BOM DIA! Na noite de hoje, quinta-feira, 1º de outubro, tem início o 7º e último dia da festa de Sucot.Esse último dia de Sucot é conhecido como Hoshána Rába, nome que significa “a grande salvação”. Nessa noite, muitos permanecem acordados até tarde — ou mesmo durante toda a noite — estudando a Torá.Hoshána Rába é considerada por nossos Sábios como o ponto culminante dos Dias de Reverência (os Dias Sagrados entre Rosh Hashaná e Shemini Atzeret) e, de certa forma, semelhante a Yom Kipur. É o dia solene em que toda a comunidade judaica é julgada por D’us quanto ao nosso merecimento das chuvas em cada estação. Como os habitantes da Flórida sabem muito bem, nem todas as chuvas são uma bênção.O número 7 tem grande destaque nesta festa: as “Quatro Espécies” são compostas por 7 elementos individuais: um etrog (cidra), um lulav (ramo de palmeira), três hadassim (ramos de mirta) e duas aravot (ramos de salgueiro). É também uma festa de 7 dias e, no 7º dia, recitam-se 7 orações (hoshanot) durante o serviço matinal, acompanhadas por uma série de 7 hakafot — voltas — ao redor da sinagoga. Na época do Templo Sagrado em Jerusalém, 70 bois eram oferendados ao longo da festividade como um mérito em favor das 70 nações do mundo. (No judaísmo, o número 7 representa uma conexão do mundo espiritual com o mundo físico.Isso é evidente pelo fato de haver 7 dias na semana, 7 notas musicais, 7 cores distintas no arco-íris visíveis ao olho humano, 7 continentes — e a lista continua. Naturalmente, isso também levou a interpretações humanas — os 7 mares, as 7 maravilhas do mundo antigo, etc. Como Sucot é uma festividade tão intimamente ligada ao mundo físico — somos instruídos a viver ao ar livre, em cabanas, é uma festa da colheita e oramos porchuvas para sustentar o mundo —, essa celebração está naturalmente ligada ao número 7).Ao final das 7 voltas, realiza-se um ritual especial no qual 5 ramos de salgueiro (aravot, também chamados de hoshanot) são batidos contra o chão. Trata-se de um ritual muito profundo e místico, ligado ao envio das chuvas de cada estação.Na noite desta 6ª feira, após Hoshána Rába, começa a festividade de Shemini Atzeret. Embora para muitos Hoshána Rába seja o último dia em que se utiliza o lulav e o etrog e se habita na sucá, os que moram fora de Israel continuam a fazer suas refeições na sucá durante Shemini Atzeret. Fora de Israel celebramos 2 dias de Yom Tov (dias festivos); portanto, Shemini Atzeret e Simchat Torá serão celebradas no Shabat e no domingo.Como em Israel apenas um dia de Yom Tov é observado, Shemini Atzeret e Simchat Torá serão celebradas simultaneamente no mesmo dia – no Shabat.Shemini Atzeret/Simchat Torá é, na verdade, uma festividade distinta que ocorre logo após Sucot — um fato que passa despercebido para muitos, inclusive por mim em certa ocasião. Há muitas décadas, eu fazia uma caminhada no campo de golfe próximo à minha casa. No meio da minha caminhada, fui chamado por um dos zeladores idosos, que desceu de seu trator/cortador de grama para vir falar comigo.Eu tinha quase certeza de que iria me repreender por caminhar no campo de golfe (pedestres não eram bem-vindos nas vias pavimentadas do campo), mas, na verdade, ele estava apenas um pouco entediado e queria conversar. Ao notar que sou um judeu ortodoxo, ele mencionou que havia trabalhado em uma sinagoga por 35 anos, e o que ele disse em seguida me intrigou:“Aposto que sei mais sobre as festas judaicas do que você!” Sorri com ar de superioridade e pensei: “Que tolo. Não há a menor chance de ele saber mais sobre as festas judaicas do que eu”. Ao ver meu sorriso confiante, ele me desafiou: “Vá em frente – cite as festas que você conhece.”Mal conseguindo evitar o sorriso (afinal, eu tinha 17 anos), comecei: “Pessach, Shavuot, Sucot…” “Continue”,disse ele. Prossegui: “Rosh Hashaná, Yom Kipur…” Ele me incentivou: “Continue.” Então, mencionei as festas de origem rabínica, Hánuca e Purim. “Ainda falta uma!” Olhei para ele sem entender: “Tu Bishvat?”