BOM DIA! Quem viveu em Miami Beach entre as décadas de 1970 e 1990 provavelmente selembra da Mark’s Quality Cleaners, uma lavanderia localizada na Rua 20. Eram famosos pela promessa de entrega no mesmo dia: “Entregue até as 10h, pronto às 17h”.Quando criança, lembro-me de ver um cartaz muito grande pendurado na parede do fundo, ao lado de todas as máquinas: “Nada de ‘amanhã’ — faça hoje mesmo!!!”. Graças a esse cartaz, associei o conceito de realizar tarefas imediatamente ao sucesso nos negócios.Da mesma forma, ganhei um livro de Fábulas de Esopo no meu Bar Mitzvah; uma coleção de 2.500 anos de pequenas histórias com lições morais e animais falantes que ensinam sobre o comportamento humano.Uma delas é a história da cigarra e da formiga.Resumindo: durante todo o verão, quando a comida era abundante, a formiga trabalhava duro para estocar alimentos, enquanto a cigarra passava o tempo dançando e cantando. Quando o inverno chegou, a formiga estava segura no subsolo, aquecida e com fartas reservas de comida. A cigarra, faminta, foi procurar a formigae implorou por comida, mas a formiga recusou. A lição é: “não seja preguiçoso; prepare-se agora para o futuro”.Como costuma acontecer com as verdades universais da vida, a filosofia judaica já havia dito isso antes — e de forma mais profunda. No livro de Provérbios — a obra ética dedicada ao aprimoramento do caráter, escrita pelo Rei Salomão 4 séculos antes das Fábulas de Esopo — encontramos: “Olhe para a formiga, ópreguiçoso; considera os seus caminhos e seja sábio. [A formiga], que não tem chefe nem capataz nem governante, ainda assim provê o seu pão no verão e ajunta a sua comida na colheita. Até quando dormirás, ó preguiçoso? Quando te levantarás do teu sono?” (Provérbios 6:6-9).Rabeinu Bahie ibn Asher, conhecido comentarista da Torá (Espanha, 1255-1340), sempre introduz a porção semanal da Torá com um versículo de Provérbios e o utiliza como tema para seu comentário. O versículo que ele escolheu para a porção da Torá desta semana é: “O preguiçoso não lavrará a terra por causa do frio; por isso, mendigará na colheita e nada terá”.Ele explica que faz parte da natureza humana recorrer à inação e que existem 4 áreas na vida em que as pessoas são preguiçosas: 1) preguiça no próprio lar; ele cita o exemplo de um vazamento no telhado — se você o ignora quando é pequeno, acabará tendo de substituir todo o telhado e perderá TODO o seu dinheiro;2) preguiça em relação ao corpo; não se alimentar ou exercitar adequadamente, o que leva à deterioração física; 3) preguiça em relação à alma; negligenciar o próprio aprimoramento; e 4) preguiça na Torá, nas mitsvot (mandamentos) e nas boas ações; a hesitação leva à apatia e ao desinteresse.O Rei Salomão — que claramente tinha muito a dizer sobre as virtudes da diligência e os males da preguiça — faz (mais adiante em Provérbios 26:13) uma afirmação bastante enigmática: “O preguiçoso diz que há um leão no caminho”.À primeira vista, isso parece muito estranho: se realmente há um leão na estrada, então ele não épreguiçoso – está sendo prudente porque é perigoso se aventurar lá fora. Se não há leão na estrada, então ele não é preguiçoso – está iludido. Por que o Rei Salomão o caracterizaria como preguiçoso?A resposta é que não há leão – a pessoa preguiçosa encontrará qualquer desculpa possível para não fazer algo e tratará isso como um obstáculo intransponível (ou até mesmo perigoso). Pessoas preguiçosas encontram desculpas, enquanto pessoas motivadas encontram soluções.Um dos maiores perigos da preguiça é que ela raramente se manifesta de forma dramática. Ela se insinua por meio de pequenas concessões: adiar uma tarefa para amanhã, escolher o entretenimento em vez do aprendizado ou se contentar com a mediocridade em vez de buscar a excelência. Cada decisão individual parece insignificante, mas juntas elas moldam hábitos, e os hábitos, em última análise, determinam o caráter.A excelência raramente é produto de momentos extraordinários; geralmente é o acúmulo de atos comuns realizados consistentemente. Da mesma forma, o fracasso costuma ser resultado de pequenos atos de negligência repetidos ao longo do tempo.A preguiça também tem um lado enganoso. Como aponta o comediante Steven Wright, “O trabalho árduo compensa no futuro, a preguiça compensa agora”. A preguiça promete conforto no presente, mas muitas vezes produz um desconforto ainda maior no futuro. O trabalho adiado não desaparece; ele se acumula e geralmente se intensifica. Nesse sentido, a preguiça é paradoxal: busca evitar a dor, mas acaba criando mais dor.O antídoto para a preguiça não é simplesmente trabalhar mais, mas sim focar em propósito e disciplina. O propósito aborda a importância do esforço, enquanto a disciplina possibilita a ação mesmo quando a motivação está ausente. As pessoas que consistentemente alcançam objetivos significativos nem sempre são as maistalentosas ou as mais inspiradas; muitas vezes são aquelas que aprenderam a agir de acordo com princípios, e não por impulso. Elas entendem