BOM DIA! Foi feito um estudo pelo psicólogo-clínico americano Dr. Peter Ditto sobre como a motivação e a emoção influenciam o julgamento. Eis sua conclusão: “Vivemos em um mundo onde existem fatos ‘azuis’ e fatos ‘vermelhos’, e acredito que esses processos tendenciosos de raciocínio alimentam osconflitos. Se alguém acredita firmemente que algum fato é verdadeiro e você acredita ser falso, é difícil para qualquer um de vocês não ver a outra pessoa como estúpida, falsa ou as duas coisas”.Em outras palavras: muitas pessoas tendem a ver os fatos reais como evidências e provas queconfirmam o que desejam acreditar. Isso também se torna um processo cíclico pelo qual, ao formar novas convicções pessoais, frequentemente interpretam evidências factuais por meio do filtro de seus valores, sentimentos, gostos e experiências passadas.Isto mostra a vulnerabilidade que todos temos de interpretar os fatos objetivamente e não para quese encaixem na narrativa que queremos manter. Com isso em mente, consideremos o quão difícil deve ser para os juízes determinarem adequadamente a intenção de alguém ao julgar os casos que vêm a eles.Além disso, também têm que lutar contra suas próprias crenças e tendências pessoais ao decidir o que é um fato e o que ele realmente significa.A porção desta semana da Torá é chamada Shoftim – “Juízes”, e nela a Torá nos ensina uma visão importante sobre este assunto:Você não deve perverter o julgamento, não deve mostrar favoritismo e não deve aceitar suborno, porque o suborno cega os olhos dos sábios e distorce as palavras justas (16:19).A parashá desta semana exorta os juízes a repudiarem subornos. Porém, surge a pergunta: para quem exatamente essa proibição foi escrita? Seria meio sem sentido dizer a um juiz desonesto: “A propósito, você não deveria aceitar subornos”. Um juiz desonesto fez sua escolha e optou por ignorar as questões morais. Por outro lado, um juiz honesto entende inatamente que aceitar um suborno prejudica todo o sistema de justiça e obviamente rejeitará qualquer tipo de suborno. Então, a quem essa proibição é dirigida?Rashi, o grande explicador da Torá, também ficou incomodado com esta pergunta e fez umcomentário bastante curioso: “Um juiz está proibido de aceitar suborno ‘até para julgar um caso honestamente’”.Qual é exatamente o caso a que Rashi está se referindo? Se ele está julgando o caso corretamente, qual é precisamente o problema? Talvez ainda mais intrigante: por que alguém iria querer pagar a um juiz para decidir corretamente? Qual seria uma razão convincente para oferecer dinheiro a um juiz em tal situação?Rashi está aludindo a uma situação notável e bastante tentadora. Imagine que um dos litigantes aborda o juiz com a seguinte solicitação: “Meritíssimo, sou uma pessoa honesta e evidentemente quero que julgue este caso de maneira justa. Claro, sinto que tenho razão e tenho direito a receber dinheiro da outra parte. Mas reconheço plenamente que posso ser tendencioso e que minha alegação pode estar errada. Em tal situação, eu NUNCA iria querer o dinheiro da outra parte”.E continua: “Entendo que o senhor tem muito stress em sua vida e que precisa um salário maior para sobreviver. Sei que o senhor dirige um Uber de noite para ganhar um dinheiro extra. Minhapreocupação é que Vossa Excelência possa estar cansado de todas essas horas extras de trabalho e é provável que não tenha a paz de espírito para dar a este caso a atenção adequada que merece”.“Sob nenhuma circunstância, D’us me livre, eu iria querer um dinheiro que não pertença a mim.Portanto, permita-me dar-lhe dinheiro suficiente para que o senhor possa se concentrar exclusivamente neste caso e não ter que aceitar outro emprego. Todavia, reitero respeitosamente que estou apenas fazendo isso para que Vossa Excelência possa dar a devida atenção e julgar esta causa corretamente”.A razão pela qual esta é uma forma tão sinistra de suborno é porque é tão sutilmente inteligente eum juiz desesperado, mesmo sendo honesto, pode realmente considerar tal oferta: parece honesta, direita e correta.Como vimos acima, as pessoas tendem a ver os fatos com base em noções e conceitospreconcebidos, e os juízes não são exceção a essa regra. A Torá, portanto, adverte até mesmo os juízes honestos para não serem enganados por alguém que está tentando manipular a realidade de como o juiz a percebe.A razão pela qual o caso apresentado por Rashi é tão traiçoeiro é que, mesmo se o juiz recusar, narealidade o litigante já conseguiu provar-lhe que ele é um ‘cara bom’ e bem intencionado. Isso por si só pode afetar o resultado do caso, porque o juiz agora tem uma noção de que esse litigante é uma pessoa honesta. Vem, então, a Torá e instrui os juízes a repudiarem todos os tipos de suborno.Também podemos aprender uma valiosa mensagem daqui: percepções preconcebidas são uma forma perigosa de julgar as realidades. Como vimos, a deslealdade às vezes surge no encanto de uma pessoa honesta com sua mão estendida oferecendo ajuda. Devemos ter em mente sempre que devemos dar aos outros o benefício da dúvida até que tenhamos evidências independentes do contrário.Em geral, a maneira mais eficaz de evitar a armadilha de querermos confirmar nossas próprias crenças e ideias é examinar cuidadosamente cada situação por seus próprios méritos. Lembremo-nos: o sal e o açúcar têm a mesma aparência. É extremamente importante entender que quanto mais tirarmos conclusões precipitadas, maior a probabilidade de errarmos. Talvez seja por isso que em Pirkei Avot – olivro “Ética de Nossos Antepassados” – a primeira lição é: “Seja minucioso e ponderado no julgamento”!

Rav Ytzchak Zweig
Fonte: Meor HaShabat

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never again🇧🇷

Shabat shalom/Chaverim, é da maior importância que leiamos e assinemos a proposta legislativa acima, que ainda conta com apoio restrito, mas que facilitará enormemente a vida dos Judeus no Brasil! ASSINEM! APÓIEM!!!! DIVULGUEM!!!!
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