“Não!” disse ele triunfante. “VOCÊ ESQUECEU SIMCHAT TORÁ!” Olhei para ele totalmente chocado — ele tinha toda a razão! Simchat Torá não faz parte da festa de Sucot, um fato que havia escapado completamente da minha memória.Aprendi 2 lições muito valiosas naquele dia: 1) Nunca confie excessivamente naquilo que você acha que sabe, e – ainda mais importante: 2) Nunca subestime o que outra pessoa pode lhe ensinar — mesmo que seu ‘professor’ venha num carrinho/cortador de grama.Simchat Torá é um dia em que celebramos nossa relação com a Torá. Todos são convidados eincentivados a participar e são convidados para ler a Torá — até mesmo crianças pequenas! Tanto a noite quanto a manhã seguinte são repletas de danças e músicas, celebrando a Torá e agradecendo o TodoPoderoso por ela e pelo privilégio de sermos judeus. Se alguém costuma levar seus filhos à sinagoga apenas 2 vezes por ano, uma dessas ocasiões deve ser Simchat Torá!Os participantes da celebração dançam em círculos pelo recinto — prática conhecida como hakafot. Todos têm a oportunidade de dançar com a Torá, e há muita alegria e descontração; muitas sinagogas servem bebidas alcoólicas durante as festividades – algo extremamente desaconselhado atualmente. O que me faz lembrar da seguinte história:Em um pequeno shtetl (vilarejo judaico) na Polônia, Simchat Torá era celebrada de uma maneira lendária, que incluía quantidades generosas de bebida. Certo ano, a esposa do líder espiritual finalmente perdeu a paciência; ela proibiu o marido de beber durante a festividade e certificou-se de que todos os seus seguidoressoubessem da proibição.O que poderiam fazer? Eles queriam muito que ele os inspirasse com uma mensagem significativa em Simchat Torá, e um pouco de schnaps (termo ydish para bebida alcoólica) sempre parecia ajudá-lo a se soltar e proferir um discurso inspirador. Mas a esposa os observava com um olhar atento e vigilante.Zalmy, o shamash (assistente), teve uma ideia; ele saiu e misturou cerca de 180 ml de schnaps muito forte com 240 ml de leite. Voltou para a sinagoga e entregou ao líder o que parecia ser um copo grande de leite. A esposa assentiu com aprovação.Ele bebeu tudo de uma vez e arregalou os olhos. Chamou o shamash e pediu que se inclinasse para lhe dizer algo. O shamash abaixou-se, ansioso para ouvir as pérolas de sabedoria. O ‘líder espiritual’ sussurrou com seriedade em seu ouvido: “Zalmy, aconteça o que acontecer, não venda aquela vaca!”Deixando as brincadeiras de lado, Simchat Torá é uma festividade extremamente importante; é o dia em que celebramos a Torá e a nossa conexão com ela.Em Simchat Torá, todas as sinagogas do mundo concluem o ciclo anual de leitura semanal da Torá e iniciam imediatamente o ciclo seguinte. Lemos a última porção da Torá no livro de Deuteronômio, V’Zot HaBrachá, e logo em seguida recomeçamos com Bereshit, dando início ao livro de Gênesis. Assim, Simchat Torá é uma celebração tanto da conclusão da Torá quanto do seu reinício.Pode-se perguntar: por que nossos Sábios julgaram adequado designar um dia específico para Simchat