O que transforma uma mitsvá de uma obrigação em uma expressão de uma verdadeira conexão com D’us? Descubra como a alegria pode transformar o ato de dar, servir a D’us e a maneira como entramos no novo ano.
Rabino Shmuel Rabinowitz, Rabino do Muro das Lamentações e Lugares Sagrados
A Parashá Ki Tavo começa com um apelo à alegria. Esta instrução vem depois do mandamento referente aos bikkurim – as primícias das Sete Espécies que cresciam nas árvores – e à sua apresentação no Templo.
“E vocês se alegrarão com todo o bem que o Senhor, o seu D’us, lhes deu, a vocês e às suas famílias, a vocês, levitas, e ao estrangeiro que está no meio de vocês.”
(Devarim 26:11)
A Torá exige que uma pessoa se alegre com toda a bondade que lhe foi concedida. A alegria não é apenas um sentimento privado no coração de uma pessoa; ela também se expressa compartilhando com os outros a bondade que lhe foi dada.
Encontramos uma ideia semelhante logo em seguida, na mitzvá de ma’aser ani – o dízimo para os pobres. Esta mitzvá exige que o dono de um campo, no terceiro e sexto anos do ciclo de sete anos da Shemitá, separe um décimo de sua produção e o dê aos pobres. A Torá não basta apenas no ato de dar. A maneira como isso é feito também tem significado. Como Rashi cita as palavras da Mishná a respeito do versículo:
“Eu fiz tudo o que me ordenaste” – regozijei-me e trouxe alegria através disso.
(Mishná, Ma’aser Sheni 5:12)
Uma pessoa pede ao Criador que lhe conceda bondade porque se alegra em cumprir a mitsvá, e também trouxe alegria a outra pessoa por meio dela, com semblante afetuoso e coração generoso.
Há uma grande diferença entre uma pessoa que dá porque não tem escolha e uma pessoa que dá por alegria. A primeira executou o ato; a segunda revelou, por meio do ato, o que se passa em seu coração.
Alegria revela que a mitsvá não é meramente uma obrigação externa, mas uma expressão de amor pelo Criador e de confiança de que o caminho da Torá não tira a bondade de uma pessoa, mas sim a conduz a ela.
Quando alguém oferece a outra parte dos frutos do seu trabalho, isso pode gerar algum ressentimento. Afinal, essa pessoa investiu seu tempo, sua força e seu esforço. Por que deveria dar parte disso a outra pessoa?
É precisamente aí que a alegria é posta à prova.
Se uma pessoa dá com um sentimento caloroso e acolhedor, sentindo-se privilegiada por cumprir a vontade do Criador, ela revela que sua relação com D’us não é uma transação de dar e receber, mas sim uma relação de fé absoluta – que mesmo ao dar, ela não perde, e seu verdadeiro ganho está em cumprir a vontade do seu Criador.
Por essa razão, mais adiante na parashá, depois de serem mencionadas as 98 maldições que podem recair sobre aqueles que não observam os mandamentos do Criador, a Torá aponta para um fator particularmente surpreendente como a raiz dos problemas e dificuldades que acometem uma pessoa:
“E todas estas maldições virão sobre vós… porque não servistes ao Senhor vosso D’us com alegria e com coração contente, em meio à abundância de tudo.”
(Ibid., 28:45–47)
Essa afirmação é intrigante, visto que a alegria é percebida pela maioria das pessoas como um luxo, e não como uma exigência tão séria e vinculativa que alguém que se abstenha dela mereça sofrer todas essas maldições.
A explicação é a seguinte: imagine uma pessoa dizendo a um amigo íntimo: “Eu te amo muito”, mas seu rosto está inexpressivo, sua voz é fria e ele parece distante. Será que o amigo acreditaria nele? Quando uma pessoa realmente ama alguém e está em sua companhia, esse amor é evidente em suas expressões faciais e linguagem corporal.
O mesmo se aplica ao serviço a D-us. Uma pessoa pode cumprir as mitsvot por meio de ações externas, mas a questão que a Torá levanta é mais profunda: O que acontece dentro do seu coração quando você as realiza?
Uma pessoa que não se alegra com o que possui e que tem dificuldade em servir a D’us “com alegria e com um coração contente” carece de algo mais profundo. Não se trata apenas da ação em si, mas da conexão interior com Aquele que lhe ordenou realizá-la. E esta é uma das maldições mais difíceis de todas: viver uma vida em que as ações externas e o mundo interior não estão em sintonia.
Essa é precisamente a mensagem do mês de Elul.
Segundo os ensinamentos do Chassidismo, Elul é um mês de alegria, o mês em que “o Rei está no campo” – perto de cada pessoa. É um tempo em que a pessoa recebe uma nova oportunidade para mudar, purificar o passado e começar uma nova página.
Por essa razão, a parashá lida durante esses dias ensina uma mensagem clara: antes de entrar no novo ano, aprenda a se alegrar com quem você é e com o caminho que escolheu. Alegre-se com o privilégio de ser judeu e com a oportunidade de cumprir os mandamentos do Criador. Alegre-se com a bondade que lhe foi dada – e, acima de tudo, alegre-se mesmo quando você compartilha um pouco dessa bondade com outra pessoa.
never again
Shabat shalom/Chaverim, é da maior importância que leiamos e assinemos a proposta legislativa acima, que ainda conta com apoio restrito, mas que facilitará enormemente a vida dos Judeus no Brasil! ASSINEM! APÓIEM!!!! DIVULGUEM!!!!
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