BOM DIA! Semana passada, recebi um gesto de incrível bondade de um amigo próximo — alguém que conheço há mais de 30 anos. Esse presente significa muito para mim, e começo a coluna desta semana incentivando todos os meus leitores a oferecerem aos outros esse mesmo presente. Qual o presente? Há alguns anos, fiz algo que, inadvertidamente, magoou uma pessoa; a dor foi tão intensa que ele rompeu todo contato comigo e deixou claro que qualquer nova comunicação da minha parte seria indesejada. Fiquei arrasado. Durante meses senti um aperto angustiante no estômago sempre que pensava nele e nos acontecimentos daquela época. Com o tempo, a dor aguda diminuiu um pouco e acabou se transformando em uma dor surda e constante. Na semana passada, inesperadamente, ele me ligou. Fiquei surpreso ao ver o nome dele no visor do telefone, pois ele havia deixado suas intenções muito claras — tanto por telefone quanto por escrito. Conversamos e ele me contou que sua esposa vinha insistindo para que ele superasse aquela questão, incentivando-o a me ligar para esclarecer as coisas. Tivemos uma conversa significativa e emocionante — no bom sentido. No final, ele aceitou meu pedido de perdão e demonstrou disposição para seguir em frente e restaurar nossa amizade. Senti como se um grande peso tivesse sido tirado do meu peito. Esse gesto de bondade da parte dele restaurou meu equilíbrio emocional. Também serviu como uma grande lição sobre o poder do perdão e como podemos mudar a vida de outras pessoas com esse ato simples (note que eu não disse “um ato fácil”). Por isso, incentivo todos que leem esta coluna a pensar em quem, em suas vidas, poderia receber esse presente e quais passos poderiam ser dados para concretizá-lo. De muitas maneiras, isso também será imensamente benéfico para a sua vida — eu garanto. Além disso, não há época do ano mais apropriada para isso, já que o Yom Kippur é um momento dedicado ao perdão. Yom Kipur começa no próximo domingo ao anoitecer, 20 de outubro e acaba cerca de 1 hora após o pôrdo-sol de 2ª feira. Conforme mencionado na semana passada, Rosh Hashaná inicia os Asseret Yemei Teshuvá – comumente traduzido como os Dez Dias de Retorno, que terminam em Yom Kipur – o Dia da Expiação. Este ‘retorno’ é um conceito único, um presente e uma bondade absolutos do Todo-Poderoso. A teshuvá oferece à humanidade aquilo que ninguém realmente acredita ser possível alcançar: a possibilidade de mudar o passado. O Rambam [Maimônides (Espanha e Egito, 1135-1204)] nos ensina que arrepender-se é uma mitsvá – um mandamento positivo. Em outras palavras: o próprio Todo-Poderoso está nos pedindo para voltarmos a Ele. Como veremos a seguir, há uma mensagem muito importante aqui, que devemos tentar internalizar. O próprio sucesso de realizarmos a essência de Yom Kipur só pode ser alcançado pela compreensão desse conceito.QUAL A ESSÊNCIA DE YOM KIPUR E COMO O OBSERVAMOS?A Torá declara: “Este será um decreto eterno para vocês: No 10º dia do 7º mês (contando a partir do mês hebreu de Nissán) vocês devem se afligir e não devem fazer nenhum trabalho, nem vocês nem os convertidos que estão com vocês. Neste dia, ele (o Cohen Gadol, o Sumo Sacerdote) deve expiar suas transgressões para purificálos. Perante D’us vocês devem ser purificados (Vaikrá 16:29-30)”.Há cinco ‘aflições’ (proibições) em Yom Kipur: comer (desde as 17:42 hs de domingo (dia 20) até as 18:36 hs de 2ª feira, dia 21 – Horário para S. Paulo), usar calçados de couro, relacionamento conjugal, passar cremes, desodorante, etc. no corpo e banhar-se por prazer.Yom Kipur, o Dia do Perdão, é o aniversário do dia em que Moshe trouxe as segundas Tábuas da Lei do Monte Sinai (as primeiras foram quebradas quando Moshe viu o povo idolatrando um bezerro de ouro). Isto significou que o Todo-Poderoso havia perdoado o Povo de Israel por terem feito idolatria. Dali para frente, este dia foi decretado como o dia para o perdão dos nossos erros. Entretanto, isto se refere às transgressões entre o homem e D’us. Transgressões entre o homem e o seu semelhante requerem que se corrija o erro e se peça perdão pelo prejuízo acarretado. Se alguém tirou algo de outra pessoa, não é suficiente sentir remorsos e pedir perdão ao TodoPoderoso; primeiro, deve devolver o que foi pego, pedir desculpas à pessoa lesada e só então pedir perdão ao Todo-Poderoso. D’us só perdoa uma pessoa pelos pecados cometidos contra outra após a parte ofendida aceitar o pedido de perdão do primeiro. O processo de teshuvá é composto de quatro partes. 1) Arrependimento: Devemos reconhecer o que fizemos de errado e nos arrepender. 2) Interrupção: Devemos parar de cometer a transgressão. 3) Confissão e devolução: Devemos confessar verbalmente e pedir ao Todo-Poderoso que nos perdoe. Devemos corrigir todos os erros que pudermos, incluindo pedir perdão àqueles a quem prejudicamos/magoamos – e fazer a devolução, se necessário. 