O plano secreto para instalar Ahmadinejad como líder do Irã — e por que ele fracassou
Uma importante figura da inteligência israelense confirmou agora o que estava oculto durante a guerra recente: Israel e os Estados Unidos entraram no conflito com um plano concreto para derrubar o regime iraniano e instalar o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad como líder de transição.
O major-general da reserva Tamir Hayman, que comandou a Inteligência Militar durante a Operação Roaring Lion (Leão Rugindo), falou abertamente no programa Firing Line, da PBS, sobre a operação em várias etapas que deveria ocorrer após os ataques iniciais.
Ahmadinejad havia sido consultado antecipadamente e, inicialmente, estava disposto a assumir esse papel. O plano incluía até mesmo um ataque israelense direcionado à sua residência em Teerã logo no primeiro dia da guerra, em 28 de fevereiro, com o objetivo de libertá-lo da prisão domiciliar para que pudesse surgir publicamente como o novo rosto do poder.
Mas a verdadeira peça central de toda a operação era algo muito mais ambicioso: uma invasão militar curda ao noroeste do Irã. O objetivo era desencadear revoltas entre as minorias étnicas oprimidas do país, prender grandes contingentes da Guarda Revolucionária (IRGC) e das forças Basij em vários fronts internos, criar caos dentro do país e abrir caminho para o colapso do regime por dentro.
O plano nunca chegou tão longe.
O presidente turco Recep Tayyip Erdoğan viu qualquer avanço curdo como uma ameaça direta à estabilidade e aos interesses da Turquia. Segundo o relato, ele convenceu pessoalmente o presidente Trump a cancelar a invasão curda. Quando esse movimento inicial foi retirado da equação, toda a sequência da operação desmoronou.
O próprio Ahmadinejad teria ficado ferido no ataque israelense que supostamente deveria libertá-lo. Ele sobreviveu, desapareceu do radar e rapidamente se afastou de qualquer cooperação adicional. Ele continua vivo até hoje. O que deveria ter sido uma libertação planejada acabou se transformando em uma experiência de quase morte que encerrou sua participação no projeto.
Eu pessoalmente me reuni com líderes curdos iranianos em Erbil durante as duas primeiras semanas da guerra, sob fogo da Guarda Revolucionária na fronteira entre Iraque e Irã. Vi de perto o potencial real existente no terreno, as redes de apoio, a motivação e o valor estratégico de utilizar a pressão interna exercida pelas minorias iranianas. As forças curdas estavam dispostas e preparadas para agir.
Trump teve a oportunidade de mudar completamente a equação. Quando Erdoğan se opôs ao plano, ele recuou. Foi naquele momento que a operação perdeu sua espinha dorsal estratégica.
Israel não tinha planos de atacar o Irã no início deste ano. Trump, fortalecido pelo que considerava seu sucesso na Venezuela, queria uma nova vitória rápida. Quando se deparou com desafios reais, abandonou o principal pilar da estratégia.
O regime sobreviveu porque a carta curda — a única alavanca interna realmente séria disponível — foi retirada antes de poder ser utilizada.
O presidente Trump transformou uma potencial oportunidade histórica em uma derrota estratégica por causa de impaciência e má condução da guerra. Agora ele estaria buscando desesperadamente uma saída que preserve sua imagem, enquanto o regime iraniano permanece intacto e mais perigoso.
_Isto não é teoria. É o que realmente aconteceu._
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