que a motivação é passageira, mas os hábitos podem ser confiáveis.Em última análise, a preguiça tem menos a ver com inatividade do que com potencial não realizado. Cada indivíduo possui talentos dados por D’us, uma variedade de oportunidades e responsabilidades que só ele pode cumprir. Negligenciar esses dons significa diminuir não apenas a si mesmo, mas também as contribuições que poderia ter feito aos outros. Vencer a preguiça, portanto, é mais do que uma questão de produtividade; é a compreensão de que uma vida significativa é construída através de um ato bem pensado de esforço de cadavez.Creio que Rabeinu Bahie escolheu o tema da preguiça porque a porção da Torá desta semana começa assim: “Veja: hoje ponho diante de vocês a bênção e a maldição” (Deuteronômio 11:26).À primeira vista, a palavra inicial, “Ree – veja”, parece totalmente deslocada. Moisés não está instruindo a nação a observar nada visível. Não há nenhum espetáculo dramático se desenrolando diante deles. Em vez disso, ele os está informando sobre um evento futuro: as bênçãos e maldições que serão proclamadas posteriormente no Monte Guerizim e no Monte Eval, após a entrada na Terra de Israel.De fato, muitos comentaristas se incomodam com o uso da palavra “veja” aqui. Se a Torá tivesse desejado apenas comunicar informações, a expressão mais natural teria sido “Shemá – ouça” ou “Tishmeú – escutem”.Por que a Torá usa a linguagem da visão?Meu brilhante pai, o Rabino Yohanan Zweig, sugere que a Torá ensina uma profunda verdade sobre como os seres humanos processam a realidade. Ouvir e ver representam dois modos fundamentalmente diferentesde compreensão.Há muitas ideias que uma pessoa precisa compreender intelectualmente. Tais verdades exigem escuta atenta, reflexão e análise. Consequentemente, ao longo da Torá, encontramos a linguagem da audição:“Shemá Israel – Ouça, ó Israel”. Ouvir é a porta de entrada para a compreensão.Ver, no entanto, realiza algo completamente diferente. Uma pessoa pode compreender uma ideia perfeitamente e, ainda assim, permanecer totalmente indiferente a ela. Conhecemos inúmeros fatos que têm pouco impacto em como vivemos. Podemos saber que o exercício promove a saúde, que a bondade fortalece os relacionamentos e que a raiva os destrói. Contudo, o conhecimento por si só raramente transforma ocomportamento.Esta é a vantagem da visão. Algo que é visto torna-se imediato, concreto e emocionalmente envolvente.Deixa de ser uma proposição abstrata e passa a ser uma realidade vívida. Ver alguém emagrecer caminhando diariamente, um amigo levar o jantar para alguém que está passando por dificuldades, as constantes brigas entre vizinhos culminando em divórcio – tudo parece mais real. A visão supera a lacuna entre intelecto e ação.Essa distinção explica um ensinamento famoso de nossos Sábios: “Quem é o sábio? Aquele que vê o que irá nascer” (Pirkei Avot 2:9).Nossos Sábios poderiam simplesmente ter dito: “Aquele que compreende as consequências futuras”. Em vez disso, escolheram deliberadamente o verbo “vê”. Sabedoria é a capacidade de visualizar o futuro com tantaclareza que influencia as escolhas presentes.Todos sabemos que nossas ações têm consequências. A dificuldade não reside na ignorância, mas no imediatismo. O prazer do momento é tangível; a consequência permanece distante e abstrata.Consequentemente, os desejos do presente se sobrepõem às realidades futuras. Quem enxerga apenas o hoje sempre adia para o amanhã. No entanto, quem enxerga o amanhã age hoje.A pessoa sábia traz o amanhã para o hoje. Antes de proferir palavras que magoam, ela já enxerga orelacionamento danificado. Da mesma forma, antes de optar pela generosidade, pela paciência ou pela disciplina, ela enxerga as bênçãos que tais escolhas acabarão por produzir. É precisamente por isso que Moisés começa com a palavra ‘Ree’. Ele nos instrui a tornar o futuro tão vívido em nossas mentes que ele passe a reger nossas decisões presentes.Sob muitos aspectos, essa é a qualidade que define a maturidade. Uma criança vive quase inteiramente no presente. Um adulto aprende a adiar a gratificação porque consegue vislumbrar recompensas futuras. Uma pessoa verdadeiramente sábia amplia ainda mais essa visão, percebendo não apenas resultados materiais, mas também espirituais.Talvez seja por isso que o versículo usa o termo ‘haiom’ — “hoje”. Embora as bênçãos e as maldições muitas vezes se manifestem gradualmente, a escolha em si ocorre sempre no momento presente. Cada decisão que tomamos hoje contém em si as sementes do amanhã. O futuro não é criado de repente; ele nascede inúmeras escolhas feitas no presente!
Shabat shalom/Chaverim, é da maior importância que leiamos e assinemos a proposta legislativa acima, que ainda conta com apoio restrito, mas que facilitará enormemente a vida dos Judeus no Brasil! ASSINEM! APÓIEM!!!! DIVULGUEM!!!! worldjornalistaandrehmendan.online #נדרהמנדהה #Israel #andrehmendanhanettodasilva #jornalismo #judaísmomessiâniconãoexiste
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