4) Resolução: Devemos aceitar que não faremos isso novamente no futuro. Um componente-chave da liturgia destes dias é conhecido como os 13 Atributos Divinos da Misericórdia. Esta oração foi ensinada pelo próprio Todo-Poderoso a Moshe para que ele a ensinasse ao povo judeu como conseguir perdão. “E o Todo-Poderoso passou diante dele e proclamou: “HaShem, HaShem, onipotente, misericordioso e gracioso, lento em irar-se e abundante em bondade e verdade, mantendo misericórdia para milhares, perdoando iniquidades, transgressões e pecados” (Êxodo 34: 6-8). O Talmud (Rosh Hashaná 17b) declara: “Há um pacto (entre D’us e Suas criações) de que uma oração que contenha os 13 Atributos da Misericórdia nunca ficará sem resposta”. Ainda mais notável: esta mesma passagem no Talmud descreve a cena que se desenrolou entre D’us e Moshe; “Disse Rav Yohanan: se não estivesse escrito na Torá, nunca o diríamos; o versículo está vindo nos ensinar que o Todo-Poderoso se vestiu com um talit (xale de orações) como um shaliach tzibur (a pessoa que lidera a congregação nas orações) e demonstrou a Moshe a ordem da oração. Então disse a Moshe: ‘Sempre que o povo judeu pecar, recitem esta oração e Eu os perdoarei’”. Obviamente, o Talmud está nos dizendo que é muito difícil conceber o Todo-Poderoso vestido num talit e demonstrando como buscarmos o perdão Dele. No entanto, foi exatamente isso o que aconteceu. Então, ficamos nos perguntando: qual foi exatamente o objetivo de D’us? Por que Moshe precisaria de uma demonstração visual? Que mensagem o Todo-Poderoso estava transmitindo a Moshe? Geralmente, pedir perdão a alguém nem sempre é fácil. Requer a admissão de uma má conduta ou, pelo menos, a comunicação de que a intenção não era causar dano. Mas a parte mais atemorizante, e geralmente a razão pela qual as pessoas ‘enrolam’ em pedir perdão, é a incerteza de como a parte lesada irá reagir. A pessoa ofendida gritará comigo? Ou pior: tentarão usar minha admissão de culpa como uma forma de tirar vantagem de mim de alguma forma? A ansiedade dessas potenciais consequências geralmente impede que a pessoa faça o esforço de fazer as pazes com o outro/outra. Agora, considere um cenário diferente: como você se sentiria se alguém viesse e lhe dissesse que a pessoa magoada se sente mal porque este incidente criou um ‘fosso’ no relacionamento e que ela realmente só quer conversar e fazer as pazes com você? De repente, fica muito mais fácil fazer aquele telefonema. É por isso mesmo que o Todo-Poderoso deu passos extraordinários para demonstrar o caminho do perdão. O propósito de Sua demonstração audiovisual foi para que Moshe entendesse e transmitisse ao povo que o próprio Criador está conduzindo o caminho para o Seu perdão. Em outras palavras: HaShem – que é a parte prejudicada – está disposto a liderar a congregação em oração, porque acima de qualquer coisa Ele deseja que seus filhos voltem a Ele. O Todo-Poderoso está comunicando a Moshe que não deve haver barreiras ou receios para pedir perdão porque Ele próprio deseja consertar o relacionamento. É por esta razão que uma oração de perdão sempre será respondida. D’us está nos dizendo que Ele está sempre esperando que voltemos a Ele e, ainda mais: pedindo que voltemos. Um último ponto sobre o assunto do Yom Kipur: depois de fazer um esforço concentrado para buscar o perdão daqueles a quem ferimos, fazer restituição e buscar o perdão do Todo-Poderoso, devemos então nos fazer as seguintes perguntas: 1. O que posso fazer no futuro para melhorar meu relacionamento com o Todo-Poderoso e minha observância de Seus mandamentos? 2. Quais passos afirmativos posso tomar para construir uma conexão melhor com o TodoPoderoso? 3. Como posso me tornar uma pessoa, cônjuge, pai ou filho melhor? 4. Como posso contribuir para ajudar a construir minha comunidade? 5. O que posso fazer para ajudar meus irmãos em todo o mundo? Obviamente, as respostas a essas perguntas sempre serão um trabalho em andamento. Mas essa é a verdadeira beleza de nossas vidas – a capacidade de crescer. Fazemos o que podemos para superar os erros do passado e sempre nos esforçamos para alcançar alturas cada vez maiores. Desejo aos meus leitores em todo o mundo uma experiência de jejum e Yom Kipur muito significativa, e um Gmar Hatimá Tová (que você tenha um bom e final selamento no Livro da Vida) para você e os seus! Rav Ytzchak ZweigFonte: Meor HaShabat#judaísmomessiâniconãoexiste

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Shabat shalom/Chaverim, é da maior importância que leiamos e assinemos a proposta legislativa acima, que ainda conta com apoio restrito, mas que facilitará enormemente a vida dos Judeus no Brasil!  ASSINEM! APÓIEM!!!! DIVULGUEM!!!!
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