*Segundo o Wall Street Journal, Donald Trump analisou opções militares para uma guerra em larga escala contra o Irã para “terminar o serviço”, mas decidiu, por enquanto, não avançar.*

O relatório afirma que Trump está preocupado que uma retomada do conflito militar possa prejudicar as chances de uma solução diplomática e do desmantelamento do programa nuclear iraniano, e que ele demonstrou disposição para permitir que as negociações indiretas no Catar ultrapassem o prazo de 18 de agosto. Ele também estaria de acordo com a continuação de ataques limitados contra alvos iranianos caso Teerã viole o atual acordo temporário — como, segundo o texto, já fez repetidamente.

*Como estão indo essas negociações?*

Nada bem. Parece que a “histórica” conquista de JD Vance de um encontro cara a cara foi um episódio isolado. Washington foi discretamente rebaixada: de conversar com o Grande Satã para negociar com o Pequeno Satã — um alto funcionário catariano confirmou que os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner se reuniram com autoridades do Catar em Doha, mas atualmente não há reuniões de alto nível entre EUA e Irã previstas.

Diante da negação pública do Irã de que sequer existam negociações de paz, Vance responde negando a realidade também, insistindo que isso é apenas uma “tática persa de negociação”. Ele não está errado ao dizer que o rejeicionismo é uma tática — está errado sobre o que essa tática busca negociar. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, confirmou que a delegação vai ignorar completamente os representantes americanos, reunindo-se apenas com os catarianos em Doha para discutir o desbloqueio dos próprios ativos iranianos. A tática não é ganhar tempo por uma paz melhor. É ganhar tempo por um pagamento melhor: extrair primeiro as concessões do memorando de entendimento e deixar o arquivo nuclear para nunca.

Autoridades iranianas não demonstraram nenhuma disposição de aceitar as exigências nucleares dos EUA, concentrando-se, em vez disso, em afirmar controle sobre o Estreito de Hormuz. O Irã diz que imporá sua “soberania e nova política” ali independentemente de chegar ou não a um acordo com Omã, chamando o estreito de assunto puramente interno. Os relatos divergem sobre a natureza das taxas de trânsito propostas — o Irã as chama de obrigatórias, um diplomata regional as chama de voluntárias, e o ministro das Relações Exteriores de Omã rejeita taxas diretamente, mas deixa espaço para mecanismos de “serviços marítimos”, como medidas de segurança e combate à poluição. Independentemente dessa distinção, o Irã parece decidido a afirmar autoridade sobre a hidrovia: já indicou que navios que pagarem “taxas de segurança” e seguirem os protocolos da Guarda Revolucionária terão prioridade de passagem, enquanto os demais enfrentarão atrasos.

O Irã não fará um acordo que os EUA possam aceitar. Essa é a realidade. A única pergunta que resta é quantos outros apertos de mão “históricos”, desvios por Doha e negociações de paz negadas serão necessários até que essa realidade dê uma surra em Vance — da mesma forma que deu no padrinho do neoconservadorismo, Irving Kristol, que definiu um conservador como “um liberal que foi assaltado pela realidade”.

(_Amit Segal)_

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