Protegendo Nossos Olhos – Parashat Balak7 de Tamuz de 5786 (22 de junho de 2026)

Rabino Shmuel Rabinowitz, Rabino do Muro das Lamentações e Lugares Sagrados

Ao longo da história, o povo judeu tem sido frequentemente alvo das nações do mundo. Inúmeras vezes, rivalidades profundas e disputas antigas foram deixadas de lado quando surgiu uma oportunidade para agir contra os judeus.

Esse fenômeno encontra uma expressão marcante na porção da Torá desta semana. A Torá descreve uma aliança incomum entre duas nações rivais – Moabe e Midiã – que se uniram por medo do crescente poder do povo de Israel. O Midrash destaca a natureza extraordinária dessa parceria:

“Os anciãos de Moabe e os anciãos de Midiã caminharam juntos” (Números 22:7). Eles nunca haviam feito paz uns com os outros, como está escrito: “que derrotaram Midiã no território de Moabe” (Gênesis 36:35). No entanto, quando vieram lutar contra Israel, fizeram as pazes uns com os outros.

Como parte desse plano, Balak, filho de Zipor, rei de Moabe, recorreu a Bilam, filho de Beor – a principal figura religiosa de Midiã, que detinha o mais alto status de “profeta” entre as nações do mundo. Balak expressou seu temor pelo crescente poder de Israel e pediu a Bilam que usasse sua influência espiritual para amaldiçoar a nação e provocar sua ruína.

A história então toma um rumo inesperado. D’us adverte Bilam para não amaldiçoar Israel. Mesmo quando finalmente lhe é permitido acompanhar os emissários de Balak, é-lhe dito que só pode proferir as palavras que lhe forem colocadas em sua boca pelo Céu. Desconhecendo essa limitação, Balak leva Bilam a vários pontos estratégicos com vista para o acampamento israelita no deserto, na esperança de que ele pronuncie sua maldição dali. Contudo, repetidas vezes, bênçãos saem da boca de Bilam em vez de maldições.

Nossos sábios ensinam no Tratado Ta’anit (20a) que mesmo quando uma pessoa má oferece uma bênção, não se trata necessariamente de uma bênção simples, pois significados adicionais podem estar ocultos em suas palavras. Balak, porém, não entende isso. Ele fica furioso: contratou Bilam para amaldiçoar, mas Bilam continua abençoando. Por fim, eles se separam e cada um retorna para casa.

O clímax ocorre quando Bilam contempla o acampamento de Israel e sua perspectiva muda repentinamente. Como afirma a Torá:

“Bilam levantou os olhos e viu Israel amontoado segundo as suas tribos; e o Espírito de D’us veio sobre ele”
(Números 24:2).

O que exatamente ele viu que provocou uma transformação tão profunda?

O rabino Shlomo Yitzchaki – Rashi – explica:

“Ele procurou lançar um mau-olhado sobre eles, mas viu que cada tribo habitava separadamente e não se misturava. Viu também que as entradas de suas tendas não estavam voltadas umas para as outras, de modo que ninguém podia espiar a tenda do vizinho. Então, não lhe passou pela cabeça amaldiçoá-los.”

Essa admiração deu origem a uma das declarações mais famosas já feitas sobre o povo judeu:

“Quão belas são as tuas tendas, ó Jacó, e quão belas são as tuas moradas, ó Israel!”
(Números 24:5).

Por trás dessas palavras reside um profundo princípio moral. O povo de Israel estava acampado no deserto – milhões de pessoas reunidas em uma área relativamente pequena – contudo, o acampamento foi organizado de modo que as entradas das tendas não ficassem frente a frente. A mensagem era simples: ninguém deve se intrometer na vida do seu vizinho. Cada família preservava seu próprio espaço, dignidade e privacidade. Essa perspectiva coloca a dignidade humana no centro e ensina que a modéstia e a discrição são o alicerce da vida comunitária.

Ironicamente, foi isso que mais impressionou Bilam. Ele vinha de um mundo onde a curiosidade sobre os outros, a comparação constante, a fofoca e a preocupação com a vida alheia eram parte integrante da realidade. Diante dele estava uma nação que havia conseguido construir uma sociedade baseada no respeito mútuo e na modéstia.

Bilam compreendeu que uma nação que coloca a dignidade humana no centro de seus valores – cujo povo não se intromete na vida alheia nem transforma sua vida privada em espetáculo público – é uma sociedade modelo. Tal povo não deve ser amaldiçoado; pelo contrário, merece ser abençoado, para que muitas nações possam adotar seus valores e seguir seu exemplo.

Esta mensagem é especialmente relevante em nossa época. O mundo moderno proporciona um acesso sem precedentes à vida alheia. Colunas de fofoca e um fluxo interminável de informações digitais tornaram a vida pessoal de muitas pessoas pública. Às vezes, parece que a curiosidade se sobrepôs ao direito à privacidade e que invadir o espaço pessoal de outra pessoa se tornou totalmente aceitável.

Em contraste, a tradição judaica apresenta uma visão diferente. Ela valoriza a modéstia pessoal e o crescimento interior significativo, que não é exibido para a atenção pública. Tal conduta é apropriada para um povo que serve a D’us em vez das pessoas ao seu redor.

Esses padrões sutis de comportamento estão se tornando cada vez mais raros no mundo atual. Às vezes, podem parecer costumes de uma era passada. No entanto, se até mesmo o perverso Balaão foi compelido a reconhecer a beleza desse modo de vida e a lhe conceder sua bênção, isso por si só testemunha seu poder e valor.

É uma mensagem atemporal: uma sociedade que respeita a privacidade pessoal e cultiva a modéstia, a sensibilidade e a consideração pelos outros é uma sociedade mais saudável, mais nobre e mais moral. Devemos salvaguardar esses valores com muito cuidado e, ao fazê-lo, merecer o cumprimento da bênção: “Quão belas são as tuas tendas, ó Jacó!”

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Shabat shalom/Chaverim, é da maior importância que leiamos e assinemos a proposta legislativa acima, que ainda conta com apoio restrito, mas que facilitará enormemente a vida dos Judeus no Brasil!  ASSINEM! APÓIEM!!!! DIVULGUEM!!!!
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