BS”DVIVENDO PELA TORÁ – PARASHAT BAMIDBAR 5786 (15/mai/26)#judaísmomessiâniconãoexiste

Uma das mais fortes e documentadas histórias sobre Messirut Nefesh no estudo da Torá, isto é, um grau de dedicação plena, aconteceu com os alunos do Rav Meir Shapira zt”l (Império Austro-húngaro,1887 – Polônia, 1933), estudantes da Yeshivat Chachmei Lublin, durante os anos terríveis do Holocausto.

Quando os nazistas começaram a destruir o mundo judaico da Polônia, muitos jovens ficaram sem comida, sem família e sem qualquer estabilidade emocional. Em várias cidades, as Yeshivót foram fechadas à força. Havia uma fome devastadora. Pessoas vendiam os últimos objetos de casa por um pedaço de pão.

Entre os sobreviventes, há relatos impressionantes de rapazes que continuavam a estudar Guemará escondidos em porões, sótãos e campos de trabalho. Um deles contou que certa vez conseguiu um pedaço pequeno de pão depois de dias praticamente sem comer nada. Enquanto se preparava para comer, percebeu outro rapaz sentado em um canto, repetindo baixinho um Tossafot de memória. Ele não conseguiu se conter e perguntou:

– Você não come há dias. Como consegue estudar agora?

– Se o corpo está faminto – o outro rapaz respondeu, com palavras que mais tarde se tornariam famosas entre os sobreviventes – então é justamente a alma que precisa comer.

Em outra ocasião, alguns alunos da Yeshivá conseguiram esconder um volume de Guemará rasgado e sem capa. Cada grupo ficava com o livro por algumas horas e depois o passava secretamente para outro grupo. As páginas estavam tão gastas de tanto serem manuseadas que começaram literalmente a se desfazer nas mãos dos rapazes. Anos depois, um dos sobreviventes disse:

– As pessoas pensavam que nós estudávamos Torá porque éramos fortes. A verdade era o contrário: sobrevivíamos porque estudávamos Torá.”

Essa talvez seja uma das definições mais profundas de “Messirut Nefesh pela Torá”: não apenas estar disposto a morrer pela Torá, mas viver por ela, mesmo quando tudo ao redor conspira para arrancá-la de nós. Mesmo quando o mundo inteiro afundava, o vínculo com a Torá permaneceu mais forte que o caos ao redor.

Nesta semana começamos o quarto livro da Torá, Bamidbar, que descreve os principais acontecimentos do povo judeu a partir do segundo ano no deserto. O Sefer Bamidbar traz muitos acontecimentos importantes, como a transgressão dos espiões, que causou o decreto de permanência por 40 anos no deserto.

A Parashat Bamidbar (literalmente “No deserto”) traz a contagem do povo judeu e a ordem das Tribos durante as viagens. A Parashá começa com as seguintes palavras: “E disse D’us a Moshé no deserto do Sinai” (Bamidbar 1:1). Baseado neste versículo, nossos sábios fazem uma pergunta interessante: por que D’us escolheu justamente o deserto, um lugar inóspito, distante da civilização, completamente vazio, como local para nos entregar a Torá? Por que Ele não nos entregou a Torá na Terra de Israel, onde está o principal cumprimento das Mitsvót?

O Rav Yehuda Assad zt”l (Império Austro-húngaro, 1794 – 1866) explica que com três coisas a Torá foi adquirida: com fogo, com água e com deserto. Nestas três coisas há uma alusão de como deve ser o Serviço espiritual do ser humano. O fogo simboliza o calor, e nos ensina que o ser humano deve cumprir as Mitsvót com fervor e entusiasmo. Já a água alude à frieza, e nos ensina que quando desperta no homem o fogo dos desejos, ele deve ser frio para manter o autocontrole. E o deserto vem nos ensinar que, quando nos encontramos em companhia de pessoas que falam coisas fúteis e vazias, mesmo que não sejam coisas proibidas, devemos permanecer silenciosos, como um deserto, e não participar destes tipos de conversas.

Porém, saber utilizar estes traços de caráter não é algo fácil. A palavra em hebraico para “traços de caráter” é “Midót”, que também significa “medidas”. Para um traço de caráter estar de acordo com a vontade de D’us, ele deve estar na medida certa. Mesmo bons traços de caráter podem afastar a pessoa dos caminhos corretos quando utilizados da forma ou em momentos incorretos, e mesmo traços de caráter ruins podem nos aproximar de D’us se forem utilizados da maneira e nos momentos corretos.

O mesmo se aplica em relação ao “calor” e ao “frio”. Muitas vezes o Yetser Hará nos engana e nos faz errar na dose. Em vez de usar a frieza em relação às transgressões e desejos, acabamos utilizando-a no cumprimento das Mitsvót. É o que ocorre, por exemplo, quando deixamos a nossa Tefilá em “piloto automático” e rezamos com frieza, sem nenhuma empolgação, esquecendo que estamos diante do Criador do universo. Também acontece quando cumprimos as Mitsvót sem vontade, apenas para “sair da obrigação”. Outras vezes, ao invés de usar o calor para cumprir as Mitsvót com mais fervor, acabamos utilizando-o para fazer transgressões com grande entusiasmo e para nos entregar aos nossos desejos. Isso ocorre, por exemplo, quando comemos de forma exagerada, mesmo quando a comida é Kasher, apenas pela falta de controle.

