De todo o coração – e bem#judaismomessiâniconãoexiste

27 Av 5786 10 de agosto de 2026
Parashat Shoftim 5786

Rabino Shmuel Rabinowitz, Rabino do Muro das Lamentações e Lugares Sagrados

Para muitas pessoas, um tamim – uma pessoa “simples” ou “ingênua” – é considerado alguém facilmente enganado, que acredita em tudo o que ouve e não exerce bom senso. No entanto, na linguagem da Torá, a palavra tem um significado completamente diferente. Tamim expressa integridade e completude.

O sacrifício oferecido no Templo tinha que ser tamim – íntegro e sem mácula. Yaakov, nosso ancestral, o escolhido entre os Patriarcas, também é descrito como um ish tam – um “homem de coração puro”, expressão que denota uma pessoa completa, íntegra e livre de defeitos morais. No judaísmo, portanto, ser tamim não é uma falha, mas uma grande virtude.

Essa ideia está expressa em um dos versículos centrais da porção da Torá desta semana, um versículo que transmite um princípio profundo da fé judaica.

A Torá descreve práticas que eram comuns no mundo antigo: recorrer a feiticeiros, magos, adivinhos e àqueles que afirmavam se comunicar com os mortos, na crença de que poderiam revelar o futuro ou controlar forças ocultas. Muitas pessoas eram atraídas por esses fenômenos porque pareciam possuir poder e influência. No entanto, a Torá os rejeita inequivocamente. Ela ensina que os seres humanos não possuem poder independente para alterar a realidade por meio de forças misteriosas e que tais práticas não são uma fonte genuína de conhecimento ou controle.

Nossos sábios estenderam essa proibição às superstições que se desenvolveram ao longo das gerações. Muitas vezes, até mesmo pessoas instruídas e inteligentes adotam práticas sem fundamento: uma camisa da sorte, uma sequência de ações que se acredita trazer sucesso, e assim por diante. É interessante observar que até mesmo aqueles que não acreditam no Criador podem se apegar a tais crenças. Como disse um pensador: “Não existe pessoa que não acredite em algo”. A questão é se a pessoa escolhe acreditar em uma verdade estável e fundamentada, ou em crenças que não têm base real.

De fato, após a Torá listar todas essas formas de feitiçaria e adivinhação, ela conclui com uma declaração curta, clara e inequívoca:

“Sejam totalmente dedicados ao Senhor, seu D’us.”
(Deuteronômio 18:13)

Rashi explica isso como um princípio fundamental da fé:

“Caminhe com Ele de todo o coração e anseie por Ele, sem se preocupar com o futuro. Em vez disso, aceite tudo o que lhe acontecer de todo o coração, e então você estará com Ele e compartilhará da Sua porção.”

À primeira vista, pode-se pensar que a sinceridade da qual a Torá fala é o mesmo tipo de ingenuidade que o mundo tende a menosprezar – como diz o ditado popular, “O tolo acredita em tudo”. Pode parecer que a Torá está pedindo à pessoa que não questione, que não investigue, mas simplesmente que aceite tudo. Por essa razão, ao longo das gerações, houve aqueles que retrataram os crentes como pessoas ignorantes e pouco inteligentes, que fazem cegamente tudo o que lhes é dito, sem pensar.

Mas esse não é o significado. A sinceridade de que a Torá fala é a plenitude interior e a confiança no próprio caminho. Uma pessoa íntegra não se deixa levar por qualquer ideia nova nem se impressiona com qualquer crença passageira. Uma vez que a pessoa estabelece para si mesma que existe um Criador do mundo, que Ele guia a realidade, nos deu a Torá e zela por cada detalhe, ela não precisa buscar outras fontes de segurança ou sucesso. Ela encontra estabilidade em um caminho firme que não muda com o espírito da época.

Um dos fundamentos que distingue a fé judaica é a sua ênfase no aprendizado, na investigação e na compreensão. Ao longo das gerações, desenvolveu-se um vasto corpo de literatura que busca explicar os fundamentos da fé, as razões por trás dos mandamentos e seus significados – desde a simples interpretação das Escrituras até os universos da filosofia judaica, da Cabala e do pensamento esotérico. Basta que uma pessoa faça perguntas e aprofunde-se no assunto, e, por fim, encontrará a resposta para tudo.

As superstições, por outro lado, geralmente se baseiam em hábitos, medos ou tradições populares, sem qualquer fundamento claro. Uma pessoa que precisa de amuletos, sinais da sorte ou diversos rituais para se sentir segura está, na verdade, revelando uma falta de segurança interior. A pessoa verdadeiramente plena encontra sua segurança na fé no Criador do mundo e, como resultado, seu coração está mais em paz.

Essa ideia também foi expressa pelo grande Rabino Levi Yitzchak de Berditchev:

“O princípio é que o caminho do Criador, bendito seja Ele, é fazer o bem, especialmente para com Israel, Seu povo próximo e amado, que são chamados filhos de D’us. Certamente, um pai satisfaz as necessidades e os desejos de seu filho antes mesmo que o filho precise pedir. E uma pessoa que tem tal fé no Criador certamente terá suas necessidades satisfeitas. Este é o significado implícito nas palavras: ‘Sereis totalmente dedicados ao Senhor’: quando alcançardes um estado de plenitude, quando tiverdes fé no Criador, bendito seja Ele, de que Ele certamente satisfará as vossas necessidades, então sabereis que de fato estais ‘com o Senhor vosso D’us’ – que certamente, o Senhor está convosco.”
(Kedushat Levi, Parashat Shoftim)

Suas palavras iluminam um princípio profundo: quanto maior a sinceridade de uma pessoa, mais próxima se torna sua relação com D’us. Uma pessoa que crê de todo o coração merece, nas palavras do Rabino Levi Yitzchak, que D’us a acompanhe e lhe conceda Sua bondade.

Assim, fica claro que ser um “judeu de coração puro” é um título de honra. Descreve uma pessoa que encontrou um caminho estável e claro e não se deixa abalar por qualquer ideia passageira ou tendência espiritual em constante mudança. Precisamente essa integridade – em seu sentido mais profundo de plenitude – cria um vínculo íntimo com o Criador e proporciona estabilidade à pessoa ao longo da vida. De uma perspectiva mais ampla, muitas vezes fica evidente que a pessoa que não corre atrás de todas as novidades, mas permanece fiel ao caminho que escolheu cuidadosamente para si, é aquela que, em última análise, vai mais longe do que todos aqueles que se orgulham de sua sofisticação.

Contudo, não devemos esquecer as palavras do Rabino Naftali de Ropshitz:

“A sinceridade é maior que a sabedoria, mas grande sabedoria é exigida de um judeu antes que ele alcance o nível de ‘Serás sincero com o Senhor teu D’us’.”

never again

Shabat shalom/Chaverim, é da maior importância que leiamos e assinemos a proposta legislativa acima, que ainda conta com apoio restrito, mas que facilitará enormemente a vida dos Judeus no Brasil!  ASSINEM! APÓIEM!!!! DIVULGUEM!!!!
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