BOM DIA! Há algum tempo venho refletindo sobre o conceito de “bênçãos mistas” – ou seja: todasas coisas possuem um potencial inato tanto para grandes conquistas como para consequências desastrosas.Desde o simples exemplo de uma faca com poder de criar e destruir, até aos domínios da tecnologia e da comunicação, que nos dão acesso a todo o tipo de informação, mas também abrem a porta à desinformação.Dizem que a Inteligência Artificial tem potencial para alguns dos maiores avanços que o mundo jamais viu, mas alguns temem que também possa levar ao fim da humanidade tal como a conhecemos.Encontramos exemplos desse equilíbrio universal também em nossas vidas pessoais. Os filhos podem ser a fonte do prazer mais sublime, mas também podem ser uma fonte de ansiedade e dor de cabeça – e muitas vezes são uma dose maciça de ambos. Se olharmos as coisas objetivamente, descobriremos que isso também se aplica a quase tudo em nossas vidas – e todos tendemos a viver em um universo de “bênçãos mistas”.Infelizmente, muitas pessoas consideram as bênçãos como algo “garantido” e tendem a se concentrar apenas em tudo que está “errado”.Parece que parte da condição humana é acreditar que se as nossas vidas “melhorassem”, encontraríamos um estado duradouro de felicidade. O ator canadense Jim Carrey certa vez disse: “Acho que todos deveriam ficar ricos e famosos e fazer tudo o que sempre sonharam para ver que essa não é a resposta”.Lembro-me de uma piada sobre um grupo de idosos que estava sentado tomando café e discutindo suas diversas doenças. “Meus braços ficaram tão fracos que mal consigo levantar esta xícara de café”, disse o primeiro. “Sim, eu entendo”, disse outro, “minha catarata está tão ruim que nem consigo ver o meu café”.“Muitas vezes esqueço onde estou e para onde vou”, disse o terceiro. “O que? Fala! Não consigo ouvir você!”, gritou o quarto. “Acho que esse é o preço que pagamos por envelhecer”, falou o quinto enquanto balançava a cabeça lentamente. Os outros concordaram com a cabeça. “Bem, contemos as nossas bênçãos”, disse o últimomembro do grupo, “Graças a D’us ainda podemos dirigir!”A maioria das pessoas se esforça para tornar suas vidas melhores na esperança de encontrar alegria. Mas, na realidade, é exatamente o oposto: quando a pessoa tem mais alegria, ela tem uma vida melhor! A grande questão é: como adquirir alegria?Encontramos um versículo esclarecedor (Jó 5:7) que descreve a própria essência do ser humano: “O homem nasceu para trabalhar”. De acordo com o grande comentarista bíblico Rashi, o contexto deste versículo é o desafio que a humanidade enfrenta em contraste com os anjos que não pecam. Em outras palavras: os anjos habitam o reino celestial enquanto a humanidade vive num universo equilibrado pelas forças polares do ‘beme do mal’.Portanto, embora os anjos não pequem, eles também não têm potencial para o crescimento pessoal. Eles simplesmente existem no status em que foram criados. O ser humano, por outro lado, é dinâmico; ao homem é dado o potencial para crescer e se tornar muito mais do que o estado em que foi criado. No entanto, este potencial de crescimento também lhe permite escorregar e errar – o desafio de viver num universo comextremos polares.A própria essência humana é movida pelo desejo de realização. Esta é a razão pela qual as pessoas se definem pelo que fazem; o crescimento pessoal está no âmago do nosso ser. É também por isso que muitosque se aposentam e optam por levar uma vida sem propósito (além de enlouquecerem suas esposas) começam a deteriorar-se emocional e fisicamente muito rapidamente – muitas vezes levando a uma morte precoce.Encontramos este conceito também na leitura da Torá desta semana, que inclui talvez a bênção mais conhecida no judaísmo: Birkat Hacohanim, a “Bênção Sacerdotal”. D’us instruiu Moisés a encarregar seu irmão Aharon e seus filhos – os Cohanim (sacerdotes do povo judeu) – com a responsabilidade de abençoar o povo. Eis abênção:“QUE D’US OS ABENÇOE E CUIDE DE VOCÊS.QUE O SEMBLANTE DE D’US SE ILUMINE EM SUA DIREÇÃO E LHES DÊ GRAÇA.QUE D’US DIRECIONE A SUA PROVIDÊNCIA PARA VOCÊS E LHES CONCEDA A PAZ”.

A Torá continua: “Assim, eles conectarão o Meu nome ao dos israelitas e Eu os abençoarei” (Números 6:24-27).