Torá? Shavuot — o dia em que recebemos a Torá — não seria um momento mais apropriado para essa celebração?O Talmud instrui o pai a ensinar Torá ao filho assim que este for capaz de falar a seguinte frase: “A Torá que Moisés nos ordenou é uma herança para a Congregação de Yakov”. Por que esse versículo foi escolhido, se existem outros anteriores na Torá que transmitem uma mensagem semelhante (como, por exemplo: “Esta é a Torá que Moisés colocou diante dos Filhos de Israel”)?Para responder a essas duas questões, explicarei (muito) brevemente a diferença entre Shavuot e Simchat Torá. Shavuot é o dia em que nos tornamos “noivos” do Todo-Poderoso, por assim dizer, e recebemos os Dez Mandamentos como sinal desse compromisso. É por isso que o pecado do Bezerro de Ouro foi tão grave:havíamos nos desviado e traído o nosso compromisso com o Todo-Poderoso. É também por esse motivo que Moisés quebrou as tábuas originais ao descobrir nossa infidelidade.Em Simchat Torá lemos a porção final da Torá de V’Zot HaBrachá. Ela começa com as bênçãos de Moisés para o povo judeu e para cada tribo pouco antes de seu falecimento. Em seguida, Moisés sobe ao Monte Nevo, onde o Todo-Poderoso lhe mostra toda a terra que o povo judeu está prestes a herdar. Moshe falece, é sepultado em um local desconhecido e o povo judeu observa um período de luto de 30 dias. A Torá então conclui com as palavras: “Nunca mais surgirá em Israel um profeta como Moisés, que conversou com o TodoPoderoso ‘face a face’.”Enquanto Moisés estava vivo, tínhamos uma conexão ‘on-line’ com o Todo-Poderoso; alguém que podia falar diretamente com Ele. Se surgisse alguma dúvida sobre as leis, Moisés simplesmente pedia esclarecimentos a D’us. Com seu falecimento, deixou de existir este vínculo direto do Todo-Poderoso conosco, e nós, o povo judeu, tornamo-nos os árbitros finais da Torá e daquilo que ela exige de nós.Em outras palavras, em Simchat Torá celebramos o ‘noivado’ do povo judeu com a Torá (ao contrário de Shavuot, quando nos tornamos ‘noivos’ do Todo-Poderoso). É por isso que muitos dos costumes da festividade são designados com a palavra hatan — noivo (como Hatan Torá e Hatan Bereshit). É, de fato, como uma celebraçãode casamento!Segundo nossos Sábios, isso está implícito no versículo: “A Torá que Moisés nos ordenou é uma herança para a Congregação de Yakov”. A palavra hebraica para herança é morashá; nossos Sábios nos ensinam que essa palavra pode ser lida como meorassá — que significa “comprometida” (ou noiva). Após o falecimento de Moisés, o povo judeu — como árbitro final — mantém um vínculo eterno de compromisso com a Torá. Isso é,verdadeiramente, algo especial a ser celebrado!Por fim, um lembrete: o Yzkor — a cerimônia em memória de pais e familiares, bem como de judeus mortos por serem judeus ou na defesa do povo judeu e de Israel — será realizado na manhã de sábado, 3 de outubro. Uma vela memorial de 24 horas (ou vela de yortzait) deve ser acesa na sexta-feira antes do pôr do sol. Caso não possa comparecer à sinagoga e deseje que alguém recite a oração do Yzkor por você, por favor, acessewww.getkaddish.com/Yizkor.
Shabat shalom/Chaverim, é da maior importância que leiamos e assinemos a proposta legislativa acima, que ainda conta com apoio restrito, mas que facilitará enormemente a vida dos Judeus no Brasil! ASSINEM! APÓIEM!!!! DIVULGUEM!!!! worldjornalistaandrehmendan.online #נדרהמנדהה #Israel #andrehmendanhanettodasilva #jornalismo #judaísmomessiâniconãoexiste
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