“Um israelense, muito afastado da religião, estava dirigindo seu carro na estrada com sua família quando, de repente, o veículo parou por falta de gasolina. Ele ficou cerca de meia hora esperando ajuda, sem saber como voltaria para casa, até que Yehudá, um homem religioso, passou e viu a família com crianças em dificuldades. Ele parou e prontamente se ofereceu para buscar gasolina. O pai de família quis pagar pela ajuda, mas Yehudá recusou o dinheiro, afirmando que era uma Mitsvá e que ele não estava disposto a perder o mérito dela. Então, o pai de família lhe disse, emocionado:
– Eu sou de Beeri, um Kibutz não religioso na fronteira com Gaza. Até hoje eu nunca tinha conhecido uma pessoa religiosa. Tenho até um adesivo no meu carro que diz “Atropele um religioso”. Tenho vergonha desse adesivo e vou removê-lo agora, na sua frente. Muito obrigado pela sua ajuda!
Os dois se despediram. Na manhã seguinte, Yehudá telefonou para saber se a família havia chegado bem. Eles tiveram uma conversa agradável, na qual demonstraram respeito e apreço mútuos. E, a partir daquele dia, as conversas se tornaram frequentes. Todas as sextas-feiras, Yehudá telefonava, conversavam por alguns minutos e ele contava uma boa história para o Shabat. Isso continuou por seis meses. Certo dia, em uma das conversas, o homem não religioso perguntou:
– Não se ofenda, mas vocês não ficam entediados no Shabat? Vocês passam o dia inteiro apenas rezando e comendo, sem fazer nada. Não é chato?
– Por que você não vem passar um Shabat conosco, em Bnei Brak? – respondeu Yehudá, com bom humor – Assim, poderá ver por si mesmo. Vamos recebê-los com alegria e com uma comida deliciosa. O que você tem a perder?
O homem não religioso disse que conversaria com a esposa. No final, eles aceitaram o convite e ficaram de marcar uma data. Isso aconteceu pouco antes de Rosh Hashaná. Yehudá então consultou o Rav Chaim Zaid shlita, seu rabino:
– Rav, convidei uma família não religiosa de um Kibutz no Sul para passar um Shabat conosco. Mas quando seria o melhor dia para recebê-los e garantir que tenham uma boa experiência?
Os dois começaram a pensar juntos. Rosh Hashaná é um dia repleto de Tefilót e poderia ser cansativo. Yom Kipur e Sucót também não eram boas opções. Por fim, decidiram que o ideal seria convidá-los para Simchat Torá. A família poderia conhecer não apenas a observância do Shabat, mas também uma festividade especial e alegre. As crianças ainda poderiam receber presentes e doces na sinagoga e, assim, ter uma experiência marcante.
Havia, porém, um problema. Yehudá já havia prometido ao pai que iria até a casa dele, em Sderot, para passarem Simchat Torá juntos. O rabino lhe sugeriu que convidasse seu pai para também vir a Bnei Brak. Assim, poderia estar com ele e, ao mesmo tempo, receber a família de Beeri. E foi isso o que Yehudá fez.
E qual foi o resultado? Muitas vidas foram salvas. Aquele Simchat Torá aconteceu no fatídico 7 de outubro de 2023. A casa da família de Beeri foi completamente queimada. Além disso, se Yehudá tivesse ido a Sderot, como havia planejado inicialmente, teria ficado na casa de seu pai, que morava em frente à delegacia de polícia, local que foi tomado pelos terroristas. Infelizmente, a região foi palco de uma tragédia, e centenas de judeus foram brutalmente assassinados. Porém, por causa de um ato de bondade, três famílias foram salvas.”
Vejam que incrível a Providência Divina! Um homem ficou parado na estrada, sem gasolina, e não imaginava que aquele seria justamente o motivo pelo qual sua vida seria salva. Outro homem parou para ajudar, sem imaginar que, por meio daquela Mitsvá, sua própria vida e a vida de seu pai também seriam salvas. Na realidade, sempre que ajudamos alguém, no fundo não sabemos quem está ajudando quem.
A Parashat Noach, que lemos nesta semana, descreve que, após a queda espiritual da humanidade, D’us decretou sua destruição através de um Dilúvio. Apenas Noach encontrou graça aos olhos de D’us e mereceu ser salvo. E assim o versículo descreve o decreto de destruição do mundo: “Pois, daqui a mais sete dias, farei chover sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites, e apagarei da face da terra todos os seres que criei. E Noach fez tudo o que D’us lhe havia ordenado” (Bereshit 7:4,5).
O entendimento mais simples das palavras “E Noach fez tudo o que D’us lhe havia ordenado” é que Noach construiu a Arca exatamente como D’us havia comandado, com todos os seus detalhes. No entanto, não é assim que Rashi (França, 1040 – 1105) explica o versículo. Ele interpreta a expressão como uma referência ao fato de que Noach foi até a entrada da Arca. Mas qual seria a importância de a Torá escrever este detalhe? O que há de significativo nesta informação?