Em hebraico, a palavra ‘abençoado’ é ‘baruch’ e uma ‘bênção’ é chamada ‘beracha’. O idioma hebraico é sagrado e as palavras não são meramente coincidência. Segundo a tradição judaica, há um significado mais profundo e místico para a raiz da palavra ‘bênção’.
Cada letra hebraica tem um valor numérico atribuído a ela. Quase todo mundo conhece a importância do número 18 no judaísmo; este é o valor numérico da palavra hebraica para “vida” – חי .A palavra hebraica para bênção é composta pelas três letras ב-ר-ך) bet – reish – haf).
Essas três letras são únicas, pois são as únicas letras do alfabeto hebraico que duplicam com precisão o valor numérico da letra anterior (bet é 2 enquanto o alef é 1; o haf é 20 e a letra anterior, yud, é 10; reish é 200 e antes dela, kuf é 100). Assim, quando damos uma bênção (beracha) a alguém, estamos essencialmente dando uma
bênção para que recebam um múltiplo do que têm. Mas um múltiplo de quê?
É interessante notar que, embora existam muitas explicações midrashicas sobre o que exatamente essa bênção se refere, Rashi entende que a primeira linha do Birkat Hacohanim se refere a uma bênção de riqueza e uma proteção especial do Todo-Poderoso para a pessoa não perdê-la (veja o comentário de Rashi, Números 6:24).
Mas por que riqueza? Que tal uma bênção para a família ou para ter boa saúde? Parece haver muitas coisas que deveriam preceder uma ênfase no dinheiro ou na riqueza. Além disso, encontramos alguns ensinamentos relacionados à riqueza que são absolutamente negativos: no segundo capítulo do livro Pirkei Avot (Ética dos Pais), encontramos o ensinamento: “Quem aumenta suas posses, aumenta sua preocupação” (2: 8).
A resposta à pergunta acima está no conceito do verdadeiro poder do dinheiro. Ele não é um elixir mágico.
Não pode reverter a idade, curar a paralisia, reverter o declínio mental ou criar felicidade magicamente. Da mesma forma, não se pode comprar pais, irmãos ou filhos “melhores”. Infelizmente, a grande maioria das pessoas vê o valor da riqueza de uma forma superficial, vazia e egocêntrica. Embora seja verdade que o dinheiro
geralmente é visto como um veículo para a compra do que se deseja, seu real valor é o potencial que se pode obter usando-o adequadamente. Em outras palavras: o ponto real do dinheiro não está em seu acúmulo ou mesmo no acúmulo de objetos materiais. O ensinamento de nossos Sábios de que um acúmulo de posses também traz um acúmulo de preocupações se aplica a uma pessoa que descuidadamente se concentra em adquirir muitas casas, carros e outras expressões de riqueza para impressionar os demais.
O verdadeiro poder do dinheiro reside no seu extraordinário potencial para agir como um ‘multiplicador’.
Uma pessoa cujo foco e desejo principal é ajudar a melhorar a vida dos outros pode utilizar sua riqueza de uma maneira que pode se ‘multiplicar’ para fazer muito mais bem.
Por exemplo: se a pessoa tem o desejo de alimentar aqueles que não têm acesso a alimentos saudáveis e nutritivos, há apenas um número limitado de beneficiados para as quais ela pode preparar e distribuir alimentos. Se é médica e quer ajudar os demais a ficarem saudáveis, há um número limitado de pacientes que ele ou ela pode atender em um dia. Se o objetivo é educar, há um número limitado de horas por dia que pode passar ensinando.
Isso é verdade, não importando que boas coisas a pessoa queira fazer, porque seu tempo e recursos individuais são finitos. No entanto, com os recursos adequados (isto é, riqueza), a pessoa pode ‘multiplicar-se’ e alcançar objetivos muito mais elevados que não seria capaz de alcançar sozinha. Ela pode financiar um banco de alimentos que alimentará centenas de pessoas semanalmente, pode construir hospitais que cuidam de milhares de pessoas mensalmente e criar escolas que educarão as gerações futuras. É por isso que a raiz da palavra bênção (beracha)
sugere seu verdadeiro poder – o de ser um múltiplo ou multiplicador.
Se a pessoa gasta seu dinheiro e energia focando no que pode comprar, isto apenas aumenta a sua ansiedade a longo prazo. Nesse caso, o dinheiro é uma bênção? Dificilmente.
Porém, com o foco e as metas corretas, o dinheiro é uma bênção única para o indivíduo. É um ‘multiplicador’ de si mesmo que não poderia ser realizado mesmo tendo uma família numerosa. Na verdade, mostre-me uma pessoa que olha para os filhos como uma extensão de si mesmo e eu lhe mostrarei uma pessoa com um relacionamento péssimo com os filhos.
A bênção máxima que a pessoa pode obter, em termos de ter uma vida produtiva, com significado e satisfação, é a benção de ter recursos para realizar obras e benefícios para os demais. Este é o foco das posses materiais no Birkat Hacohanim e a bênção que os pais judeus dão aos seus filhos todas as noites de Shabat!

Rav Ytzchak Zweig
Fonte: Meir HaShabat

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Shabat shalom/Chaverim, é da maior importância que leiamos e assinemos a proposta legislativa acima, que ainda conta com apoio restrito, mas que facilitará enormemente a vida dos Judeus no Brasil! ASSINEM! APÓIEM!!!! DIVULGUEM!!!!
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