A Verdade Absoluta – Parashá Shelach#judaísmomessiâniconãoexiste

16 de Sivan de 5786 – 1 de junho de 2026
Parashá Shelach 5786

Por Rabino Shmuel Rabinowitz, Rabino do Muro das Lamentações e Lugares Sagrados

A história do povo de Israel vagando pelo deserto durante quarenta anos em sua jornada rumo à Terra Prometida tornou-se um símbolo e uma inspiração para muitas nações que aspiravam à independência. Elas encontraram força nessa história e aprenderam a jamais abandonar o sonho. Contudo, a verdade é que essa longa jornada nasceu de uma das maiores tragédias humanas da Torá: o pecado dos espiões.

Um ano após o Êxodo do Egito e a entrega da Torá no Monte Sinai, a nação começou a se deslocar em direção à Terra de Israel. A jornada deveria ser relativamente curta. Mas então o medo começou a se infiltrar nos corações do povo. Os relatos sobre as poderosas nações que habitavam Canaã despertaram profunda ansiedade. Como resultado, surgiu o pedido para enviar espiões que entrariam secretamente na terra, examinariam a situação no terreno e retornariam com uma avaliação precisa.

Durante quarenta dias, os espiões percorreram a Terra de Israel. Dez deles retornaram com um espírito de desespero e medo. Descreveram uma terra impossível de conquistar: cidades enormes, um povo gigantesco, uma guerra fadada ao fracasso desde o início. Toda a nação desabou em prantos.

Apenas dois homens tinham uma perspectiva diferente: Yehoshua, filho de Num, e Calebe, filho de Jefoné. Eles viram exatamente as mesmas coisas, mas chegaram a conclusões totalmente opostas. Lembraram ao povo o Êxodo do Egito, a abertura do Mar Vermelho e todos os milagres que haviam testemunhado com seus próprios olhos, e argumentaram simplesmente: se D’us prometeu que entraríamos na terra prometida, então entraremos.

Mas o povo escolheu dar ouvidos às vozes do medo.

Naquela noite, o terrível decreto foi emitido: em vez de uma curta jornada de apenas alguns dias, a jornada se tornaria quarenta anos no deserto – um ano para cada dia que os espiões tivessem explorado a terra. Uma geração inteira que testemunhara os grandes milagres morreria no deserto, e somente as crianças nascidas lá – livres dessas percepções fixas e medos internos – teriam o mérito de entrar na terra.

Mas aqui surge uma questão fundamental, que tem ocupado os comentaristas ao longo das gerações: o que havia de tão terrível nas palavras dos espiões? Aparentemente, eles não mentiram. Relataram o que viram com os próprios olhos. De fato, existiam grandes cidades e habitantes poderosos. Poderíamos até argumentar que Yehoshua e Calebe estavam pintando a realidade com cores excessivamente otimistas, enquanto os espiões apenas descreviam os fatos.

Essa questão nos leva a um dos temas mais importantes do mundo moderno: a questão da verdade.

Uma frase comum hoje em dia é: “Cada um tem a sua verdade”. Mas essa afirmação cria um paradoxo profundo. Se cada pessoa tem uma verdade diferente, como a própria verdade pode ser definida? A verdade é meramente um sentimento pessoal? Além disso, basta que uma pessoa simplesmente não minta explicitamente, ou existe uma diferença entre “não mentir” e “dizer a verdade”?

Um político famoso certa vez expressou isso com uma frase que se tornou simbólica: “Fiz uma promessa, mas nunca prometi cumpri-la”. Tecnicamente falando, talvez ele não tenha mentido. Mas será que isso é verdade?

As pessoas tendem a subestimar a importância da verdade como fundamento para a existência adequada do mundo. “Que diferença faz se alterarmos as coisas ligeiramente?” “Nem sempre é preciso dizer toda a verdade.” De fato, nossos sábios ensinam que, às vezes, podemos alterar a verdade em prol da paz, para evitar ferir outra pessoa. Contudo, ao mesmo tempo, a Torá considera o hábito de não falar a verdade um profundo perigo não apenas para o indivíduo, mas para a sociedade como um todo. Pois a falsidade, mesmo uma “mentira piedosa” que inicialmente parece pequena e insignificante, gradualmente altera o caráter da pessoa, embota a consciência e, por fim, leva tanto o indivíduo quanto o mundo a lugares baixos e degradantes.

Vamos examinar isso através dos próprios espiões. A Torá nos diz que, quando os espiões retornaram, começaram com palavras verdadeiras:

“E eles lhe disseram: ‘Chegamos à terra para a qual nos enviaste, e eis que ela mana leite e mel, e este é o seu fruto.’”
(Bamidbar 13:27)

Rashi comenta ali com uma observação fundamental:

“Qualquer mentira que não comece com alguma verdade não perdurará no final.”

Os espiões usaram a verdade – mas não toda a verdade – para levar as pessoas a uma conclusão distorcida. Eles não mentiram sobre os fatos; em vez disso, apresentaram os fatos com uma implicação intencional. A falsidade não é necessariamente a invenção da realidade, mas sim a sua apresentação enganosa. Mesmo uma mudança na escolha das palavras, a omissão de um detalhe ou uma mudança de tom podem levar a uma conclusão incorreta.

A verdade não é meramente um fato correto, mas um quadro completo. Por essa razão, o Maharal de Praga explica que a palavra hebraica emet (“verdade”) contém o início, o meio e o fim do alfabeto hebraico, porque a verdade deve permanecer verdadeira em todas as circunstâncias e em todos os momentos. Como disse o escritor Mark Twain: “Se você diz a verdade, não precisa se lembrar de nada”.

Conta-se a história de um famoso ladrão que procurou um rabino e pediu que lhe ensinasse uma boa prática. O rabino disse-lhe: “Comprometa-se a nunca mentir”. Depois de algum tempo, o ladrão voltou e disse que não conseguia mais roubar. Sempre que pensava em cometer um roubo, percebia que, se fosse apanhado, não conseguiria mentir. Como resultado, absteve-se completamente do pecado.

Esta história ilustra que, em última análise, todos os valores do mundo se baseiam na capacidade de permanecer fiel à verdade do começo ao fim. A respeito disso, o Rabino Solomon Ibn Gabirol disse: “A verdade é pesada, e poucos são os que a carregam”. No entanto, aqueles que escolhem carregá-la são as pessoas verdadeiramente grandiosas.

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Shabat shalom/Chaverim, é da maior importância que leiamos e assinemos a proposta legislativa acima, que ainda conta com apoio restrito, mas que facilitará enormemente a vida dos Judeus no Brasil!  ASSINEM! APÓIEM!!!! DIVULGUEM!!!!
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