8 de Iyar de 5786 – 25 de abril de 2026
Parashat Emor 5786
Rabino Shmuel Rabinowitz, Rabino do Muro das Lamentações e Lugares Sagrados
A Parashá Emor trata do status único dos kohanim que serviram no Templo. A Torá estabelece um padrão de conduta particularmente rigoroso para eles: devem manter um nível especial de pureza e evitar contato com os mortos, exceto com seus sete parentes mais próximos.
À primeira vista, essas leis parecem se aplicar apenas aos kohanim. Mas, ao analisarmos mais a fundo, emerge uma mensagem humana profunda e extremamente relevante – uma mensagem que fala a cada um de nós.
Esta porção é lida durante os dias da Contagem do Ômer, quando o judaísmo enfatiza o respeito mútuo e o amor entre as pessoas como preparação para receber a Torá na festa de Shavuot. A Torá foi entregue no Monte Sinai, quando o povo se reuniu “como um só povo, com um só coração”, sem divisão.
Durante esse mesmo período, 24.000 alunos do Rabino Akiva morreram por não se tratarem com respeito. Seu mestre foi quem cunhou o famoso ensinamento: “Ame o seu próximo como a si mesmo – este é um grande princípio da Torá”. Precisamente por isso, a expectativa em relação aos seus alunos era especialmente alta, e a falha deles era considerada particularmente grave. Todos os anos, durante o Ômer, buscamos reparar essa falha.
Nesse contexto, é interessante considerar a redação do versículo inicial da parashá:
“Diga aos sacerdotes, filhos de Aharon, e diga-lhes: Ninguém se contaminará pelos mortos do seu povo, exceto seus parentes próximos…”
(Levítico 21:1-2)
Ao que parece, a lei poderia ter sido formulada de forma mais direta e simples, especificando para quem um sacerdote pode se tornar impuro. Por que a Torá escolhe uma formulação mais geral e um tanto ambígua: “ele não se contaminará no meio do seu povo”?
O rabino Yaakov Yosef de Polnoye, um dos principais discípulos do Baal Shem Tov, ofereceu uma interpretação hassídica que enxerga uma alusão moral: a proibição não se refere apenas à impureza física, mas também a uma “contaminação” de atitude. Uma pessoa considerada figura pública ou alguém de status deve ter especial cuidado para não olhar para os outros com arrogância ou desdém. Isso também é uma forma de impureza. Portanto, o sacerdote é ordenado: “ele não deve se contaminar entre o seu povo”.
Essa ideia é reforçada na famosa história talmúdica (Shabbat 33b) sobre Rabi Shimon bar Yochai e seu filho, Rabi Elazar. Após 12 anos escondidos em uma caverna, eles emergiram e viram pessoas envolvidas em atividades mundanas comuns. Sua reação inicial foi severa: como podiam abandonar a vida espiritual por assuntos passageiros? Segundo a descrição, seus olhares queimavam tudo o que viam. Imediatamente, uma voz celestial declarou: “Vocês vieram para destruir o Meu mundo? Retornem à sua caverna!” E assim eles retornaram para mais 12 meses de reflexão.
Quando reapareceram, o Rabino Shimon bar Yochai havia passado por uma profunda transformação. Ele aprendeu a ver o mundo com maior aceitação. Em contraste, o Rabino Elazar ainda encarava a realidade com uma crítica mordaz. A diferença entre eles tornou-se clara: sempre que o Rabino Elazar via uma falha e reagia negativamente, o Rabino Shimon intervinha, corrigia e curava. Ele havia internalizado que a vida cotidiana também faz parte de um quadro completo, repleto de valor e significado, e que cada pessoa tem um papel único no mundo.
Muitos anos mais tarde, o Talmud relata outro incidente envolvendo o Rabino Elazar:
Certa vez, o Rabino Elazar, filho do Rabino Shimon, voltava da aula de seu mestre, orgulhoso do conhecimento da Torá que havia adquirido. Ele encontrou um homem extremamente feio. O homem o cumprimentou: “A paz esteja convosco, meu rabino!”, mas o Rabino Elazar não respondeu. Em vez disso, disse: “Como este homem é feio! Será que todas as pessoas da sua cidade são tão feias quanto você?”
O homem respondeu: “Não sei, mas vá e diga ao Artesão que me fez quão feio é o vaso que Ele criou.”
Quando o Rabino Elazar percebeu que havia pecado, desmontou de seu burro, prostrou-se diante do homem e disse: “Perdoe-me!” O homem respondeu: “Não o perdoarei até que você vá até o Artesão que me fez e lhe diga quão feio é o vaso que Ele criou.”
(Talmud, Ta’anit 20a)
O Talmud continua: eles chegaram à cidade, e os habitantes, que conheciam a grandeza de Rabi Elazar, imploraram ao homem que o perdoasse, explicando que ele era uma pessoa justa que havia falhado momentaneamente. Somente após a insistência deles, o homem o perdoou.
Em seguida, o Rabino Elazar entrou na sala de estudos e, ao reconhecer seu erro, formulou um princípio orientador para a vida:
“Uma pessoa deve sempre ser suave como um junco e não dura como um cedro.”
Aqui temos uma situação humana comum: uma pessoa bem-sucedida encontra alguém que considera inferior e não o trata com o devido respeito. E é essa pessoa “simples” que responde com uma afirmação que abala sua perspectiva: “Vá até o Artesão que me fez” – querendo dizer que todos fomos criados por um único Criador, todos possuímos valor e ninguém tem o direito de menosprezar o outro. O Rabino Elazar compreende imediatamente seu erro e, a partir desse despertar, ensina um princípio fundamental: uma pessoa deve cultivar a humildade e a aceitação do outro – ser flexível como um junco que se curva ao vento, em vez de rígido como um cedro.
Essa ideia foi expressa com muita força pelo Rabino Akiva. Antes de se tornar um dos maiores sábios, ele próprio, apesar de ser modesto e de bom caráter, sentia-se distante dos estudiosos da Torá, percebendo que eles menosprezavam as pessoas comuns. A partir dessa perspectiva, ele chegou à grande declaração de amar o próximo como um princípio central da Torá.
A mensagem que emerge de tudo isso é clara: a verdadeira grandeza não se mede apenas pelo conhecimento ou status, mas pela capacidade de enxergar todas as pessoas como iguais em valor. Uma sociedade saudável não se constrói sobre hierarquias rígidas, mas sim sobre reconhecimento mútuo, respeito e responsabilidade compartilhada.
Em nosso mundo, onde as diferenças sociais, culturais e econômicas muitas vezes criam divisões profundas, esse apelo é mais relevante do que nunca. Se conseguirmos eliminar ao menos alguns dos rótulos, estereótipos e a necessidade de nos compararmos e nos colocarmos acima dos outros, descobriremos uma sociedade diferente, baseada no respeito, na boa vontade e na parceria.
Talvez essa seja a lição mais profunda da Parashá Emor: a verdadeira pureza não está apenas nas ações externas, mas, antes de tudo, na maneira como olhamos para os outros.
never again
Shabat shalom/Chaverim, é da maior importância que leiamos e assinemos a proposta legislativa acima, que ainda conta com apoio restrito, mas que facilitará enormemente a vida dos Judeus no Brasil! ASSINEM! APÓIEM!!!! DIVULGUEM!!!!
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