BOM DIA! A porção desta semana da Torá marca o início de um novo ciclo de leitura da Torá. Ouseja: os Cinco Livros de Moisés são divididos em 54 “Porções da Semana” e a cada semana lemos uma (ocasionalmente lemos duas). Oportunamente o nome da porção da Torá desta semana é “Bereshit – no início”.Acho particularmente significativo que a primeira coisa que foi criada foi o conceito de tempo. Talvez isso nem seja surpreendente – visto que D’us “existe” e qualquer existência ilusória fora do Todo-Poderoso é, por sua própria natureza, “depois” Dele. Assim, a Criação por definição envolve a criação de um conceito de umalinha do tempo. Como o Todo-Poderoso “existe” e todo o conceito de tempo passa a existir por causa da Criação, não há conceito de um “antes” se aplicando a D’us – uma abordagem bastante simples para responder a uma das perguntas mais comuns que as crianças fazem aos seus pais.Apropriadamente, o conceito de morte também aparece na porção da Torá desta semana. A humanidade está absolutamente preocupada com a morte; obcecada em ativamente evitá-la ou em tentar ativamente evitar pensar nela. Mas em algum momento de nossas vidas precisaremos lidar com isso. O ser humano é chamado mortal porque, desde o dia em que nascemos, todos entramos nesse processo.Claro, isso me lembra uma piada. Irving viveu uma vida longa e memorável. Enquanto em seu leito de morte, ele sente um cheiro incrível. Ele chama seu jovem neto: “Moishe, posso sentir o cheiro de que a Babby(vovó) está assando meus biscoitos de chocolate favoritos. Você pode, por favor, ir lá e pegar um para mim?Eu morreria um homem feliz comendo esses biscoitos uma última vez”. Moishe acena e desce as escadas.Enquanto isso, Irving reflete sobre a sorte que tem de ter uma esposa que o ama tanto que cozinha para ele até seu último dia de vida. No entanto, Moishe retorna alguns minutos depois de mãos vazias: “A Babby disse que você não pode pegar nenhum – eles são para a shivá (o período de luto)”.Por que a preocupação com a morte? Para começar, é difícil aceitar a dor emocional da inexistência.Existem muitas maneiras pelas quais as pessoas lidam com isso: alguns se focam em construir monumentos para as realizações de suas vidas enquanto outros se concentram em transmitir para o futuro uma parte de si mesmos de uma forma ou outra, como uma família ou uma obra literária.Outros ainda tentam se concentrar em aproveitar ao máximo o tempo limitado de que dispõem. Estes entendem que ter tempo para ter sucesso na vida e crescer como pessoa, seja material ou espiritualmente, é o maior presente de todos. Se diz que se pode julgar um homem pelo que ele faz com seu tempo livre. Afinal, as pessoas têm que trabalhar, dormir, comer, etc. Mas sempre podemos ver as prioridades de uma pessoapela forma como ela gasta o resto do seu tempo.Consequentemente, ter vida é a maior de todas as oportunidades – e o tempo é o seu bem mais precioso.O tempo, como o dinheiro, pode ser mal gasto e desperdiçado. Portanto, devemos fazer um esforço real para gastar essa moeda tão valiosa na maximização das coisas significativas em nossas vidas.No entanto, nem sempre foi assim. O tempo só se tornou incrivelmente valioso quando se tornou um ativo muito limitado – mas nem sempre foi assim.Nossos Sábios nos ensinam que o Todo-Poderoso originalmente criou o homem para ser imortal. A alma e o corpo foram fundidos em um e a alma imortal deveria sustentar o corpo físico eternamente. Mas, como todos sabemos, Adam errou e esse equívoco mudou tudo. Na leitura da Torá desta semana, encontramos:“E HaShem ordenou ao homem, dizendo; ‘De todas as árvores do jardim você pode comer livremente; mas da árvore do Conhecimento do Bem e do Mal você não deve comer; porque no dia em que dela comer, certamente morrerás’”(Gênesis 2:16-17).Em outras palavras, assim que Adam e Chava comeram da Árvore do Conhecimento, eles se tornaram mortais. D’us decretou que ele e todos os seres humanos nas gerações seguintes morreriam um dia. porém, o Criador não pune apenas para ser punitivo. Como devemos entender este decreto?De acordo com o grande Rabino Moshe Haim Luzzato (Itália, 1707-1746), a razão é que, ao pecar e comer da Árvore do Conhecimento, Adam criou uma barreira na união entre seu corpo físico e sua alma espiritual. O corpo físico que errou se desligou da alma espiritual e a alma não era mais capaz de sustentá-lo eternamente.Portanto, para cumprir a intenção original do