Parashat Devarim
29 de Tamuz de 5786 (14 de julho de 2026)
Rabino Shmuel Rabinowitz, Rabino do Muro das Lamentações e Lugares Sagrados
O quinto livro da Torá, conhecido como Mishneh Torá (“Repetição da Torá”), dedica-se principalmente à revisão dos mandamentos, estatutos e leis que foram dados ao povo judeu nos quatro livros anteriores. Contém também as palavras de repreensão de Moisés à nação na véspera de sua entrada na Terra de Israel, juntamente com sua despedida, bênçãos e orientações ao povo que ele liderou desde o Êxodo do Egito até chegarem ao limiar da Terra Prometida.
Como parte desse processo, a Torá descreve outro ato por meio do qual Moisés preparou a nação para a vida na Terra de Israel:
“No quadragésimo ano, no décimo primeiro mês, no primeiro dia do mês… além do Jordão, na terra de Moabe, Moisés começou a explicar esta Lei.”
(Deuteronômio 1:3-5)
Comentário de Rashi:
“Ele explicou isso para eles em setenta idiomas.”
Isso levanta uma questão óbvia. O povo judeu estava prestes a entrar em sua própria terra e se tornar uma nação vivendo em seu próprio solo, unida por uma única língua – a Língua Sagrada. Por que, então, foi necessário explicar a Torá em setenta línguas? A língua em que a Torá foi dada não era suficiente e plenamente compreendida por toda a nação?
Além disso, ao longo das gerações, os sábios de Israel foram extremamente cautelosos ao traduzir a Torá para outros idiomas, para que as nações do mundo não tivessem acesso à Torá e aos seus segredos mais profundos. Uma das datas trágicas comemoradas no calendário judaico marca o dia em que o rei Ptolomeu obrigou os sábios judeus a traduzir a Torá para o grego. Como, então, é possível que o próprio Moisés tenha traduzido a Torá para todos os idiomas do mundo?
O comentário HaKetav VeHaKabbalah (sobre Deuteronômio) explica:
“A intenção não era adotar as línguas de outras nações, pois que benefício isso traria a Israel? Nossos sábios também não abandonaram sua própria língua em favor da língua de outra nação. Em vez disso, eles frequentemente usam a palavra lashon (‘língua’) para se referir a uma intenção ou interpretação. Assim, ‘setenta línguas’ se refere a setenta interpretações, correspondendo ao ensinamento de que ‘a Torá tem setenta facetas’, ou seja, suas muitas dimensões internas além de seu significado literal.”
Segundo essa explicação, “setenta línguas” significa “setenta interpretações”, em consonância com o conhecido ensinamento dos sábios de que a Torá tem “setenta faces”. Contudo, existe um princípio fundamental de que “as Escrituras nunca se afastam do seu significado literal”, e de fato, a maioria dos comentaristas entendeu Rashi literalmente – que Moisés realmente explicou a Torá em setenta línguas diferentes.
Os grandes mestres do pensamento chassídico oferecem outra explicação. Moisés previu que o povo judeu enfrentaria futuros exílios. Portanto, ele os preparou para a realidade que os aguardava, quando seriam dispersos entre as nações e precisariam estudar a Torá em muitas línguas diferentes para que ela jamais fosse esquecida.
Mesmo essa explicação, porém, deixa uma pergunta sem resposta. Não poderiam os sábios de cada geração ter traduzido a Torá conforme a necessidade surgia? Por que foi necessário que o próprio Moisés o fizesse especificamente naquele momento, pouco antes do povo entrar na Terra de Israel?
Parece que está sendo ensinado um princípio muito mais profundo.
Uma das alegações comuns sobre a Torá é que ela não é mais relevante para as realidades mutáveis da vida moderna. No entanto, um dos Treze Princípios da Fé afirma que a Torá é eterna e jamais será substituída.
A geração que recebeu a Torá no Monte Sinai sabia como se comportar em todas as situações. A Torá, a Torá da Vida, oferecia orientação clara para cada pergunta e cada desafio. Mas, com o passar das gerações, as línguas mudam, os estilos de vida evoluem e a própria realidade assume novas formas. Naturalmente, pode-se começar a sentir que a Torá pertence ao passado e não fala mais ao presente. Foi por essa razão que Moisés explicou a Torá em setenta línguas.
Não se tratava meramente de uma questão de tradução. Era o dom da Torá, com sua capacidade eterna de falar a cada geração em sua própria linguagem, por meio de seus próprios conceitos e dentro das realidades de seu próprio mundo. Em cada época, em cada lugar e sob cada circunstância, a Torá mantém o poder de iluminar o caminho e guiar as pessoas em como devem viver. A Torá em si é una e imutável, contudo, sua mensagem prática pode ser expressa de forma renovada em cada geração.
Quando Moisés traduziu a Torá para a “linguagem da vida” de cada geração, cada judeu, em cada época, não está simplesmente estudando uma tradição transmitida ao longo da história. Em vez disso, é como se ele estivesse ouvindo as palavras diretamente de sua fonte original, exatamente como foram dadas no Sinai.
Assim como a primeira geração sabia com certeza como deveria viver, também cada geração pode ouvir a voz da Torá falando diretamente às realidades de seu próprio tempo.
Essa compreensão está na base da fé de todo judeu. D’us renova continuamente a obra da Criação a cada dia, e a própria existência do mundo repousa sobre a sagrada Torá, por meio de cujas letras e combinações de letras o mundo foi criado. Portanto, nada é mais relevante do que a Torá. Suas leis, valores, integridade, moralidade e os princípios sociais que ela inculca acompanham a humanidade ao longo das gerações. À medida que o mundo continua a avançar e se desenvolver, torna-se cada vez mais claro que a Torá é, de fato, uma Torá da Vida, proporcionando um caminho reto e duradouro para todos que a abraçam – e nada poderia ser mais relevante do que isso.
never again
Shabat shalom/Chaverim, é da maior importância que leiamos e assinemos a proposta legislativa acima, que ainda conta com apoio restrito, mas que facilitará enormemente a vida dos Judeus no Brasil! ASSINEM! APÓIEM!!!! DIVULGUEM!!!!
worldjornalistaandrehmendan.online
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