BS”DSANTIDADE POR UM FIO – ROSH HASHANÁ 5787 (11/set/26)#judaismomessiâniconãoexiste

Certo dia, um homem de aproximadamente cinquenta anos entrou em uma Yeshivá para Baalei Teshuvá em Erets Israel, aproximou-se de um dos rabinos e disse: “Finalmente cheguei e estou pronto. Por favor, me ensine Torá”. O rabino o recebeu calorosamente, mas perguntou o que ele queria dizer ao afirmar “finalmente cheguei”. O homem então compartilhou sua extraordinária história:

– Minha mãe era uma sobrevivente do Holocausto que havia perdido toda a sua família. Desolada e sozinha, decidiu ir para Erets Israel, onde conheceu meu pai e experimentou, pela primeira vez, sentimentos de pertencimento. Casaram-se e mudaram para Tel Aviv. Pouco tempo depois tiveram a mim, e parecia que a vida dela finalmente começava a entrar nos trilhos. Mas, certo dia, inesperadamente, meu pai faleceu.

– Mais uma vez, minha mãe estava sozinha – continuou o senhor – mas, dessa vez, com uma criança pequena para cuidar. Infelizmente, ela não tinha condições emocionais nem recursos financeiros para cuidar de mim. Por isso, tomou a difícil decisão de me enviar a um orfanato. O mais próximo ficava em Bnei Brak e, embora ela não soubesse, havia me enviado para o “Ponevezh Batei Avos”, sob os cuidados do incansável Ponevezher Rav. Fui colocado sob os cuidados de uma equipe amorosa e dedicada, e floresci emocional e espiritualmente.

– Durante os primeiros meses, minha mãe não veio me visitar; provavelmente estava lidando com o próprio luto – o homem seguia falando, cada vez mais emocionado – Mas, certo dia, ela veio me visitar, e ficou chocada quando percebeu que havia me enviado para uma instituição religiosa. Imediatamente informou à equipe que iria me tirar de lá, pois jamais permitiria que seu filho recebesse uma educação religiosa. A equipe implorou, mas ela permaneceu irredutível. Naquele mesmo dia, ela me levou embora para Tel Aviv.

– Quando o Ponevezher Rav soube o que havia acontecido, ficou devastado – seguiu contando o homem – Ele vinha acompanhando meu progresso e compreendia o quanto seria prejudicial eu me separar da Torá. Na manhã seguinte, ele viajou até Tel Aviv e bateu à nossa porta. Minha mãe ficou bastante surpresa ao se deparar com aquele rabino de aparência tão sagrada. Ela o recebeu e ofereceu-lhe um lugar para sentar. O Rav fez tudo o que pôde para convencer minha mãe de que meu retorno ao orfanato seria o melhor caminho para mim. Explicou que era justamente a inspiração da Torá que proporcionava o calor humano e os cuidados daquela instituição. Minha mãe, porém, não se deixou convencer e insistiu que não havia possibilidade de eu voltar. O Ponevezher Rav ficou arrasado. Então, fez algo que eu jamais esquecerei enquanto viver. Ele colocou a cabeça sobre a mesa da cozinha e começou a soluçar inconsolavelmente. Durante dez longos minutos, o Rav chorou sem qualquer constrangimento. Todo o seu corpo tremia de profunda tristeza. Depois disso, ele enxugou os olhos, ajeitou o chapéu e o fraque e, calma e educadamente, saiu pela porta da frente.

– Por quase cinquenta anos, aquelas lágrimas nunca me deixaram – concluiu o senhor – Elas me acompanharam a cada passo da minha vida. Eu sempre soube, no fundo do meu coração, que aquelas lágrimas um dia me conduziriam de volta a tudo aquilo que o Ponevezher Rav representava. Minha jornada foi longa e complicada, mas finalmente estou pronto para voltar para casa!”

Pessoas podem passar uma vida inteira distantes da Kedushá. Mas, em algum lugar dentro delas, ainda há algo vivo. E uma única fagulha é suficiente para reacender um coração adormecido.

Este Shabat coincide com um dos dias mais solenes do Calendário Judaico: Rosh Hashaná, dia no qual todos os nossos atos passam diante de D’us. Rosh Hashaná é o início de um período chamado “Asseret Yemei Teshuvá” (Os 10 dias de arrependimento), que culminam com Yom Kipur, “o Dia da Expiação”. Esse detalhe desperta uma famosa pergunta: por que Rosh Hashaná vem antes de Yom Kipur? Logicamente, pareceria fazer mais sentido, e certamente seria mais vantajoso para nós, que o dia cheio de Misericórdia, quando somos perdoados por nossos pecados, precedesse o dia em que somos julgados por esses pecados!

O Rav Shimon Schwab zt”l (Alemanha, 1908 – EUA, 1995) responde a essa pergunta baseando-se em uma famosa passagem do Sefer Yehoshua. A primeira cidade conquistada por Yehoshua após entrar na Terra de Israel foi Yerichó. Era uma conquista importante e simbólica. Yehoshua enviou espiões para explorar a terra e, principalmente, trazer notícias sobre como os habitantes estavam sentindo a aproximação do povo judeu. Os espiões permaneceram na casa de uma mulher chamada Rachav. Ela os acolheu, os escondeu e os ajudou a escapar dos guardas quando se espalhou a notícia sobre a presença deles na cidade. Como os portões da cidade haviam sido trancados, ela os instruiu a escaparem através da janela, pendurados em uma corda, já que a casa dela ficava sobre o muro da cidade e a janela em questão estava voltada para o lado de fora.

