BOM DIA! Uma das vantagens de envelhecer é que, se você prestar atenção, terá uma perspectiva única sobre a vida e como as coisas mudaram ao longo dos anos. Obviamente, isso inclui coisas como tecnologia, avanços médicos ou até mesmo a aceitabilidade de certos alimentos (peixe cru na década de 1950:loucura. Sushi hoje: sim, por favor!).Antigamente, as vestimentas religiosas eram vistas como incomuns, esquisitas ou até mesmo perturbadoras.Quando criança, crescendo em Miami Beach em meados da década de 1970, havia poucos lugares onde eu podia ir usando um Kipá (solidéu) sem que alguém me perguntasse sobre o estranho “gorro” na minha cabeça.Fora de áreas com grandes populações religiosas (o que Miami Beach não era na época), era incomum que as pessoas tivessem familiaridade com vestimentas religiosas judaicas distintas, como Kipás ou tsitsit (franjas colocadas nos cantos de uma vestimenta de 4 cantos).O aumento da imigração, a globalização, as viagens internacionais e o crescimento exponencial dos meios de comunicação de massa expandiram drasticamente a consciência pública sobre as diversas tradições religiosas. Hoje, a maioria das pessoas reconhece facilmente muitas formas de vestimenta religiosa e compreende que elas frequentemente refletem a identidade cultural e o compromisso religioso. Além disso, ao longo do último meio século, houve uma mudança marcante nos costumes sociais em direção a uma maior disposição para acolher indivíduos e comunidades que diferem das normas culturais predominantes.No entanto, quando criança, eu tinha dificuldade em explicar aos desavisados o que eram tsitsit, por que usamos essas franjas peculiares e qual a sua função. Como veremos, essa mitsvá (mandamento) muito especial possui significados profundos – a ponto de o Talmud a caracterizar como equivalente a todas as outras mitsvot da Torá juntas! Isso obviamente requer uma explicação. Felizmente para nós, a fonte para esta mitsvá está na porção da Torá desta semana:D’us disse a Moisés: “Diga aos israelitas que façam tsitsit nas extremidades de suas vestes … e que coloquem um fio azul (tehelet) em cada tsitsit. Assim, ao vê-los, vocês se lembrarão de todos os mandamentos de D’us e os cumprirão. Não sigam o coração nem os olhos, que os desviam do bom caminho” (Números 15:37-39).Durante grande parte da história judaica, o corante azul usado em um dos fios do tsitsit era acessível e essencial em cada conjunto de tsitsit. No entanto, durante os séculos que se seguiram à destruição do Segundo Templo Sagrado em Jerusalém, a verdadeira identidade do hilazon – a criatura marinha da qual o corante era produzido – se perdeu. Na época do período Gueônico (600-1000 EC), o corante azul havia praticamentedesaparecido da vida judaica, fazendo com que os judeus da Diáspora usassem apenas tsitsit brancos desde então.A busca moderna pelo corante azul começou de fato no final do século XIX com o Rabino Guershon Henoch Leiner, o Rebe de Radzin (Polonia, 1839-1891), que realizou uma extensa pesquisa e concluiu que o hilazon era uma espécie de molusco (parente próximo da lula). Ele estabeleceu um processo de produção e milhares de seus seguidores passaram a usar tsitsit com um fio azul feito com esse corante.Embora sua identificação tenha sido posteriormente contestada, seus esforços reacenderam o interesse mundial pelo assunto. No século XX, estudiosos e autoridades rabínicas passaram a se concentrar cada vez mais no murex trunculus (um caracol marinho) como a fonte mais provável do antigo corante. A partir dasdécadas de 1980-1990, organizações como a Ptil Tekhelet e outras contribuíram para a ampla disponibilidade desse corante azul, com esforços apoiados por evidências arqueológicas, históricas e químicas. Hoje, muitos judeus praticantes incluem esse fio azul em seus tsitsit, mas a maioria ainda não o faz. Mesmo assim, asdezenas de milhares de judeus de diferentes origens que usam tsitsit com o fio azul tornam seu renascimento