BOM DIA! Às vezes esquecemos que a vida é uma jornada – cometemos equívocos epassamos por altos e baixos. É da natureza do ser humano olharmos no ‘espelho retrovisor’ de nossas vidas e dizer: “Se eu tivesse… casado mais cedo, tido filhos mais cedo, priorizando a família sobre a carreira, focado na minha saúde, etc”. – o menu do arrependimentos potenciais é interminável.Encontramos no judaísmo que a diferença entre um anjo e um ser humano é descrita como adiferença entre ser estático ou ser dinâmico. Os anjos são estáticos; eles foram criados com um propósito singular e, portanto, não têm a capacidade de pecar – mas isso também significa que eles não podem crescer ou ‘desenvolver seu potencial’. Os seres humanos, por outro lado, podem absolutamente vacilar e falhar, mas também temos o potencial de transcender nossos desejos e ‘necessidades’ egoístas e nostransformarmos em seres superiores. Esta é parte da razão pela qual a Torá foi dada ao mundo doshomens e não ao reino angelical.Às vezes o importante na vida é a perspectiva e o não desistir. Thomas Edison experimentou alguns milhares de materiais diferentes em busca de um filamento para sua lâmpada. Quando nenhum funcionou satisfatoriamente, seu assistente se desesperou: “Todo o nosso trabalho foi em vão. Não aprendemos nada. Estou chegando ao ponto em que não tenho certeza se poderemos utilizar a eletricidade beneficamente”. Edison respondeu com muita confiança: “Pelo contrário: percorremos um longo caminho e aprendemos muito. Agora sabemos que existem milhares de elementos que não podemos usar parafazer uma boa lâmpada”.Na leitura da Torá desta semana, encontramos uma lição extraordinária sobre a compreensão dequem somos e qual deve ser nossa perspectiva sobre nosso passado. A porção da Torá começa com o Todo-Poderoso dizendo a Abrão:“Saia de sua terra, do local onde nasceu e da casa de seu pai, para a terra que Eu lhe mostrarei.Eu farei de você uma grande nação, Eu o abençoarei e o tornarei famoso. Você se tornará uma bênção”(Gênesis 12:1-2).O texto bíblico não nos dá nenhuma indicação de por que D’us escolheu Abrão (em oposição à Suaexplicação da escolha de Noé, por exemplo). No entanto, os Sábios do midrash nos dão uma dica.Desde muito jovem, Abrão estava focado em descobrir a identidade do Mestre do Mundo. Quando criança, Abrão estava andando e viu um belo palácio brilhando. Ele se perguntou em voz alta: “É possível que em um castelo como este não haja ninguém para cuidar dele? Está iluminado e bem cuidado; deve haver um dono neste castelo!” O dono do castelo olhou por uma das janelas e respondeu: “Eu sou o senhordeste castelo!”Abrão então olhou para o mundo ao seu redor e fez a mesma pergunta. Ele reconheceu que ummundo que é tão cuidadosamente elaborado, com um design e uma ordem natural tão específicos também deve ter um mestre. Assim ele começou sua jornada e sua busca do Todo-Poderoso.O pai de Abrão, Terach, era um idólatra que estava no negócio de vender ídolos. Um dia, ele saiue deixou o jovem Abrão no comando. Uma mulher chegou, segurando um prato de grãos. Ela disse aAbrão: “Tome isto e ofereça-o diante deles”. Depois que ela saiu, Abrão se levantou, pegou um martelo e esmagou todos os ídolos, deixando o martelo na mão da estátua maior.Quando seu pai voltou e viu a destruição, ele perguntou: “Quem fez isso com eles?”Abrão respondeu: “Uma mulher veio, trazendo um prato de grãos. Ela me disse: ‘Pegue isso eofereça diante deles’. Eu ofereci e os ídolos começaram a brigar. Este aqui disse: ‘Vou comer primeiro’.Então aquele disse: Eu vou comer primeiro’. Finalmente, o maior se levantou, pegou o martelo e quebroutodos!” Terach começou a gritar: “Que bobagem você está me dizendo! Eles estão vivos, eles se movem?!?” Abrão respondeu: “Seus ouvidos não ouvem o que seus lábios estão dizendo?”Seu pai o entregou ao rei Nimrod, que decidiu que tal insolência para com seus deuses era punívelcom a morte. Ele deu a Abrão a oportunidade de se retratar e voltar à adoração de ídolos, mas Abrão recusou. Nimrod o lançou em uma enorme fornalha, da qual Abrão foi milagrosamente salvo.Maimônides (Espanha e Israel, 1135-1204) explicou que “em sua juventude, Abrão realmenteadorara ídolos com sua família; no entanto, ele sempre se perguntava quem estava realmente fazendo a Terra girar continuamente e seu coração continuava procurando. Por fim, ele chegou à conclusão que há um D’us que criou tudo e que não há ninguém além Dele”.