Todo-Poderoso, o ser humano precisaria falecer. É somente por meio da morte que o corpo se desintegra e remove o erro original. No futuro, no momento da Ressurreição dos Mortos (com a vinda do Mashiach), o corpo renascerá, mais uma vez se fundirá com sua alma e terá novamente uma existência imortal.Há um fascinante Midrash (Tanchuma, Pekudei: 3) que relata como o Todo-Poderoso juntou solo de todos os 4 cantos da Terra para criar o homem de forma que, independentemente de onde a pessoa morresse, a terra o absorveria em seu sepultamento.Esta é uma declaração altamente intrigante. Aparentemente, uma das funções da terra é absorver qualquer matéria orgânica que seja enterrada nela. Qualquer ser vivo – um animal, pássaro ou peixe – que morre e é enterrado, se decompõe e é absorvido pelo solo. Como pode o Midrash afirmar que o homem teve que serformado especificamente a partir da terra de todas as partes do mundo para que ela absorvesse seu corpo?As propriedades naturais da terra não deveriam ter tornado inevitável que o corpo fosse absorvido?Há uma história fascinante no Talmud (Sanedrin 90b) que relata como Cleópatra perguntou ao Rabino Meir se os mortos estarão vestindo roupas quando ressuscitarem. Rav Meir respondeu comparando a ressurreição dos mortos ao crescimento dos grãos. Uma semente, ele explicou, fica completamente ‘nua’ quando colocada na terra, mas a planta que cresce a partir dela tem muitas camadas. Da mesma forma, uma pessoa justa certamente se levantará do chão totalmente vestida.Ao comparar o sepultamento dos mortos ao plantio de uma semente, Rav Meir estava na verdade oferecendo uma lição muito mais profunda. Ele nos ensinou que, assim como uma semente é plantada, se decompõe e renasce como uma entidade nova e completa, também quando o falecido é enterrado, isso marcao início de um processo de crescimento e renascimento. Este processo alcançará seu ponto culminante no momento da ressurreição dos mortos.O enterro de um ser humano não é como o enterro de qualquer outro ser vivo após sua morte. Quando um cachorro ou um coelho de estimação é enterrado, o objetivo é simplesmente que o corpo da criatura se decomponha e seja absorvido pelo solo – para o qual qualquer solo é suficiente.Mas para um ser humano o processo de morte e sepultamento é o processo de abandonar a fisicalidade e reconectá-la à terra de onde veio. É somente dentro dessa mesma terra que o homem foi originalmente criado que ele pode ser mais uma vez recriado no futuro. Esta é uma das razões pelas quais o Judaísmo considera acremação tão abominável.O sepultamento não é uma mera eliminação do corpo, um ato de ‘descartar’ o falecido. Pelo contrário, é o início de um processo de recriação. Na verdade, a palavra hebraica para sepultura ou túmulo é kever. Mas a palavra kever também tem outro significado – útero. Agora podemos entender o porquê. A sepultura, como o útero, é um lugar onde o corpo se desenvolve e se prepara para sua existência futura.Mas há outra coisa que pode dar ao ser humano uma sensação de eternidade – o estudo da Torá. Toda a sabedoria eterna do Judaísmo emana da Fonte de toda a Sabedoria, a sagrada Torá.Ao começarmos um novo ano e com ele um novo ciclo de leitura da Torá, este é o momento certo para rededicarmo-nos novamente a um compromisso semanal de completar a leitura da porção da Torá da semana.Moshe instituiu leituras da Torá nas sinagogas nas segundas e quintas-feiras para que o povo não ficasse três dias sem estudar um pouco da Torá.Comprometer-se a estudar um pouco da Torá todos os dias com o objetivo de terminar a porção da Torá a cada semana é uma tradição judaica que se estende por milênios. Afinal, somos chamados de o “Povo do Livro”! A maioria das porções pode ser facilmente concluída com apenas 5 a 10 minutos de estudo diário.Sejamos mais um elo numa corrente que abrange milhares de anos e centenas de gerações de nossos ilustres ancestrais, e façamos um compromisso real de estudar a Torá todas as semanas. Constataremos que um novo e maravilhoso universo se abrirá diante de nossos olhos!

Rav Ytzchak Zweig
Fonte: Meir HaShabat
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Shabat shalom/Chaverim, é da maior importância que leiamos e assinemos a proposta legislativa acima, que ainda conta com apoio restrito, mas que facilitará enormemente a vida dos Judeus no Brasil!  ASSINEM! APÓIEM!!!! DIVULGUEM!!!!
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