Rav David Ashear
Diz o passuk: “בנים אתם לה’ אלוקיכם — Vocês são filhos de Hashem”. E, como filhos, precisamos compreender o quanto somos preciosos para o nosso Pai. Hashem anseia por estar perto de nós. Ele deseja ter uma relação íntima com cada um de Seus filhos. Quando nos conectamos à Torah, conectamo-nos a Hashem; quando nos afastamos da Torah, desconectamo-nos Dele.
Os livros sagrados nos ensinam que Hashem, como se fosse, “sofre” quando nos afastamos Dele. Temos a capacidade de causar צער — dor e angústia — à Shechinah, a Presença Divina. Hashem é nosso Pai. Ele nos ama profundamente, cuida de nós e nos dá tudo o que temos. Tudo o que Ele quer é que estejamos próximos Dele. Cabe a nós decidir se corresponderemos a esse amor.
Deveria nos incomodar quando vemos outro Yehudi afastado da Torah e das Mitzvot. Deveríamos sentir a dor de Hashem por essa pessoa e desejar, acima de tudo, que ela retorne para Ele.
O passuk diz: “רחל מבכה על בניה — Rachel chora por seus filhos”. Rachel, que é um remez (uma alusão) à Shechinah, chora por seus filhos. “מאנה להנחם — ela se recusa a ser consolada; כי איננו — porque eles não estão com ela.”
Baruch Hashem, hoje existem muitas pessoas que fizeram Teshuvah e voltaram a se aproximar a Hashem, mas isso ainda não é suficiente. Precisamos que todos retornem e devemos fazer o que estiver ao nosso alcance para ajudá-los. Se conseguirmos ajudar até mesmo uma única pessoa a se aproximar da Torah, estaremos aliviando um pouco da dor da Shechinah.
O livro Ki Atah Imadi narra uma história contada pelo Rav David Braverman. Um Talmid Chacham, que tinha formado uma bela família, tinha um filho que estudava em uma das Yeshivot mais importantes de Israel. Ele era um dos melhores alunos dessa Yeshivah. Aos 22 anos, já havia concluído todo o Shas. No entanto, esse rapaz fez amizade com alguém que o levou para fora do caminho da Torah e, hoje, lo alênu, ele não observa mais nada.
Ele abandonou a família, deixou seu Tefilin para trás e se mudou para um bairro não religioso. Seus pais, destroçados, tentaram de tudo para trazê-lo de volta, mas ele se recusava até mesmo a falar com eles.
O pai procurou o Rav Braverman chorando e perguntou o que poderia fazer, pois já não conseguia continuar vivendo daquela maneira.
O Rabino perguntou se ele tinha outros filhos. “Sim — respondeu o homem. — Tenho mais nove. Cinco são casados, os outros estudam em Yeshivot, e, baruch Hashem, todos são bnei Torah.”
Então o Rav Braverman disse, “Talvez o senhor possa enxergar o copo como três quartos cheio. Talvez isso possa lhe trazer algum consolo.”
O pai ficou indignado. “O senhor quer que eu me console com meus outros filhos? Há três anos não consigo ficar bem. Não tenho dias nem noites. Não tenho Shabat nem festas. Meu coração está sempre com meu filho. Todas as manhãs, abro o armário e, quando vejo o Tefilin dele ali, começo a chorar. Na noite de sexta-feira, enquanto recito o Kidush, mal consigo terminar sem cair no choro.”
“Um dia, descobri onde meu filho estava morando. Fui até lá, mas ele não me deixou entrar. Então lhe disse: “Vou me sentar no banco público do outro lado da rua e esperar até você voltar para mim.” Eu estava com o meu Tefilin e preparado para ficar ali por muito tempo. Quando anoiteceu, começou a fazer muito frio, mas não saí do lugar. Dormi no banco. Vi meu filho abrir as cortinas para olhar para fora, mas ele imediatamente as fechou. Ele sabia que seu pai estava no frio, dormindo em um banco, mas seu coração havia se transformado em pedra.”
“Fiquei ali durante uma semana inteira, dia e noite. Minha família implorava para que eu voltasse para casa, mas eu não ia. Tinha certeza de que meu filho chegaria a um ponto em que não suportaria mais me ver daquela maneira. Mas isso nunca aconteceu. Por fim, voltei para casa despedaçado. Meu coração está com ele o tempo inteiro, e o senhor quer que eu encontre consolo em meus outros filhos?”
O livro Ki Atá Imadi conclui dizendo que, de alguma forma, essa história se aplica a todos nós.
Nosso Pai, por assim dizer, está fora de Sua casa, sentado em um banco público. Ele espera que nós, Seus filhos, retornemos para Ele. Espera que façamos Teshuvah e deixemos que Ele faça parte da nossa vida.
Ele quer trazer o Mashiach. Ele quer estar perto de nós, mas somos nós que O impedimos. Cada um de Seus filhos é importante para Ele. E, se há algo que possamos fazer para “ajudar” nosso Pai, devemos fazê-lo. Seja melhorando a nós mesmos, seja ajudando outra pessoa a se aproximar Dele.
Não importa o tamanho dos nossos passos, até os menores que damos, são extremamente preciosos para Hashem.
Fonte: Emunah Todo Dia
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