Rav David Ashear
Segundo o Ramban, ao falar da Mitzvah de Teshuvah, a Torah afirma:
כי קרוב אליך הדבר מאד בפיך ובלבבך — a Teshuvah está muito próxima de nós, ao alcance da nossa boca e do nosso coração. Quando se trata de pecados entre nós e HaShem, isso é compreensível.
Mas e quando se trata de pecados entre uma pessoa e outra? Se alguém tirou dinheiro de outra pessoa, mas não consegue encontrá-la para devolver, como poderá fazer Teshuvah apenas com o coração e com a boca? Ou então, se prejudicou alguém que se recusa a perdoá-lo, como poderá alcançar a Teshuvah?
Rav Zalman de Volozhin se esforçou muito para encontrar uma pessoa que ele havia ofendido em sua juventude, mas não conseguiu achá-la. Ele começou a chorar, pensando que não seria perdoado. O Gaon de Vilna soube disso e lhe disse: quando uma pessoa faz tudo o que está ao seu alcance para corrigir um pecado, HaShem enviará ajuda dos Céus para repará-lo, mesmo que seja um pecado de bein adam lechavero, entre uma pessoa e outra.
O Chovot HaLevavot escreve no Shaar HaTeshuva, capítulo 10, que, se alguém roubou dinheiro, mas se arrepende sinceramente e deseja devolvê-lo, porém não possui os recursos para pagar, HaShem lhe dará o dinheiro para que possa fazer Teshuvah.
O Chovot HaLevavot escreve, também, que se uma pessoa prejudicou outra, mas tem um desejo verdadeiro de fazer Teshuvah, HaShem colocará sentimentos de misericórdia no coração da outra pessoa para que ela a perdoe. Desde que exista um verdadeiro ratzon, uma vontade sincera, em nosso coração, HaShem nos ajudará a fazer a Teshuvah que precisamos para sermos perdoados.
O Rav Shmuel Travis contou uma história que aconteceu com ele cerca de 20 anos atrás. Um senhor já idoso, com mais de 90 anos, chamado Leib, rezava em sua sinagoga. O Sr. Leib havia se mudado para sua região, Rishon LeTzion, 15 anos antes, e rezava diariamente em sua sinagoga.
Um dia, o Sr. Leib perguntou ao Rabino se poderia falar com ele em particular. Contou que nem sempre tinha sido religioso e que crescer na Rússia foi muito difícil. Ele entrou no ramo de venda de couro com o irmão, mas os impostos eram extremamente altos. Eles então formaram uma sociedade com dez pessoas, o que os isentava desses impostos.
Porém, dentro dessa sociedade, fizeram algumas coisas irregulares, e um dos homens envolvidos era muito corrupto. Os irmãos tiveram de demiti-lo, mas, por vingança, esse homem contou à KGB sobre as práticas irregulares da empresa. Eles foram punidos de maneira impiedosa por seus crimes.
Depois, eles resolveram se vingar desse homem e contaram à KGB o que ele havia feito enquanto trabalhava na empresa. As autoridades foram extremamente duras com ele e lhe retiraram uma grande quantia de dinheiro.
O Sr. Leib disse ao Rabino:
— Eu não consigo viver em paz. Denunciei outro Yehudi por vingança e nunca recebi o perdão dele. Por favor, Rabino, farei o que for preciso. Eu só preciso ser perdoado.
O Rabino perguntou se ele sabia alguma coisa sobre aquele homem e sua família. O Sr. Leib respondeu que ouviu dizer que o homem tinha falecido havia mais de dez anos.
O Rabino disse que, tecnicamente, ele poderia pedir perdão junto ao túmulo daquele homem, na presença de um minyan, mas que também precisaria encontrar os herdeiros dele para devolver o dinheiro referente ao prejuízo que havia causado.
O Sr. Leib começou a chorar e disse que faria qualquer coisa para ser perdoado. O Rabino respondeu que discutiria o caso com outros Rabinos e pediu que o Sr. Leib voltasse na quarta-feira da semana seguinte.
Na semana seguinte, o Sr. Leib voltou já na terça-feira, com o rosto radiante. Disse ao Rabino que não precisava mais de nenhuma decisão rabínica, pois o problema havia sido resolvido.
E explicou. No domingo à noite, ele se sentiu febril e decidiu ir ao médico na manhã de segunda-feira. Rezou no primeiro minyan, como fazia habitualmente, e logo depois foi ao médico. O consultório ainda estava fechado, pois era muito cedo. Ficou esperando do lado de fora e viu outro homem aguardando em um ponto de ônibus ao lado.
Os dois começaram a conversar. Descobriu-se que aquele homem era do antigo bairro onde o Sr. Leib morava na Rússia. E não apenas isso: o Sr. Leib descobriu que a esposa daquele homem era filha justamente da pessoa de quem ele tentava conseguir o perdão!
Ele foi com aquele homem até sua casa e contou à esposa toda a história. Ela disse que se lembrava do episódio e sabia exatamente quanto dinheiro a KGB havia tirado de seu pai.
Contou também que tinha três irmãos na Rússia, os outros herdeiros de seu pai, e deu ao Sr. Leib as informações de contato deles. O Sr. Leib tinha uma conta bancária na Rússia com dinheiro que não conseguiu trazer consigo, mas que podia transferir para pessoas que moravam lá. Na conta havia a quantia necessária para fazer a restituição integral aos herdeiros. Ele entrou em contato com eles e fez a transferência bancária, dividindo o dinheiro entre os três. Mais tarde, cada um enviou um recibo comprovando que havia recebido sua parte.
O Sr. Leib foi até o Rabino e mostrou os recibos.
Disse:
— Aqui está a minha prova de que consegui fazer Teshuvah.
E pediu ao Rabino que, quando chegasse sua hora, queria ser enterrado com aqueles recibos.
Esse homem tinha um desejo muito forte de fazer Teshuvah e chegou a derramar lágrimas para demonstrar isso. HaShem lhe deu a siyata d’Shamaya que precisava para encontrar justamente as pessoas que procurava.
A Teshuvah está muito próxima de nós; está em nosso coração e em nossa boca. Tudo o que precisamos é de um desejo verdadeiro e forte de realizá-la.
Fonte: Emunah Todo Dia
never again
Shabat shalom/Chaverim, é da maior importância que leiamos e assinemos a proposta legislativa acima, que ainda conta com apoio restrito, mas que facilitará enormemente a vida dos Judeus no Brasil! ASSINEM! APÓIEM!!!! DIVULGUEM!!!!
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