O que leva alguém a uma tomada de poder claramente suicida? O rabino Berel Wein analisa a perigosa psicologia por trás dos erros mais catastróficos, que ocorrem quando nos convencemos de que nossos desejos pessoais são, na verdade, a “vontade de D’us”.
Rabino Berel Wein
Publicado em 12/06/2026
A lista de decepções e fracassos da geração de judeus que deixou o cativeiro egípcio continua na porção da Torá desta semana. Contudo, esta parashá não nos relata tanto um confronto direto com D’us e Seus desejos expressos, por assim dizer, mas sim um desafio a Moisés e à sua autoridade para liderar o povo judeu. Korach, essencialmente, orquestra um golpe, uma tentativa de usurpação do poder para destituir Moisés de sua posição de liderança e Aharon de seu posto como Sumo Sacerdote de Israel.
Ao longo dos séculos, os estudiosos da Torá e comentaristas do povo judeu têm tentado compreender as verdadeiras motivações de Korach para se envolver em uma tentativa claramente suicida. Afinal, Korach também sabia que o semblante de Moisés irradiava uma luz celestial que o obrigava a mascarar esse semblante ao lidar com seres humanos.
Korach também tinha, sem dúvida, consciência de que o Sumo Sacerdócio e suas oferendas de incenso poderiam ser mortais para aqueles que não tinham o direito de servir nesse papel público. Além disso, ele viu seus parentes, Nadabe e Abihu, filhos de Aharon, serem fulminados por um fogo celestial por ultrapassarem os limites apropriados no serviço ritual do Tabernáculo.
Então, o que levou Korach a arriscar conscientemente sua vida nesse confronto fadado ao fracasso e completamente desnecessário com Moisés e Aharon? Nas palavras de Rashi na parashá desta semana: “O que Korach viu ou pensou que o levou a cometer um ato tão insensato?” Essa questão tem intrigado toda a erudição judaica por milênios.
Seria presunçoso da minha parte afirmar que possuo a resposta para esta questão profundamente perturbadora. Contudo, desejo contribuir com uma perspectiva sobre a narrativa tal como se apresenta na parashá. Como muitos ideólogos, Korach estava convencido de que D’us concordava com ele – que D’us também havia percebido que Moisés era autocrático demais e propenso ao nepotismo em seu governo. Ele viu que até mesmo Aharon e Miriã estavam dispostos a criticar Moisés, e embora Miriã tenha sido punida, o precedente de poder criticar Moisés foi estabelecido.
Korach pode ter pensado que Miriã foi punida porque, em essência, ela e Aharon estavam interferindo na vida privada de Moisés. Mas Korach acreditava estar embarcando em uma cruzada nacional para quebrar o poder do governo autocrático sobre o povo judeu. Em uma questão nacional tão vital, na qual ele se considerava moral e praticamente inquestionavelmente correto, convenceu-se de que D’us também concordava com ele, por assim dizer.
E, quando alguém se convence de que seu próprio pensamento representa a opinião de D’us sobre qualquer assunto ou questão, então não há como se conter na busca de seus objetivos. A principal causa de todas as contendas religiosas, guerras, proibições e exclusividade de opiniões e ações é a crença de que D’us também segue essa opinião ou crença. Naturalmente, as ambições e os planos pessoais de Korach o ajudaram a se convencer de que D’us estava do seu lado na disputa com Moisés. Devemos sempre ter cuidado para não confundir desejos e opiniões pessoais com a vontade de D’us.
Fonte: Breslev Israel
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