O agradável aroma de suas Mitzvot#judaísmomessiâniconãoexiste

Rav David Ashear

O versículo que lemos há duas semanas diz que HaShem sentiu o aroma agradável do korban de Noach e, em seguida, declarou que nunca mais destruiria o mundo como havia feito com o Dilúvio.

O Midrash explica que HaShem não sentiu apenas o aroma do sacrifício de Noach, mas também o aroma da fornalha ardente na qual Avraham Avinu estava disposto a ser lançado. Ele sentiu o aroma da fornalha em que Chananyah, Mishael e Azaryah foram jogados, assim como o aroma de todos os Seus preciosos filhos que, ao longo da história, estiveram dispostos a sacrificar a própria vida por Ele.

Temos uma Mitzvah de amar HaShem com todo o nosso coração, com toda a nossa alma e com todos os nossos bens. Isso significa estar disposto a abrir mão até mesmo daquilo que temos de mais precioso para demonstrar nosso amor por Ele.

Toda forma de dedicação é preciosa para Hashem. Às vezes, significa suportar uma humilhação. Outras vezes, abrir mão de certos confortos. Em algumas ocasiões, significa mudar nossos planos. Seja qual for o “sacrifício”, HaShem valoriza cada esforço que fazemos por Ele.

Às vezes, HaShem chega a nos mostrar claramente o quanto esses sacrifícios são preciosos aos Seus olhos.

Um Rosh Yeshivah de Bnei Brak me contou uma história extraordinária.

Quando Rav Chaim Kanievsky, zt”l, faleceu, pediram a esse Rosh Yeshivá que viajasse à França para proferir um hesped (discurso em homenagem a uma pessoa falecida) em uma sinagoga na qual seu pai havia sido Rabino.

O Rosh Yeshivah concordou, mas impôs uma condição: como ele nunca faltava à sua aula diária, ministrada às 12h30 na Yeshivah, independentemente das circunstâncias, caso os organizadores conseguissem planejar a viagem de maneira que ele não perdesse a aula, aceitaria o convite.

Foi organizado um voo para quinta-feira à tarde. Assim, ele poderia fazer o discurso naquela noite e retornar na sexta-feira pela manhã. Como não havia aulas às sextas-feiras, o plano funcionaria perfeitamente.

Entretanto, outra sinagoga na França, localizada a seis horas de trem dali, entrou em contato com o mesmo pedido. Era uma sinagoga na qual seu sogro havia sido Rabino.

Eles perguntaram se ele poderia ficar na França durante o Shabat, fazer o discurso no Motzaei Shabat e retornar a Israel no domingo, em um voo às 7h da manhã. Ele fez as contas e percebeu que esse voo só chegaria a Israel por volta das 12h30, tarde demais para sua aula. Por isso, recusou educadamente o convite.

Naquela quinta-feira, viajou para a França sem sequer levar bagagem, pois esperava retornar na manhã seguinte. Mas então a segunda sinagoga ligou novamente. Dessa vez, os organizadores haviam encontrado uma solução.

Se ele concordasse em discursar no sábado à noite e, logo depois, viajasse seis horas de carro durante a madrugada até a Suíça, conseguiria embarcar em um voo às 6h da manhã, com chegada prevista a Israel por volta das 11h. Isso lhe daria tempo suficiente para chegar à Yeshivah às 12h30.

O plano exigiria que ele passasse o Shabat na França sem seus pertences, viajasse seis horas de trem e depois mais seis horas de carro durante a madrugada, tudo para economizar uma única hora no voo e não perder uma única aula.

Ele pediu autorização à esposa, que lhe deu sua bênção.
Com uma dedicação extraordinária, o Rosh Yeshivah realizou os dois discursos, transmitindo palavras de grande inspiração.
Quando chegou ao aeroporto para embarcar no voo da manhã, descobriu que o avião estava atrasado meia hora. Eles pousaram em Israel às 11h30 e, quando ele chegou ao controle de passaportes, já eram 11h50.

Ele entrou na fila destinada aos portadores de passaportes estrangeiros. Havia aproximadamente cinquenta pessoas à sua frente. Depois de todo aquele sacrifício, parecia que, depois de tudo, ele perderia a aula.

Mas então, como se um anjo tivesse sido enviado do Shamayim, um funcionário se aproximou, pediu seu passaporte, carimbou-o imediatamente e autorizou sua passagem, sem que precisasse esperar na fila. Isso nunca tinha acontecido antes.

Em seguida, veio outra dificuldade: o teste obrigatório de COVID.
As filas estavam enormes e lotadas, com exceção de uma, que estava praticamente vazia. Ele rapidamente realizou o teste e seguiu seu caminho, chegando à Yeshivah para dar sua aula exatamente às 12h30.

Quando um Yehudi está disposto a fazer sacrifícios por HaShem, HaShem, lhe mostra o quanto esse sacrifício é precioso aos Seus olhos.

Avraham Avinu nunca soube o quanto estava realizando ao se dispor a entrar na fornalha ou ao estar pronto para sacrificar seu filho Yitzchak. Chananyah, Mishael e Azaryah nunca souberam o quanto sua lealdade a HaShem inspiraria as gerações futuras.

E cada um de nós, à sua maneira, quando abre mão de alguma coisa por HaShem, acrescenta algo àquele eterno “aroma agradável” que sobe aos Céus. Quanto mais estamos dispostos a nos dedicar para cumprir a vontade de HaShem, mais demonstramos nosso amor por Ele — e mais HaShem nos demonstra Seu amor por nós.

Fonte: Emunah Todo Dia

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