Por rabino Nechemia Coopersmith
Por que sentimos maior satisfação quando exercemos nossa independência e fazemos as coisas nós mesmos?
Na semana passada, fiz algo chocante. Em vez de chamar um profissional, consertei o teto da nossa cozinha, que estava com manchas de água horríveis e bolhas de tinta descascando.
Todos nós temos nossos pontos fortes, e os meus não incluem arregaçar as mangas para consertar a torneira quebrada, o vaso sanitário com vazamento ou o armário solto. Sou o oposto de habilidoso em trabalhos manuais.
Depois de mais de um ano em que a primeira coisa que se via ao entrar em casa eram danos causados pela água, finalmente decidi tomar as rédeas da situação e raspar, aplicar massa corrida, lixar e pintar o teto sozinho, fazendo uma etapa por noite.
Minha esposa e meus filhos observavam com espanto e certa perplexidade enquanto eu trazia para casa todas as ferramentas e materiais necessários.
O teto branco e imaculado agora é a minha parte favorita da nossa casa.
Não é perfeito – longe disso – mas é bonito. Liso (mais ou menos), branco, limpo e fresco. E o melhor de tudo, eu mesmo fiz.
Por que sentimos maior prazer ao fazer as coisas nós mesmos? O Talmud ensina: “Uma pessoa prefere ter uma parte de seu próprio produto a nove partes pertencentes a outra pessoa” ( Bava Metzia 38a ). Não importa que seja inferior; é meu. Sinto mais satisfação porque eu mesmo o cultivei.
Quando nos dedicamos a algo, investindo nosso sangue, suor e lágrimas, a relação que temos com esse objeto se aprofunda. Torna-se parte de mim. Um pai que se vê em seu filho, o artista que se vê em sua pintura, o estudante com dificuldades que corre para casa para mostrar aos pais a nota máxima que tirou na prova – todos sentem que essas obras são extensões de si mesmos.
Quando algo lhe é dado de bandeja, sem nenhum trabalho ou investimento necessário, há menos investimento e, portanto, menos prazer. “Papai”, diz o garoto rico mimado, “alguém bateu no meu carro e eu preciso de um novo”. O que vem fácil, vai fácil. Sua relação com o carro é casual, superficial.
Temos um desejo intenso de sermos independentes, de nos libertarmos de tudo e de todos que nos aprisionam, de sermos nós mesmos.
Pão Místico da Vergonha
Imagine um recém-formado em MBA, vamos chamá-lo de Jake, que está batalhando para conseguir seu primeiro emprego. Uma grande empresa de tecnologia o chamou para uma entrevista de emprego, e ele fica sabendo que o próprio CEO conduzirá a entrevista. Jake está muito animado.
A entrevista não poderia ter corrido melhor, e o CEO ofereceu a Jake o emprego dos seus sonhos. Ele estava radiante. Na saída, o CEO passou o braço em volta de Jake e disse: “Bem, Jake, um filho de Frank é como um filho meu! Quando seu pai me ligou para contar sobre sua situação, eu disse que, é claro, o ajudaria.”
Um golpe baixo no estômago.
Essa sensação de decepção é chamada, na terminologia cabalística, de “o pão da vergonha”. Não suportamos que as coisas nos sejam dadas de bandeja. Nosso propósito reside no desafio e no esforço que precisamos despender para alcançar nossos objetivos.
É por isso que D’us criou a humanidade com livre-arbítrio. Não faria sentido criar bilhões de robôs, mesmo que fossem programados para cumprir as ordens de D’us. O livre-arbítrio nos dá a capacidade de sermos como D’us, de sermos uma força independente e criativa. Aliás, essa é a razão mais profunda pela qual exercer nossa independência e realizar coisas com base em nosso próprio mérito e esforço é tão gratificante e prazeroso. Estamos sendo como D’us, que é livre e independente.
Minha esposa me disse que o vaso sanitário precisa de conserto. Quem sabe? Talvez eu ainda aprenda a usar uma pistola de silicone. Coisas mais estranhas já aconteceram.
Fonte: Aish Hatorah
never again
Shabat shalom/Chaverim, é da maior importância que leiamos e assinemos a proposta legislativa acima, que ainda conta com apoio restrito, mas que facilitará enormemente a vida dos Judeus no Brasil! ASSINEM! APÓIEM!!!! DIVULGUEM!!!!
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