BOM DIA! Entre Pessach e a festividade de Shavuot, a Torá determina que contemos cada um dos 49 dias intermediários (Levítico 23:15). Essa contagem é conhecida como a contagem do Omer. (O Omer era uma oferenda de cevada da primeira colheita trazida ao Templo de Jerusalém. Um Omer também é uma medida de volume, equivalente a aproximadamente 24 litros).Ela se inicia no 2º dia de Pessach e o 50º dia é Shavuot, a festividade que celebra o recebimento da Torá no Monte Sinai. Existe, de fato, uma mitsvá (mandamento) de contar cada dia específico, o que se faz ao término de Arvit, as preces da noite. Mas por que estamos contando esses dias?Nachmanides, o grande Sábio espanhol (1190-1270) escreveu (Levítico 23:26) que os dias entre Pessach e Shavuot são contados para conectar as 2 festividades em uma única festividade prolongada (comparável a HolHamoed – os dias intermediários entre o 1º e o último dia de Sucot).Uma contagem sempre reflete valor. As pessoas contam os dias para coisas que aguardam ansiosamente: um casamento, o nascimento de um filho ou uma viagem importante. Contamos os dias de Pessach até Shavuot porque não são 2 festividades separadas – mas um processo contínuo.Pessach representa a liberdade física, a redenção da escravidão egípcia. Contudo, a liberdade, por si só, não é o objetivo final. Liberdade sem propósito, sem a Torá, é vazia. A expressão máxima da liberdade e da verdadeira redenção só foi alcançada quando o povo judeu recebeu a Torá no Monte Sinai, em Shavuot. Sem a Torá, a liberdade tem pouco valor. A libertação da escravidão só tem significado quando leva ao serviço doTodo-Poderoso.É por isso que os Sábios do Talmud chamam Shavuot de “Atzeret”, a conclusão de Pessach.Assim, contar o Omer não é apenas marcar o tempo; é expressar anseio e preparação. Cada dia importa porque cada dia nos aproxima do nosso propósito. Contamos porque a Torá é preciosa e porque a redenção sem a Torá é incompleta. Passamos esses 49 dias nos preparando para sermos dignos de receber a Torá em Shavuot.Na próxima semana, na 2ª feira ao anoitecer, dia 4 de maio, celebraremos Lag Ba’Omer, ou o 33º dia do Omer (em hebraico, a palavra “lag” tem o valor numérico de 33). Do que se trata essa festividade?Os dias entre Pessach e Shavuot são, na verdade, um período de luto nacional. Não se realizamcasamentos e muitas pessoas não cortam o cabelo nem fazem a barba durante esse período. Por quê? Porque foi nessa época, há cerca de 2000 anos, que os 24.000 alunos do Rabino Akiva morreram por não demonstrarem respeito suficiente uns pelos outros.Em Lag Ba’Omer, o 33º dia do ciclo do Omer , a praga que dizimava os discípulos de Rabi Akiva chegou ao fim. Além disso, é o yortsait (aniversário anual do falecimento) do Rabino Shimon Bar Yohai, renomado autor do Zohar, o famoso livro-base da Cabalá. A tradição conta que o dia de seu falecimento foi repleto de uma grande luz de alegria infinita, graças à sabedoria secreta que ele revelou ao mundo por meio do Zohar.Em Israel, Lag Ba’Omer é celebrado com enormes fogueiras em todo o país. A partir de Pessach, ascrianças recolhem galhos caídos e constroem piras – algumas com 6 a 9 metros de altura! Então, quando o céu escurece em Lag Ba’Omer, elas são acesas e o céu se enche de luzes. As fogueiras simbolizam tanto a luz da sabedoria que Rabi Shimon Bar Yohai trouxe ao mundo quanto uma vela de yortsait em memória de seu falecimento e para os alunos de Rabi Akiva. Cortes de cabelo e casamentos acontecem nesta data e há muita festividade, incluindo dança, canto e música.Este período de luto nacional pelos alunos de Rabi Akiva é observado há quase 2 mil anos. Mas estetrágico episódio da história judaica também nos força a confrontar uma questão muito difícil: como é possível que os alunos de Rabi Akiva, o mestre que disse a famosa frase: “Ame o seu próximo como a si mesmo; é um princípio fundamental da Torá”, não tenham demonstrado o devido respeito aos seus colegas? Como é possível que o princípio orientador de Rabi Akiva tenha sido ignorado pelos seus próprios alunos?Uma possível resposta é a seguinte. Existem 2 ensinamentos aparentemente contraditórios em Pirkei Avot (o livro Ética de Nossos Antepassados). No 2º capítulo (2:15) encontramos: “Rabi Eliezer disse: ‘Que a honra deseu amigo lhe seja tão preciosa quanto a sua’.” No entanto, no 4º capítulo (4:15), temos uma citação de Rabi Elazar ben Shamua: “A honra do seu amigo deve ser como a reverência por seu mestre”. Qual deles é o correto? A honra do seu amigo deve ser tão preciosa quanto a sua própria ou quanto à do seu mestre?Não há contradição. Existem diferentes tipos de amizade e cada uma requer um nível distinto de devoção.Maimônides, em seu comentário sobre o 1º capítulo de Pirkei Avot que trata do ensinamento “adquira para si um amigo”, cita Aristóteles ao explicar que existem 3 categorias de amizade: 1) aquelas baseadas na ‘utilidade’; 2) as baseadas no prazer ou deleite; 3) aquelas fundamentadas na virtude.A 1ª categoria (amizade baseada na ‘utilidade’) é o tipo mais comum de amizade. Ocorre quando aspessoas se associam em busca de um benefício mútuo. Um exemplo são as parcerias comerciais: cada parceiro precisa do outro e ambos compartilham interesses em comum. Da mesma forma, um colega de trabalho é um amigo porque ambos têm interesses em comum e frequentemente fazem coisas um para o outro.Assim, um vínculo se desenvolve.A 2ª categoria (amizade baseada no prazer) inclui associações baseadas em como a outra pessoa faz você se sentir; um relacionamento romântico fará você se sentir amado, e um amigo engraçado é uma fonte constante de entretenimento. Ambas as categorias de relacionamento são voltadas ao egoísmo, tendo como base do vínculo o que cada indivíduo obtém a partir do relacionamento. São esses os tipos de amizade para os quais Rabi Eliezer nos aconselha a tratar nossos amigos com o mesmo respeito com que gostaríamos dereceber. Ou seja: mesmo que o relacionamento seja baseado no egoísmo, ainda devemos nos concentrar no que é bom para a outra pessoa.O 3º e mais elevado nível de amizade ocorre quando o foco do vínculo se baseia em uma atitude de ajuda mútua. O propósito e a base dessa conexão é que cada amigo ajude o outro a crescer e a alcançar seu potencial, aprendendo um com o outro. Maimônides continua: “E isso é semelhante ao amor de um professor por seu aluno”. Em outras palavras: há um tipo de amizade em que a relação exige que cada pessoa trate aoutra como se fosse um professor buscando beneficiar seu aluno.É claro que amizades egoístas têm um perigo inerente: às vezes, são mutuamente autodestrutivas. Isso acontece quando nenhuma das partes se respeita adequadamente e acabam ‘proporcionando’ uma espiral descendente para a outra. Seja ao participar de comportamentos autodestrutivos, seja ao tolerar atos moralmente questionáveis, isso representa uma falha absoluta nas responsabilidades de um amigo. A únicamaneira de evitar essa armadilha é esperar mais das pessoas em nossas vidas.Foi isso o que Rabi Elazar ben Shamua quis dizer com “a honra de seu amigo deve ser tão preciosa quanto a reverência por seu mestre”. Devemos colocar nossos amigos em um pedestal e não aceitar seu comportamento autodestrutivo. Foi isso que os alunos de Rabi Akiva deixaram de fazer. Eles trataram seus amigos apenas com o respeito exigido pelo preceito de Rabi Akiva de amar o próximo como a si mesmo – masnão tiveram sucesso em tratar uns aos outros com o respeito de um mestre para seu aluno.Sem dúvida, é por isso que aprendemos a lição com Rabi Elazar ben Shamua. Como relata o Talmud, ele foi um dos últimos alunos de Rabi Akiva, um dos 5 últimos a serem ordenados por ele.Rabi Elazar ben Shamua assimilou a amarga lição que recaiu sobre os primeiros alunos de Rabi Akiva. É por isso que ele ensinava que não basta tratar os amigos com o mesmo respeito que se exige de si mesmo. É obrigação tratá-los com o mesmo respeito devido a um mestre.Por fim, se temos a obrigação de escolher nossos amigos com sabedoria e tratá-los com reverência e o máximo respeito, quanto mais devemos fazê-lo com nossas famílias: nossos pais, cônjuges e filhos. Portanto, esta também é a época perfeita do ano para fazermos uma autoavaliação sobre como estão nossosrelacionamentos familiares. Uma vez que tivermos restaurado todos esses relacionamentos, começaremos a nos preparar adequadamente para receber a Torá em Shavuot!
Shabat shalom/Chaverim, é da maior importância que leiamos e assinemos a proposta legislativa acima, que ainda conta com apoio restrito, mas que facilitará enormemente a vida dos Judeus no Brasil! ASSINEM! APÓIEM!!!! DIVULGUEM!!!!
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