Lento e constante#judaísmomessiâniconãoexiste

Parashat Matot – Masei
22 de Tamuz de 5786 (7 de julho de 2026)

Rabino Shmuel Rabinowitz, Rabino do Muro das Lamentações e Lugares Sagrados

O Livro de Bamidbar conclui com uma descrição dos lugares onde os Filhos de Israel acamparam durante seus quarenta anos de peregrinação no deserto. A parashá começa com as palavras: “Estas são as jornadas dos Filhos de Israel” (Números 33:1). Essa formulação intrigou muitos comentaristas da Torá: se a ênfase está nos lugares onde acamparam, por que não diz: “Estes são os acampamentos dos Filhos de Israel”?

A questão se torna mais complexa à luz das palavras do Baal Shem Tov (Degel Machaneh Ephraim, início da parashá), que explica que as quarenta e duas jornadas dos Filhos de Israel refletem a jornada espiritual de cada pessoa, desde o nascimento até a entrada na “terra superior da vida”. Sendo assim, pareceria mais apropriado enfatizar os pontos de parada – os destinos alcançados – em vez do caminho que leva a eles.

Os ensinamentos chassídicos explicam que a Torá, com isso, ensina um princípio importante para a vida: o ser humano deve estar sempre em movimento. Mesmo quando se “acampa”, não se deve ficar parado. Quem para de crescer corre o risco de ficar para trás.

Essa ideia se fortalece ainda mais quando examinamos a estrutura das viagens. À primeira vista, parece que quarenta e duas viagens distribuídas ao longo de quarenta anos implicariam uma mudança a cada dez meses, aproximadamente. Esse é um ritmo exigente. Não é fácil arrumar as malas a cada poucos meses e seguir em frente. No entanto, os Sábios apresentam um quadro diferente. Rashi, citando Rabi Moshe HaDarshan, escreve:

“Por que essas viagens foram registradas? Para mostrar a bondade do Onipresente, que, embora Ele tivesse decretado que eles viajassem e vagassem pelo deserto, não se deve pensar que eles estiveram constantemente em movimento e inquietos por quarenta anos sem descanso, pois há apenas quarenta e duas viagens aqui. Subtraindo quatorze, que ocorreram no primeiro ano antes do decreto, e outras oito após a morte de Arão, verifica-se que, durante os trinta e oito anos restantes, eles realizaram apenas vinte viagens.”

Assim, na lista de viagens havia lugares onde os israelitas permaneceram apenas um dia e outros onde ficaram por dezenove anos.

É difícil dizer o que é mais penoso: partir depois de um único dia ou permanecer no mesmo lugar por quase duas décadas com a sensação de que nada muda. Mas quem observa a jornada de uma perspectiva mais ampla compreende que não há diferença essencial entre as duas. A extensão total da jornada já estava determinada de antemão; cada parada, curta ou longa, era parte inseparável do caminho.

Essa compreensão se aprofunda ainda mais quando lembramos que, em cada lugar onde os israelitas paravam, havia um processo pelo qual eles precisavam passar para avançar em direção ao seu destino. Tanto as jornadas quanto os acampamentos eram guiados pela vontade de D’us, não pela escolha humana.

O significado oculto dessas jornadas pode ser aprendido a partir do seguinte ensinamento haláchico:

“Está escrito no livro Tzeror HaMor que as quarenta e duas jornadas na Parashá ‘Vayelech’ não devem ser interrompidas, pois correspondem ao Nome Divino de quarenta e duas letras.”
(Magen Avraham, Orach Chaim 428:8)

Em outras palavras, ao ler a Torá, deve-se ler a lista de jornadas continuamente, sem interrupção, pois elas correspondem a um dos nomes sagrados de D’us, composto por quarenta e duas letras. Mesmo que o significado completo dessa ideia nos seja oculto, ela ensina que cada jornada e cada acampamento carregam um profundo significado. Portanto, não há diferença entre uma parada de um dia e uma estadia de muitos anos – cada uma tem seu papel único na jornada como um todo.

Essa ideia pode servir como guia para a jornada de vida de cada pessoa. Todos nós passamos por diferentes fases, cada uma delas parte inseparável do caminho. Há anos em que a vida parece avançar rapidamente, com grandes mudanças acontecendo uma após a outra. O tempo passa depressa. Em outros momentos, parece que nada está progredindo. A pessoa se esforça, reza e espera, mas se sente estagnada.

As jornadas no deserto nos ensinam que esse sentimento é enganoso. Nem todo progresso se mede em velocidade, e nem toda pausa significa estagnação. Às vezes, justamente nos anos mais tranquilos e menos dramáticos, ocorrem as mudanças mais profundas – mudanças não visíveis no momento, mas que, em retrospectiva, provam ter moldado o caráter, fortalecido a fé e construído a força interior para a próxima etapa.

Mesmo quando o caminho parece se alongar, a pessoa não deve cessar o movimento interior: continuar aprendendo, se desenvolvendo, adquirindo experiência e dando sentido à vida. O movimento mais importante nem sempre é o que se vê externamente, mas sim o que acontece dentro de cada um.

Somente ao olhar para trás, do ponto final, fica claro que cada etapa desempenhou um papel indispensável. Mesmo a espera, os desafios e os atrasos não foram tempo perdido, mas sim marcos que prepararam o terreno para a continuação da jornada. Assim, todas as etapas – rápidas e lentas, alegres e difíceis – se unem em uma jornada completa, com significado e direção – uma jornada na qual a pessoa pode, finalmente, olhar para trás com satisfação e compreender que cada etapa contribuiu para a realização de seu propósito e para alcançar sua “terra prometida” pessoal.

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Shabat shalom/Chaverim, é da maior importância que leiamos e assinemos a proposta legislativa acima, que ainda conta com apoio restrito, mas que facilitará enormemente a vida dos Judeus no Brasil!  ASSINEM! APÓIEM!!!! DIVULGUEM!!!!
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