*DEVERIA TER SIDO IMPOSSÍVEL*Vamos falar desapaixonadamente sobre a morte de uma tripulação inteira de tanque Merkava IV ocorrida ontem, no sul do Líbano. (vídeo sem áudio)

*Deveria ter sido impossível.*

Não era um alvo específico. Por acaso era o tanque do comandante do 52º Batalhão, da 401ª Brigada, tenente-coronel Dor Gedalia Ben Simhon, 32. Ele e os outros 3 membros da tripulação morreram na hora.

*Mas, por que deveria ter sido impossível?*

O Merkava IV possui o sistema automático de defesa 360 graus contra mísseis antitanque, o Trophy, que foi muito eficiente na Faixa de Gaza e funciona como projetado. Todos os modelos de tanques novos (inclusive os que ainda não começaram a ser entregues) da OTAN e dos EUA adotaram o sistema.

Todo mundo sabe que existe uma falha de projeto, mais ainda, os inimigos. O Trophy, com seus quatro radares e disparo automático controlado por computador, não consegue defender-se contra mísseis ou bombas vindas pelo alto. E já vimos, ao menos, 3 impactos deste tipo filmados pelo Hezbollah no ano passado.

*Mas então, por que deveria ter sido impossível?*

O vídeo é do ataque de ontem, dia 18 de junho de 2026. Todos podem ver que o míssil voou por uma trajetória plana horizontal e não por uma trajetória alta. Tinha que ter sido interceptado pelo Trophy. Calculei o tempo de voo pela velocidade estimada do míssil ALMA iraniano, que é um clone de engenharia reversa do Spike norte-americano. No vídeo, vemos cerca de 1.200 metros de seu voo, em longos 6 segundos. Spike/ALMA (existe um clone chinês também) são mísseis capazes de penetrar o equivalente a um metro (1.000 mm) de blindagem. Matam qualquer tanque que exista. O atirador marca o alvo na tela de controle, escolhe numa chave (plano/alto) para a trajetória, dispara e imediatamente sai da posição. Quando o míssil impacta o tanque, o atirador já deve estar, pelo menos, a 50 metros do local de disparo.

*Mas então, por que foi possível?*

Só existe uma explicação. O tanque estava estacionado com o motor desligado. Já entendemos, por análise, e não por divulgação de dados militares, que o sistema automático de defesa só funciona com o motor do tanque ligado, fornecendo eletricidade para os quatro radares e para o computador. Vários tanques Merkava IV estacionados foram atingidos nos últimos 30 dias no sul do Líbano, por drones FPV. Inclusive jipes com sistemas eletrônicos de defesa anti-drone, igualmente estacionados e desligados: foram destruídos.

Para mim, como analista, é muito doloroso ter a certeza de que os analistas militares da ativa em Israel chegaram às mesmas conclusões que eu, por serem absolutamente técnicas e óbvias, mas parece que suas conclusões não resultam em alteração de comportamento na linha de frente. Faz cerca de 8 ou 10 dias que as FDI emitiram, numa ordem do dia, a proibição das tripulações dormirem dentro dos tanques. Claro, foi para evitar serem mortos por drones FPV atingindo os tanques. Ordem correta.

Desde a Guerra de Gaza, o emprego operacional do Merkava, que, além da tripulação, tinha espaço atrás para levar um pelotão de infantaria de 6 soldados, mudou. Não são mais utilizados para transportar infantaria, pois o Eitan cumpre melhor esta função. Então, existe uma “enorme” área ociosa na parte de trás do tanque, onde a tripulação aproveitava para dormir (agora proibido). Esta área tinha que receber uma bateria automotiva de carro elétrico para alimentar o sistema automático de defesa com o motor desligado. Não deveria ser um kit tão complicado assim.

Por José Roitberg, jornalista e pesquisador.

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