Desta maneira podemos explicar as palavras do mais sábio de todos os homens, Shlomo Hamelech: “Espinhos e armadilhas estão no caminho tortuoso; quem guarda sua alma se afasta deles” (Mishlei 22:5). “Espinhos” (Tsinim) se refere ao frio. “Armadilhas” (Pachim) se refere ao calor. “No caminho tortuoso” se refere àquele que não sabe quando e qual medida usar. “Quem guarda sua alma se afasta deles”, pois a pessoa que não utiliza seus traços de caráter da maneira correta pode acabar comprometendo sua alma e seu Mundo Vindouro.

Assim também podemos explicar as palavras do profeta: “A justiça nela repousava, e agora há assassinos” (Yeshayahu 1:21). “A justiça nela repousava” significa que, em relação aos atos de bondade e justiça, a pessoa segue o caminho do “repouso”; isto é, adia a realização das suas boas ações, empurrando-as com desculpas diversas, como “vamos ver” e “quem sabe”. Porém, quando se trata de atos negativos, como por exemplo o assassinato, ela corre imediatamente para praticá-los, como está escrito “e agora há assassinos”, isto é, agora, imediatamente, não depois. Exatamente o contrário do que deveríamos fazer. Embora a maioria das pessoas não comete assassinatos, sentimos esta “empolgação”, por exemplo, quando queremos falar Lashon Hará.

Assim também ocorre na questão da humildade e do orgulho. Em todos os assuntos na vida o homem deve conduzir-se com humildade, exceto no Serviço a D’us, onde ele deve ser forte e seguro de si. Entretanto, as pessoas agem exatamente ao contrário: quando se trata do Serviço Divino, de repente as pessoas se tornam humildes e submissas. Quando a pessoa não quer estudar Torá ou cumprir Mitsvót, ela diz “com humildade”: “Eu não estou no nível necessário para estudar e conhecer todos os Tratados do Talmud, então talvez seja melhor nem começar”, ou “não sou digno de ser um grande estudante, então por que me esforçar?”. Na verdade, a pessoa se transforma em “humilde” por causa dos seus desejos. Foi isso, portanto, que disseram nossos Sábios: “Através de três coisas a Torá é adquirida: fogo, água e deserto”. O homem precisa saber quando e onde usar o fogo e a água. Do mesmo modo, deve saber como e quando usar o “deserto”, que simboliza o temor aos Céus. A falsa humildade, fantasiada de “temor aos Céus”, pode nos afastar de D’us.

Há outro aspecto interessante relacionado ao fato de a Torá ter sido entregue no deserto e não na Terra de Israel. Ensina o Rav Yossef Shalom Elyashiv zt”l (Lituânia, 1910 – Israel, 2012) que no deserto não há presença humana e, sem os milagres que D’us realizou para o povo judeu, eles não teriam conseguido sobreviver, como está escrito: “Aquele que te conduziu pelo grande e temível deserto, de serpente venenosa e escorpião, e sede onde não havia água” (Devarim 8:15).

Além disso, no próprio momento da entrega da Torá, todas as forças da criação se uniram diante do povo judeu, por meio da água e do fogo, dos trovões, relâmpagos e da fumaça que havia sobre o Monte Sinai. E isso vem nos ensinar que, assim como a Torá foi dada em um lugar de perigo e em condições extremamente difíceis para a sobrevivência humana, assim também o povo judeu está obrigado a cumprir a Torá e guardar suas Mitsvót em qualquer situação, e nenhuma dificuldade do mundo pode servir como desculpa para isentar a pessoa da Torá.

Nossos sábios explicam que o contrário também é verdade. Se apesar de todas as dificuldades a pessoa não se enfraquecer no estudo da Torá e no cumprimento das Mitsvót, está garantido que D’us a ajudará e a salvará de toda aflição e angústia, sustentando-a em todas as dificuldades e provações que surgirem em seu caminho, assim como o povo judeu pôde viver no deserto inóspito através de milagres. Mesmo nas piores épocas da nossa história, sempre houve aqueles que continuaram a se dedicar ao estudo da Torá dia e noite. E a Torá trouxe vida para elas.

Assim ensina o Rambam (Espanha, 1135 – Egito, 1204): “Todo homem do povo judeu está obrigado ao estudo da Torá, seja pobre ou rico, seja saudável ou sofredor, seja jovem ou muito idoso. Mesmo um pobre que vive de esmolas, mesmo alguém casado e com filhos, é obrigado a estabelecer tempos fixos para o estudo da Torá de dia e de noite”. Se isso vale nas dificuldades, muito mais em nossa geração, na qual temos total liberdade de cumprir as Mitsvót e de nos dedicar ao estudo da Torá. As gerações passadas estudavam Torá mesmo em condições de Messirut Nefesh, estavam dispostos a morrer pela Torá. Que possamos, ao menos, estar dispostos a viver por ela.

SHABAT SHALOM

R’ Efraim Birbojm

never again

Shabat shalom/Chaverim, é da maior importância que leiamos e assinemos a proposta legislativa acima, que ainda conta com apoio restrito, mas que facilitará enormemente a vida dos Judeus no Brasil!  ASSINEM! APÓIEM!!!! DIVULGUEM!!!!
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