Além disso, o Talmud (Bava Kama 60a) ensina que, quando é concedida permissão ao Anjo da Destruição para destruir, ele não distingue entre o Tsadik e o Rashá, isto é, o Tsadik não está automaticamente protegido. Então, por que Noach e sua família foram salvos, se aquele era um momento de fúria Divina?
O Rav Yissocher Frand explica que a resposta começa com um famoso Midrash, segundo o qual Avraham Avinu perguntou a Shem, filho de Noach: “Como vocês conseguiram se salvar das águas do Dilúvio, da grande ira Divina que estava presente no mundo naquela época?”. Shem respondeu: “Não sei por que fomos salvos. Tudo o que sei é que, durante todo o ano do Dilúvio, nossa única ocupação foi cuidar dos animais, dia e noite”. Há outro Midrash que é ainda mais explícito, e ensina que Eliezer, servo de Avraham, perguntou a Shem: “O que vocês faziam na Arca?”. Shem respondeu: “Os animais que comiam à noite, nós nos ocupávamos de alimentá-los à noite; os animais que comiam durante o dia, nós nos ocupávamos de alimentá-los durante o dia”. Isso significa que, durante todos os doze meses, nem Noach nem seus filhos experimentaram uma boa noite de sono.
Estes Midrashim estão nos transmitindo uma informação muito importante: Noach foi salvo porque teve misericórdia dos animais. Foi por esse mérito que ele sobreviveu ao Dilúvio. A misericórdia humana desperta a misericórdia Divina. Isso também responde a outra pergunta. Por que o Anjo da Destruição poupou Noach e sua família? Esta foi a resposta que Shem estava dando a Avraham e a Eliezer: “fomos salvos por uma única razão: pois tivemos misericórdia dos animais”.
Com base nisso, podemos responder outra pergunta. O Midrash afirma que, no final das contas, o decreto contra a geração do Dilúvio foi selado por causa do pecado do roubo. Porém, a geração do Dilúvio praticou atos muito piores do que roubar uns dos outros. Seus integrantes se envolveram em todo tipo de perversão. É verdade que roubar não é algo bom, mas o fato de que “a terra estava corrompida” (Bereshit 6:11) por causa de perversões e imoralidade, a ponto de essa corrupção influenciar até mesmo os animais, parece ser muito pior! Se havia estes tipos de comportamentos imorais por toda a sociedade, como se explica que o decreto final tenha sido motivado pelo roubo? Por que esse foi o motivo decisivo, a gota d’água que fez o balde transbordar?
A resposta é que, se eles tivessem praticado todas essas outras ações terríveis, mas fossem bons e misericordiosos uns com os outros, o mérito da misericórdia deles os teria salvado. E, mesmo que isso não garantisse uma salvação completa, D’us ainda teria aplicado a punição gradualmente, ao longo de um período prolongado, e não teria destruído o mundo inteiro em questão de dias. Mesmo quando as pessoas fazem coisas muito erradas, se elas ao menos agem corretamente com seus semelhantes, isso contribui muito para protegê-las da punição.
A conclusão de tudo isso nos oferece uma maneira extraordinária de enxergar o Dilúvio. Afinal, quem salvou quem na história de Noach e a Arca? Pensávamos que Noach havia salvado os animais, pois os levou consigo na Arca e preservou a vida deles. No entanto, com base nestes Midrashim, aprendemos que aconteceu justamente o contrário: foram os animais que salvaram Noach! Como ele teve misericórdia dos animais, e a misericórdia humana desperta a misericórdia Divina, Noach não foi submetido à regra de que, uma vez concedida ao Anjo da Destruição a permissão para destruir, ele não distingue entre Tsadikim e Reshaim.
Quando Rashi ensina que as palavras “E Noach fez tudo o que D’us lhe havia ordenado” significam que Noach foi até a entrada da Arca, ele está nos transmitindo que o simples ato de caminhar até a Arca separou Noach de toda a sua geração. Ao caminhar em direção à Arca, ele estava dizendo ao restante de sua sociedade corrupta: “Não quero ter nada a ver com vocês”. Ao se separar daquela geração, Noach assumiu a tarefa de se preparar para salvar o mundo. Segundo Rashi, o fato de ele ter ido até a Arca demonstrou sua misericórdia e seu senso de responsabilidade em preservar a vida dos animais. Foi isso que salvou sua vida.
Que lição incrível podemos trazer para as nossas vidas! Todas as vezes que ajudamos uma pessoa pobre, sentimos que fizemos muito por ela. Mas, de acordo com o ensinamento da nossa Parashá, na verdade foi a pessoa pobre que nos fez uma grande bondade, ao nos dar a oportunidade de praticar atos de Chessed e, assim, nos conectarmos a D’us e alcançarmos salvações. Portanto, ao ajudar um pobre, lembre-se: é você que precisa agradecer a ele.
SHABAT SHALOM E CHAG SAMEACH
R’ Efraim Birbojm
never again
Shabat shalom/Chaverim, é da maior importância que leiamos e assinemos a proposta legislativa acima, que ainda conta com apoio restrito, mas que facilitará enormemente a vida dos Judeus no Brasil! ASSINEM! APÓIEM!!!! DIVULGUEM!!!!
worldjornalistaandrehmendan.online
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