“Abrão também sabia que todo o mundo idólatra estava equivocado: ‘Abrão tinha 40 anos quandotomou conhecimento do Criador. Quando O reconheceu e O conheceu, começou a debater com os outros idólatras, dizendo-lhes que não estavam seguindo um caminho correto’” (Maimonides, Leis da adoração de ídolos 1:3).No entanto, a afirmação de Maimônides parece ser uma total contradição com uma passagem do Talmud. O Talmud faz uma análise dos versículos da Bíblia e conclui: “Disse R’ Ami filho de R’ Abba – ‘Abrão tinha 3 anos quando reconheceu seu Criador’”. Os comentaristas do Talmud perguntam: como é possível Maimônides afirmar que Abrão tinha 40 anos quando tomou conhecimento de seu Criador enquanto o Talmud afirma claramente que ele tinha três?Lembro-me da época, cerca de 30 anos atrás, quando eu era um estudante de pós-graduaçãorecém-casado. Vários amigos meus, também recém-casados, se reuniram para discutir alguns dos aspectos mais interessantes da vida conjugal. Um deles nos contou a seguinte história.Ele chegou em casa depois da sessão de estudos da tarde e encontrou sua esposa sentada nacama chorando. “O que aconteceu?” ele perguntou. Ela apenas deu de ombros e continuou a soluçar.Depois de alguns questionamentos, ela disse que estava com muita fome, mas não havia nada quequisesse comer.Ele começou a listar um menu inteiro de opções que faria com prazer para ela – queijo grelhado,pizza, macarrão, ovos, mas ela continuamente balançava a cabeça negativamente. Ela parecia estar caindo ainda mais em depressão e ele implorou que ficaria feliz em fazer-lhe qualquer coisa que ela quisesse: frango grelhado, salmão assado ou poderia pedir comida chinesa. Não, não, não.Finalmente, ela concordou que se ele lhe fizesse um bife, ela o comeria. Ele rapidamente correupara a loja e o preparou. Depois de apenas algumas mordidas, ela disse que não estava mais com fome.No entanto, seu humor foi subitamente transformado em felicidade e seus olhos estavam brilhando.Fiquei maravilhado com a paciência, persistência e compreensão do meu amigo. Olhando para trás, percebo que mesmo aquelas opções que ele ofereceu que estavam ‘erradas’ também estavam muito certas. Porque a cada nova opção oferecida ele comunicava o quanto se importava com ela e realmente só queria fazê-la feliz.O mesmo se aplica a Abrão. Na idade de três, ele começou sua busca para encontrar a verdade.Na realidade, foram necessários muitos anos e muitos equívocos para chegar à verdade. Ainda assim, uma vez que embarcou na busca por um relacionamento significativo com o Todo-Poderoso – se o caminho estava correto ou não tornou-se parte da própria jornada para encontrar o Único e Verdadeiro D’us – e todo esse esforço foi muito precioso para o Todo-Poderoso. Abrão estava com 40 anos quando finalmente cristalizou a teologia filosófica correta e começou a pregá-la ao mundo. E Maimônides concordaplenamente que esse processo começou quando Abrão tinha 3 anos.Muitas vezes as pessoas que fazem uma ‘inversão de rumo’ e mudam suas vidas para melhor tentam suprimir as memórias de sua ‘vida anterior’ e seus equívocos ou comportamentos inadequados,fingindo como se nunca tivessem acontecido. Vemos a partir daqui que esta não é a abordagem correta.Em vez disso, nossa obrigação é utilizar essas experiências para ajudar os demais. É assim que se pode elevar toda a jornada de nossas ‘vidas anteriores’.Não podemos alterar nossa história pessoal, mas podemos mudar nossa percepção sobre ela. Sepegarmos todas as nossas experiências e crescermos com elas, então cada equívoco se tornará parte de nosso processo de crescimento e um passo indispensável na adesão ao nosso novo ‘eu’. Devemos redefinir a narrativa de nossas memórias, entendendo como ela impacta tanto o nosso presente quanto o nosso futuro.Por fim, o presente e o futuro de cada pessoa eventualmente se transformam em seu passado.Assim, quem somos hoje, o que fazemos e nossas ações no futuro também têm um efeito cumulativo que cria uma mudança líquida em nosso passado. Quanto mais mudarmos, melhor nosso “novo” passado nos definirá!

Rav Ytzchak Zweig
Fonte: Meor HaShabat
#judaismomessiâniconãoexiste

never again

Shabat shalom/Chaverim, é da maior importância que leiamos e assinemos a proposta legislativa acima, que ainda conta com apoio restrito, mas que facilitará enormemente a vida dos Judeus no Brasil!  ASSINEM! APÓIEM!!!! DIVULGUEM!!!!
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