uma das restaurações mais notáveis de uma prática bíblica há muito perdida nos tempos modernos.Há 2 elementos da passagem acima na Torá sobre tsitsit que gostaria de examinar. Em primeiro lugar, este parágrafo tornou-se a terceira e última parte daquela que talvez seja a oração mais importante da liturgia judaica e aquela que a Torá nos obriga a recitar 2 vezes ao dia: o Shemá Israel. O Shemá Israel é a aceitação diária do Reinado de D’us e uma declaração de Sua absoluta unicidade. O que há nessas poucas frases sobre tsitsit que sintetiza isso e justifica que sejam as palavras finais da oração do Shemá Israel?A Torá afirma que o propósito da mitsvá do tsitsit é servir como um lembrete de todos os mandamentos de D’us. Como exatamente o tsitsit cumpre essa função?O segundo tópico que gostaria de examinar é o fio azul. Temos uma declaração fascinante no Talmud (Menahot 43b) a respeito da obrigação de adicionar o fio azul ao tsitsit. “Rabi Meir costumava dizer: Por que a cor azul foi escolhida? O que a distingue de todas as outras cores? O fio azul (nas franjas) nos lembra o mar, que nos lembra o céu e o céu nos lembra do Trono da Glória”.Rabi Meir então cita 2 versículos que indicam esse atributo único da cor azul. O primeiro aparece no relato da entrega da Torá (Êxodo 24:10): “Debaixo de Seus pés havia algo semelhante a uma pedra de safira […]” e o segundo versículo aparece na visão mística de Ezequiel (1:26): “Como a aparência de uma pedra de safira era a aparência do Trono Celestial”. O Talmud nos ensina que a cor azul serve como uma ‘escada visual’ paraelevar a nossa consciência à imanência do Todo-Poderoso.Mas por que precisamos de um caminho tão indireto para chegar ao destino final? Por que dizer que as franjas azuis nos lembram a cor do mar, que nos lembra o céu, que nos lembra o Trono da Glória? Por que não dizer simplesmente que os fios azuis nos lembram o Trono da Glória?A oração Shemá Israel – Ouve, ó Israel, HaShem é nosso D’us, HaShem é Único (Deuteronômio 6:4) – declara prontamente a aceitação de HaShem como o nosso D’us e que Ele possui uma unicidade única: tudo faz parte do “Um”.O que Rabi Meir está explicando é que o fio azul é a expressão máxima dessa unidade – é literalmente o ‘fio’ comum em toda a Criação. O fato de o oceano e o céu serem ambos azuis é uma expressão da unidade de toda a Criação, pois tudo é um reflexo do Trono da Glória do Todo-Poderoso. A cor azul é o tema comumque une tudo. Somos, portanto, convidados a considerar, passo a passo, como tudo na Criação é um reflexo da unicidade única do Todo-Poderoso.Quando uma pessoa usa tsitsit, é um lembrete constante de que toda a Criação está dentro do Reino do Todo-Poderoso e que nossa expressão da realeza Divina se baseia em seguirmos Seus mandamentos. Cada uma das franjas tem 5 nós e 8 cordões – totalizando 13, que, como apontam nossos Sábios, é o valor numérico da palavra hebraica “ehad” – um. Além disso, há 39 voltas entre os 5 nós, e este é o valor numérico de “HaShem ehad – D’us é Um”, as próprias palavras do Shemá Israel.Portanto, a oração sobre o tsitsit não é meramente um apêndice do Shemá Israel. Na verdade, é um desfecho apropriado a ele. Após a fé e o compromisso, vêm as ferramentas práticas que permitem ao ser humano, vivendo no mundo físico, permanecer constantemente conectado ao Todo-Poderoso. É por isso que o Shemá Israel termina não com uma declaração teológica abstrata, mas com uma vestimenta física, um fioazul e um tsitsit na mão. As mais elevadas verdades espirituais devem, em última análise, ser tecidas no ‘tecido da vida diária’!

Rav Ytzchak Zweig
Fonte: Meor HaShabat
#judaísmomessiâniconãoexiste

never again

Shabat shalom/Chaverim, é da maior importância que leiamos e assinemos a proposta legislativa acima, que ainda conta com apoio restrito, mas que facilitará enormemente a vida dos Judeus no Brasil!  ASSINEM! APÓIEM!!!! DIVULGUEM!!!!
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