
Filhos salvando estranhos.
—
E vimos também o incompreensível.
Pilotos da elite da Força Aérea.
Um deles, antes da missão mais sensível da guerra — a primeira operação de ataque ao Irã — entrou no cockpit sabendo que as chances de sobrevivência eram mínimas.
Mais de 90% de probabilidade de não voltar.
Mesmo assim, escreveu uma carta.
Um testamento.
Não de medo.
Mas de entrega total.
—
E isso não é exceção.
Isso é essência.
—
E talvez por isso a Torá nunca termina em destruição.
Ela sempre termina em continuidade.
—
E aqui está o segredo do nosso calendário:
Yom HaShoá não tem sequência.
Mas Yom Hazikaron tem.
E depois dele vem o Yom HaAtzmaut.
—
Da cinza… ao fogo.
Da perda… à existência.
Da destruição… à soberania.
—
Rav Kook viu isso antes de muitos.
Um processo espiritual em construção — uma redenção viva, ainda incompleta, mas em movimento.
—
E enquanto houver judeus vestindo a farda das Forças de Defesa de Israel…
enquanto houver Ran Gvili…
enquanto houver coragem de escolher defender a vida…
Israel não é apenas memória.
É destino.
—
E ainda assim, a história não está fechada.
Porque há nomes que ainda não voltaram para casa.
Entre eles, *Eli Cohen,* o lendário espião de Israel na Síria, executado em Damasco e ainda enterrado em solo inimigo.
E também *Ron Arad,* o navegador da Força Aérea Israelense desaparecido no Líbano, cujo destino permanece desconhecido até hoje.
Feridas abertas.
Histórias que ainda aguardam fechamento.
Famílias que ainda vivem entre memória e esperança.
—
E entre a sirene da Shoá e a sirene de hoje…
há uma resposta simples.
*Nós ainda estamos aqui.*
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never again
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