Netanyahu acusa pela primeira vez oficiais de defesa de o terem deixado deliberadamente sem aviso na manhã do ataque de 7 de outubro

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou, numa live no Instagram, que altos responsáveis das Forças de Defesa de Israel (IDF) e do sistema de segurança escolheram conscientemente não o acordar na manhã do ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023. Segundo ele, fizeram-no porque “sabiam que, como primeiro-ministro de Israel, eu teria dado imediatamente ordem para colocar todo o exército em alerta”.

Esta declaração marca uma mudança em relação às afirmações anteriores de Netanyahu, que até agora se limitava a dizer que os acontecimentos teriam sido diferentes se o tivessem acordado a tempo. Pela primeira vez, o primeiro-ministro acusa os oficiais de o terem mantido de propósito desinformado.

Netanyahu disse que, se tivesse sido avisado, teria “acordado todas as comunidades, acordado todos os coordenadores de segurança e ordenado à Força Aérea que estivesse pronta para atacar e matar qualquer um que se aproximasse da cerca”. Acrescentou que também poderia ter cancelado o festival de música Nova. “É óbvio que tudo isto poderia ter sido feito”, afirmou, embora reconheça que algumas violações da cerca ainda poderiam ter ocorrido.

O primeiro-ministro já tinha feito declarações semelhantes num podcast no dia anterior, num trecho que depois republicou na sua conta no X. Nessa ocasião, acusou os oficiais de defesa de não o terem acordado de forma deliberada. Apontou especificamente o então chefe do Shin Bet, Ronen Bar, de ter preferido manter um nível discreto e intermédio de prontidão, evitando uma mobilização ampla por receio de provocar uma escalada com o Hamas. Segundo Netanyahu, os responsáveis sabiam que ele ordenaria a mobilização das forças e ataques aéreos contra quem se aproximasse da fronteira de Gaza.

As declarações surgem no mesmo contexto em que a mulher do primeiro-ministro, Sara Netanyahu, espalhou uma teoria da conspiração contra o líder do partido Democratas, Yair Golan, sugerindo sem provas que este teria tido conhecimento prévio do ataque. Golan ameaçou processá-la por difamação caso não se desculpe. Ela recusou.

Correspondentes políticos do Canal 12 (oposição) afirmam que estas declarações da família Netanyahu parecem fazer parte de uma estratégia deliberada para reformular a narrativa sobre as falhas de 7 de outubro, na antevéspera das próximas eleições.

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