Parashat Chukat 5786
29 de Sivan 5786 – 14 de junho de 2026
Rabino Shmuel Rabinowitz, Rabino do Muro das Lamentações e Lugares Sagrados
A Parashá Chukat começa com um dos temas mais distintivos da Torá: as leis da impureza e pureza ritual. A morte simboliza a ausência de vida, e esse estado é referido na Torá como tumah (impureza ritual). Uma pessoa viva, cujo propósito é agir, criar e cumprir a vontade de D’us, é afetada pelo encontro com a realidade da ausência de vida. O caminho de volta a um estado de taharah (pureza ritual) passa pela conexão com aquilo que simboliza a vida – imergindo todo o corpo em um mikveh contendo “águas vivas”, ou seja, água da chuva coletada naturalmente, sem intervenção humana. Como afirma a Torá:
“Esta é a lei: quando um homem morrer numa tenda, todos os que entrarem na tenda e tudo o que estiver nela ficarão impuros durante sete dias.”
(Números 19:14)
Os Sábios também compreenderam este versículo num nível mais profundo:
“Reish Lakish disse: De onde sabemos que as palavras da Torá perduram apenas naquele que ‘se mata’ por elas? Como está escrito:
“Esta é a Torá: quando um homem morre em uma tenda.”
(Berachot 63b)
A Torá ensina que os valores genuínos exigem compromisso e esforço. Uma pessoa que se mantém fiel aos seus valores apenas quando lhe convém terá dificuldade em preservá-los ao longo do tempo. Como diz o ditado, “O que vem fácil, vai fácil”. O verdadeiro compromisso é testado pela disposição de sacrificar-se, perseverar e continuar mesmo quando o caminho é difícil.
Foi assim que Rabi Moisés ben Maimon, o Rambam, expressou a ideia:
“As palavras da Torá não perduram naqueles que estudam em meio ao luxo, à comida e à bebida, mas apenas naquele que se dedica a elas, que disciplina constantemente o seu corpo, que não deixa os olhos dormirem nem as pálpebras descansarem. Os Sábios disseram que a Torá perdura apenas naquele que ‘se sacrifica’ nas tendas dos estudiosos.”
(Mishneh Torá, Hilchot Talmud Torá 3:12)
Daí emerge um dos ideais centrais do Judaísmo – mesirut nefesh, o sacrifício pessoal. Isso não se refere apenas ao nobre ideal judaico de dar a própria vida pela santificação do Nome de D’us, por mais importante que isso seja em si mesmo. Significa, antes, a disposição de abrir mão do conforto, do tempo, do dinheiro e dos interesses pessoais em prol de um valor maior. Ao longo da história, os judeus chegaram a entregar suas vidas em vez de abandonar sua fé, acreditando que uma vida vivida em contradição com seus valores mais profundos não é uma vida plena.
Em sua essência, todo ser humano busca significado. Quando a vida é movida unicamente pelo conforto e pelo prazer, desenvolve-se uma sensação de vazio, e a busca pela plenitude continua sem satisfação.
Essa questão tem ocupado a humanidade ao longo da história. Uma de suas expressões modernas mais famosas é o livro “Em Busca de Sentido”, do psiquiatra judeu e sobrevivente do Holocausto Viktor Frankl. A partir dos horrores dos campos de concentração, Frankl concluiu que a busca por sentido é uma necessidade humana fundamental. Ele cita o filósofo Friedrich Nietzsche: “Quem tem um porquê para viver pode suportar quase qualquer como”.
Tudo no mundo deriva seu significado de algo que transcende a si mesmo. Uma cadeira existe para servir a pessoa sentada nela, uma mesa serve a refeição e o alimento serve para sustentar a vida humana. Poderíamos continuar fazendo essa pergunta sobre cada objeto: Qual é o seu propósito? O que lhe dá significado? Em última análise, porém, surge a questão mais importante: Qual é o propósito do ser humano e para que servem nossas vidas?
Para que a vida possua um significado genuíno, deve haver um valor ou ideal superior que a pessoa considere digno de devoção, algo pelo qual esteja disposta a investir, lutar e até mesmo sacrificar. Não porque deseje morrer por isso, mas porque busca viver à sua luz.
Esta é a forma ideal de mesirut nefesh descrita pela Torá. Não se trata necessariamente de dar a própria vida, mas da disposição de renunciar ao conforto temporário, aos luxos mundanos e à atração das tendências passageiras para permanecer fiel à verdade em que se acredita.
Este é o significado mais profundo do ensinamento dos Sábios sobre aquele que “se mata na tenda da Torá” – que, para viver de acordo com seus valores, a pessoa está preparada até mesmo para habitar uma tenda simples, escolhendo uma vida com substância e significado em vez de uma que apenas pareça glamorosa ou atraente. Essa escolha diária é a expressão mais plena e profunda do autossacrifício.
Hamã, o perverso, já havia reconhecido essa verdade. Os Sábios relatam que, após decretar a destruição do povo judeu, ele procurou observar como reagiriam. Para sua surpresa, encontrou-os sentados na sala de estudos, imersos nas leis que regiam o serviço dos sacerdotes no Templo. Isso pareceu espantoso: eles enfrentavam uma ameaça existencial, e o próprio Templo já não existia mais. Contudo, foi precisamente nesse momento que Hamã compreendeu o segredo da força deles. Um povo capaz de permanecer fiel aos seus ideais e à sua fé, mesmo em circunstâncias tão terríveis, não vive apenas no presente ou de acordo com as circunstâncias imediatas. Está conectado a uma realidade maior do que si mesmo e, portanto, possui o poder de resistir a qualquer ameaça externa.
Este continua sendo um dos maiores desafios da nossa geração. Quanto mais a sociedade oferece às pessoas oportunidades, conforto e prazer, mais premente se torna a questão de qual é, em última análise, o propósito de tudo isso. Os seres humanos buscam um propósito maior que justifique seus esforços, oriente suas escolhas e dê sentido à sua existência. A verdadeira questão não é meramente o que nos dá prazer, mas sim por aquilo que estamos dispostos a sacrificar, lutar e dedicar nossas vidas. Em grande medida, a resposta a essa pergunta moldará o caráter da sociedade humana nos anos vindouros.
never again
Shabat shalom/Chaverim, é da maior importância que leiamos e assinemos a proposta legislativa acima, que ainda conta com apoio restrito, mas que facilitará enormemente a vida dos Judeus no Brasil! ASSINEM! APÓIEM!!!! DIVULGUEM!!!!
worldjornalistaandrehmendan.online
#נדרהמנדהה #Israel #andrehmendanhanettodasilva #jornalismo #judaísmomessiâniconãoexiste
Deixe um comentário