Responsabilidade Ambiental#judaismomessiâniconãoexiste

18 de Elul de 5786 (31 de agosto de 2026)

Parashat Nitzavim – Vayelech, 5786

Rabino Shmuel Rabinowitz, Rabino do Muro das Lamentações e Lugares Sagrados

Uma das características definidoras do mundo ocidental é a sua preocupação com as conquistas pessoais e a busca por um sucesso fenomenal. Bilhões de pessoas convivem lado a lado, vendo os outros como concorrentes pelo sucesso e como ameaças à sua privacidade.

Essa perspectiva cria um problema social fundamental. Uma sociedade saudável se baseia na ajuda mútua, na qual cabe ao mais forte apoiar o mais fraco e ajudá-lo a superar as dificuldades. Fundamenta-se na compreensão de que a roda gira: hoje eu te ajudo, e amanhã seu filho ajudará o meu. Mas quando cada pessoa está preocupada consigo mesma, não há tempo nem disposição para pensar nos problemas dos outros. Disso se desenvolve uma ideologia de suposta indiferença: as pessoas devem ser deixadas à própria sorte; não podem se tornar um fardo para a sociedade; e cada um é responsável por si mesmo.

A atitude de “deixe-me em paz”, em que a principal preocupação é que as coisas estejam bem para mim, é perigosa. No fim das contas, os problemas ao nosso redor também nos afetam e não podem simplesmente ser ignorados.

Essa abordagem também se evidencia em questões espirituais e morais. Aqui, em particular, desenvolve-se por vezes um tabu segundo o qual não se deve interferir na vida de outra pessoa, e ninguém tem o direito nem a autoridade de dizer a outrem o que é verdade ou o que é certo para si. Assim, as pessoas vivem segundo o princípio de “cada um faz o que lhe parece certo”, enquanto os valores morais se corroem gradualmente. O mundo iluminado, por vezes, prefere ignorar as consequências, desde que as coisas lhe sejam boas.

A Parashá Nitzavim, lida no período que antecede o Rosh Hashaná, proclama enfaticamente que a única maneira de garantir um bom e próspero ano novo e um mundo restaurado e melhorado é através do conceito de responsabilidade mútua.

Essa abordagem, conhecida mundialmente como “responsabilidade social”, baseia-se em uma parábola popular sobre um grupo de pessoas sentadas a bordo de um navio. Um dos passageiros pegou uma furadeira e começou a fazer um buraco no chão debaixo do seu assento. Os outros passageiros o viram e exclamaram em pânico: “O que você está fazendo?!”

Ele respondeu: “Por que você se importaria? Estou furando embaixo do meu assento, não do seu!”

Eles responderam: “Nós nos preocupamos com os danos, porque a água vai subir e afundar o navio inteiro, e todos nós vamos nos afogar junto com você.”

A compreensão de que, quando águas turvas invadem a casa de alguém, podem eventualmente inundar o mundo inteiro, é uma descrição da realidade humana. Este é precisamente o ponto de partida da ideia de responsabilidade mútua: não existe realmente algo como “apenas debaixo do meu assento”. O que acontece a uma pessoa pode, em última análise, afetar a sociedade como um todo.

Este conceito é o fundamento da abordagem judaica aos valores da verdade e à formação da alma interior. Não podemos deixar o mundo sem que ninguém assuma a sua responsabilidade, permitindo que cada um se comporte como lhe convém. No fim, o navio que transporta os nossos valores coletivos pode afundar, e o mundo pode chegar ao estado descrito na geração do Dilúvio, quando “a terra se encheu de violência”.

Para compreender a importância dessa ideia, a parashá começa com as palavras:

“Hoje vocês estão todos aqui diante do Senhor, o seu D’us: os seus chefes, as suas tribos, os seus anciãos e os seus oficiais — todos os homens de Israel. Os seus filhos, as suas mulheres e o estrangeiro que está no meio do seu acampamento, desde o lenhador até o aguadeiro.”
(Deuteronômio 29:9-10)

A Torá, que é meticulosa em cada palavra e formulação e não contém nada supérfluo, opta aqui por elaborar e enumerar todos os diferentes tipos de pessoas que compõem o povo judeu: líderes e pessoas comuns, homens e mulheres, adultos e crianças, nativos e convertidos. Todos estão juntos.

A mensagem é que a construção de um mundo reparado e melhorado não pode depender apenas de indivíduos. Todos são parceiros, todos são necessários e cada pessoa tem um lugar e um papel no esforço coletivo.

Esse compromisso assumiu um significado ainda maior quando o princípio da responsabilidade mútua foi restabelecido entre o povo judeu. A parashá descreve como Moisés, em seu último dia na Terra, reúne todo o povo judeu e lhes apresenta um novo estandarte da aliança com D’us. A partir desse momento, cada membro do povo judeu também seria responsável pelas ações dos outros. Nas palavras do Talmud:

“Todos os judeus são responsáveis uns pelos outros.”
(Talmude Babilônico, Sanhedrin 27b)

Uma vez renovado o princípio da responsabilidade mútua entre o povo judeu, deixou de ser uma questão de opinião pessoal. Quem tem a capacidade de influenciar aqueles ao seu redor e não o faz, assume a responsabilidade pelas consequências, como ensina o Talmud:

“Quem tem condições de protestar contra os membros de sua família, mas não o faz, será responsabilizado pelos membros de sua família; contra os habitantes de sua cidade, mas não o faz, será responsabilizado pelos habitantes de sua cidade; contra o mundo inteiro, mas não o faz, será responsabilizado pelo mundo inteiro.”
(Talmude Babilônico, Shabat 54b)

Qualquer pessoa que possua o conhecimento, as ferramentas e a capacidade de influenciar outras, tanto física quanto espiritualmente, tem a obrigação de se envolver e oferecer ajuda, principalmente àqueles que são influenciados por ela.

Toda a ideia está sintetizada nas belas palavras do Rabino Jonathan Sacks z”l, ex-rabino-chefe da Grã-Bretanha: “Não preciso que vocês concordem comigo; preciso que se importem comigo!” Não é necessário que todos pensem da mesma forma. Nem que todos vivam da mesma maneira. Mas é importante que todos se importem com as pessoas que estão na mesma situação que eles.

Esta é a importante mensagem que a Parashá Nitzavim nos ensina enquanto nos preparamos para o novo ano: não apenas cuidar de nós mesmos, mas também enxergar a pessoa ao nosso lado – porque, no fim das contas, estamos todos no mesmo barco. E este é o caminho mais seguro para um ano novo bom e feliz.

never again

Shabat shalom/Chaverim, é da maior importância que leiamos e assinemos a proposta legislativa acima, que ainda conta com apoio restrito, mas que facilitará enormemente a vida dos Judeus no Brasil!  ASSINEM! APÓIEM!!!! DIVULGUEM!!!!
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