Mas quem era exatamente esta mulher? Alguns comentaristas a descrevem como sendo a dona de uma hospedaria, frequentada pelos habitantes da cidade, baseando-se na semelhança entre a palavra utilizada no Tanach e a palavra “Mazon”, que significa “alimento”. Mas o próprio Talmud (Zevachim 116b) dá a entender que a leitura simples dos versículos é que Rachav era uma mulher de má reputação, pois a palavra utilizada pelo Tanach é uma derivação de “Zenut”, que significa “algo imoral”.

Rachav forneceu aos espiões as informações que eles queriam ouvir: “Eu sei que D’us lhes deu a terra, e que o seu temor caiu sobre nós… não restou mais espírito em nenhum homem” (Yehoshua 2:9,11). O Talmud (Zevachim 116a) então questiona como Rachav sabia esta informação, e responde que era com base em seu conhecimento pessoal. Ela havia vivido sem valores morais desde os dez anos de idade. Esse foi seu estilo de vida durante todos os quarenta anos em que os judeus vagaram pelo deserto. Durante esse período, não havia príncipe ou governante da região que não passasse por sua casa.

Naquele momento, aos cinquenta anos de idade, Rachav se arrependeu e se converteu ao judaísmo. Ela confessou a D’us que, durante seus anos de pecado, utilizava três recursos para trazer secretamente as pessoas para dentro e para fora de sua residência: a corda, a janela e o muro. Portanto, agora ela utilizou esses mesmos três elementos para ajudar os espiões a escaparem sem serem percebidos pelos guardas da cidade, salvando assim suas vidas. Ela pediu a D’us que fosse perdoada pelo uso inadequado que havia feito daqueles objetos, pelo mérito de que agora arriscava sua própria vida e os utilizava por uma razão digna.

Mas deste ensinamento surge uma pergunta interessante: o que significa que Rachav utilizava a corda, a janela e o muro para que as pessoas pecassem? Ela administrou uma casa de má reputação durante quarenta anos! Todos sabiam exatamente o que havia naquela casa. Não havia nenhuma razão para ter uma entrada secreta. Depois de quarenta anos, quem esses príncipes e reis estavam tentando enganar? O que estavam tentando esconder? Todos conheciam Rachav, uma mulher de comportamento imoral, e como era sua casa!

De acordo com o Rav Schwab, o Talmud está nos ensinando um dos fundamentos da Teshuvá. O que inspirou Rachav a fazer Teshuvá? O fato de ela ter percebido que, mesmo após quarenta anos no negócio, ainda havia pessoas com vergonha de entrar pela porta da frente de sua casa. Ainda havia pessoas com um mínimo de dignidade. Elas possuíam algum grau latente de moralidade que, ao menos, as impedia de cometer pecados de maneira aberta. Apesar de ser uma sociedade imoral, ainda havia indivíduos que possuíam ao menos um sentimento de culpa, um lembrete de que possuíam um “Tzelem Elokim” (Imagem Divina).

O Rav Yssocher Frand shlita explica que esse é o segredo da Teshuvá. Se eu acreditar que sou completamente sem valor, então não posso sequer começar a pensar em arrependimento. A Teshuvá só pode começar se eu não desistir de mim mesmo. Quando percebo que, em algum lugar profundo dentro de mim, ainda existe a dignidade humana, ainda existe algo sagrado, então posso utilizar esse sentimento para começar a jornada pelo caminho da Teshuvá. É isso que Rachav quis dizer quando se referiu à corda, à janela e ao muro.

Nossos sábios afirmam: “Não seja perverso aos seus próprios olhos” (Avót 2:13). É por isso que Rosh Hashaná deve preceder Yom Kipur. Para que uma pessoa possa iniciar o processo de Teshuvá, ela precisa primeiro perceber que possui valor. Ela precisa saber que é parte do povo judeu, que tem um Rei, e que é serva deste Rei. Sim, talvez eu não tenha sido um servo muito bom, mas pelo menos posso dizer que sou Seu servo. Se começássemos os “Asseret Yemei Teshuvá” simplesmente confessando todos os pecados que cometemos, nos sentiríamos esmagados pela nossa própria falta de valor. Por isso, a percepção de que existe um Rei, de que eu sou Seu servo e, portanto, de que possuo valor próprio, é um pré-requisito para o processo de Teshuvá.

Rachav viveu de forma imoral durante quarenta anos, mas depois da Teshuvá casou-se com Yehoshua bin Nun, o maior homem de sua geração. Tudo começou com sua reflexão sobre o muro, a corda e a janela, isto é, com o reconhecimento de que o ser humano, apesar de todos os seus erros, ainda possui santidade. Esse deve ser o início do caminho para a nossa Teshuvá.

SHABAT SHALOM E SHANÁ TOVÁ – QUE SEJAMOS INSCRITOS E SELADOS NO LIVRO DA VIDA

R’ Efraim Birbojm

never again

Shabat shalom/Chaverim, é da maior importância que leiamos e assinemos a proposta legislativa acima, que ainda conta com apoio restrito, mas que facilitará enormemente a vida dos Judeus no Brasil!  ASSINEM! APÓIEM!!!! DIVULGUEM!!!!
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